Festa dos Lambe-sujos ocorre em 10 de outubro

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Cidade é tomada por batalha tradicional entre negros e índios (Foto: Divulgação)

No município de Laranjeiras, uma vez por ano, na primeira semana de outubro, trabalhadores e estudantes se transformam em reis e rainhas e protagonizam momentos de êxtase onde opera a alegria mais sincera que os olhos estrangeiros poderiam um dia presenciar. Este ano, a festa popular centenária vai ser realizada no dia 10 de outubro.

A beleza das indumentárias e a folia dos maracatus são atrativos unânimes, além da divertida brincadeira de sujar e das corridas dos chicotes dos taqueiros.

O início da festa se dá cerimonialmente na madrugada do sábado, com a ida de um negro e um índio à feira para arrecadar os mantimentos para a realização da tradicional feijoada. Na madrugada do domingo, às 4h inicia a alvorada de foguetes de artifício e o primeiro encontro do grupo dos negros, os lambe – sujos na casa do rei Zé Rolinha. O maracatu começa aos poucos, na mesma medida que a cidade acorda e que seus visitantes chegam. Nas primeiras horas da manhã, também os caboclinhos começam o seu ritual.

Caboclinhos
A tinta xadrez vermelha colore de um rubro fosco os corpos dos brincantes que, com cocares, pulseiras e tornos se ornamentam para o desfile de um dia todo. Em fileiras indianas, comportados e atentos aos toques da caixa que marca seus passos.

Os lambe-sujos se reúnem nas horas mais altas da manhã para começar às veras a brincadeira. As bacias com o mel de cabaú e tinta xadrez se amontoam na calçada e o brilho do sol “incandeia” a vista de quem presencia. Mais difícil do que não sambar com os negros é ficar limpo durante todo o dia. O primeiro conselho para quem vai à festa é: “Use roupas velhas”. Você pode correr e se esconder, mas em algum momento um lambe – sujo vai te dizer: “Dá, dá, iô iô” e mesmo que você dê o dinheiro que ele pede, o agradecimento será sempre um abraço bem melado. De short vermelho, gurita de flanela também vermelha e os adereços pessoais de cada brincante.

A partir de então os dois grupos estão devidamente paramentados a desfilar pelas ruas de Laranjeiras. Em alguns momentos do dia, os dois grupos se encontram e seus líderes travam embaixadas. À tarde, é vez das figuras reais dos grupos entrarem em cena. Enquanto os lambe – sujos buscam seu Rei, o Pai Juá e sua Mãe Susana, os caboclinhos buscam seus príncipes e princesas. Daí então, entra-se na fase crucial que são as embaixadas na região do quilombo, montado pelos negros.

Enquanto o inimigo não vem, a festa é grande. O samba está no seu auge. Pode-se ver o negro vigilante nas nuvens a avisar da chegada dos índios. E eles chegam. Uma luta, duas lutas três lutas e vitória dos índios. O castigo para os negros é terem que pedir esmolas ao público para dar ao seu algoz. E assim termina a saga de nossos ancestrais. A guerra existe, mas a alegria da festa não é ofuscada por nenhuma convenção social.

Fonte: Ascom/Prefeitura de Laranjeiras

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