Gilcélia Vaz ou Célia Gil: ela é cantora

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A Quinta da Assaim tem o prazer de apresentar a pedagoga, que trabalhou durante 19 anos como bancária e que, desde 1997, se rendeu à música, lançando Albatroz, seu primeiro CD: Célia Gil. Sergipana de Nossa Senhora da Glória, a antiga Gilcélia Vaz, promete um show de misturas e revisão do começo de sua carreira até seu mais recente trabalho: “Ontem e Amanhã” Nesta entrevista feita para o Sergipe Cultural, a cantora apaixonada por música portuguesa, fala um pouco de sua vida, profissão e dá opinião sobre o mercado artístico sergipano. SERGIPE CULTURAL – Como foi para uma cantora trabalhar 19 anos em um banco? Célia Gil – São coisas bem diferentes, não é? Mas o lado artístico, mesmo não excercendo estava sempre ali, piscando, me dando um aviso. Eu fazia alguma coisa por hobbie, cantava com os amigos, mas nada profissional. Quando eu aderi ao PDV do banco, resolvi me dedicar, realmente, à música. Foi quando, também, meu filho, Plínio Marcos (tecladista), despertou para a música e começou a tocar. Isso foi uma coisa que nos uniu para que pudéssemos fazer o primeiro CD. SC – Qual foi o momento mais emocionante de sua carreira? CG – A primeira coisa que mais me emocionou foi ouvir minha voz em CD. Porque , quando eu ouvia em fita cassete, eu achava que era diferente. Mas, quando ouvi em CD, eu disse “Meu Deus, essa é a minha voz!” A segunda foi a apresentação que tive oportunidade de fazer no ano 2000 com a Orquestra Sinfônica Petrobrás Pro-Música, do Rio de Janeiro, que esteve aqui na comemoração dos 500 anos do Brasil. A convite da Petrobrás, fiz esta participação especial cantando com esta super orquestra; são 70 músicos regidos pelo grande maestro Roberto de Sá, de fama internacional. SC – Como foi sua experiência na Holanda? CG – Em 1999, passei dois meses lá. Tive um convite para fazer umas apresentações, através de uma brasileira que mora lá; fui com o Plínio. Conheci uma cantora de Moçambique, que foi quem me abriu as portas de Amsterdã. Cantei em vários cafés e participei de um carnaval em Roterdã, a convite da Casa Brasil-Holanda. Este carnaval é bem interessante: é um desfile de rua, com “imitação de escola de samba. Foi feito para o pessoal do Brasil; inclusive dois holandeses compuseram um samba-enredo em português. Este samba foi cantado por mim e por outros brasileiros que cantavam lá. Eu fiz questão de gravar este samba-enredo, chamado “Vento no Asfalto”, no meu segundo CD “Ontem e Amanhã”. SC – Qual a diferença do primeiro cCD-“Albatroz”– para o segundo- “Ontem e Amanhã”? CG – O primeiro foi basicamente voltado para o romantismo; tinha um pouco de clássico também. Com o tempo a gente vai aprendendo e, neste segundo CD, eu fiz um repertório bem eclético; música romântica, pop, bossa,… coisas que eu nunca tinha experimentado eu usei agora. Acho que ficou um disco bem legal. SC – Você, como sócia da Assaim, o que destaca no trabalho da associação e do projeto Quintas da Assaim? CG – A força que deu aos artistas. Hoje, quando a gente quer se dirigir a uma entidade, temos a força do nome da Assaim; ela trouxe união. Além disso, está abrindo portas. Um exemplo disso é, exatamente, este projeto. Para nós artistas, que estamos sempre dependendo dos outros, pra correr atrás é muito difícil não tendo um apoio; e a Assaim representa esse apoio para nós. SC – A mudança de nome Gilcélia Vaz para Célia Gil ocorreu como? CG – Eu comecei como Gilcélia Vaz. Mas quando fui fazer meu segundo CD, eu via que as pessoas tinham dificuldade em gravar meu nome; uns diziam Gilcelma, outros diziam Gilzélia. Então, eu ficava pensando que nome usar – mudar a identidade da gente é muito difícil; eu queria uma coisa que ficasse com a minha cara mesmo. Este nome Célia Gil veio desde antes, quando eu estava gravando o Albatroz, um amigo meu já tinha dado como sugestão, aí eu acho que o nome ficou na minha mente. E Célia Gil as pessoas assimilam com facilidade. SC – O que falta para o mercado artístico de Aracaju? CG –Antes a gente falava da união entre os artistas, mas hoje já há uma certa união. Hoje o que a gente mais precisa é o apoio dos órgãos de cultura, uma política cultural, para que a gente tenha o nosso trabalho, sem precisar pedir. Outra coisa é a divulgação das emissoras de rádio, que deveriam tocar mais as nossas músicas. Tocam muito pouco para o que a gente precisa, para que as pessoas nos conheçam e para que comprem o nosso CD. SC – Como foi o começo da carreira? CG – Eu sou filha de uma família de músicos, não profissionais, mas meu pai tocava violão e minha mãe canta. Sempre em casa ele tocava e eu cantava. Desde pequena eu me apresentei para cantar: na escola, no coro da igreja,… e fui gostando, me dava muito prazer. Foi quando, no banco, as pessoas brincavam falando que eu deveria cobrar para cantar; aí eu resolvi começar a meu profissionalizar: ensaiar, fazer meu repertório, não ficar só dando canja. A gravação do primeiro CD nasceu de uma participação que fiz em um festival- Projeto Jupará– em Itabuna, na Bahia, que ia fazer uma coletânea de artistas da região e alguns convidados. Eu ainda estava no banco e fui passar fim de semana lá. Conheci várias pessoas do ramo musical, inclusive o Caê, que foi quem me colocou no festival, interpretando “O Amor Afinal”, que é uma música dele. Esta foi a primeira música que gravei; e, mais tarde fez parte do meu primeiro trabalho, que foi o Albatroz. Então depois desta gravação me perguntei: “Porque eu não faço o meu?” SC – Qual a composição do show desta Quinta da Assaim? CG –Quinta-feira eu vou fazer uma breve viagem por toda minha carreira. Músicas que eu cantei no início da carreira, que gravei no Albatroz e também passando pela MPB, experimentando algumas salsas e músicas também do CD“Ontem e Amanhã”. Além da participação do Rubens Lisboa. SC – Que sentimento a desvalorização da cultura provoca no artista? CG – Indignação; às vezes a ponto de você se perguntar “Por que estou fazendo isso, se não tenho retorno?” É uma luta tão grande e ninguém reconhece. É difícil, mas quando você faz o que gosta você vai e teima. SC – Esta semelhança no seu jeito de cantar com o fado e outras músicas portuguesas é mera coincidência? CG – Eu tenho, independente de tudo, um amor muito grande pelo fado. Algumas pessoas já me disseram que eu tenho a voz parecida com as de cantoras portuguesas e eu acho que há uma identificação de minha interpretação com esta música. Quando eu tiver dinheiro, vou fazer um CD só de fado, porque não adianta eu fazer agora, o mercado não aceita. Por Marina Ribeiro

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