Homenagem ao ex-governador Leite Neto

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(Fotos: Marcelle Cristinne/ASN)

No mês em que completaria 105 anos de nascimento, o ex-governador Francisco Leite Neto foi homenageado em solenidade prestigiada pelo governador do Estado em exercício, Jackson Barreto, na tarde desta terça, 27. A homenagem foi promovida pelo Palácio-Museu Olímpio Campos (PMOC), que em meio às suas ações tem se notabilizado por disseminar o legado dos homens públicos sergipanos através de eventos dessa natureza.

A tarde em alusão à história de Leite Neto contou com uma exposição de fotos e objetos pessoais, além de uma palestra do historiador Luiz Antônio Barreto presenciada por familiares do homenageado e por cerca de 40 alunos da Escola Estadual que leva seu nome. Ao cumprimentar o público presente, o governador em exercício também exaltou a trajetória pública do ex-governador.

"Eu acho que se Sergipe tem uma história de grandes homens públicos e precisa escrever com letras bem maiúsculas a trajetória e a vida de Francisco Leite Neto, que morreu como senador, mas também foi governador provisoriamente, secretário geral do Estado e deputado federal", destacou Jackson, demonstrando grande conhecimento acerca de Leite Neto ao citar os períodos em que ocupou cada cargo e seu desempenho nas respectivas eleições.

O momento em que Leite Neto comandou o orçamento da União enquanto parlamentar também foi lembrado pelo governador em exercício. "Ele foi repetidas vezes eleito presidente da Comissão de Orçamento do Congresso Nacional; dele dependia o aumento dos servidores, a construção das obras, a liberação dos recursos para construção de Brasília, o aumento dos militares, enfim, nenhum dos sergipanos da geração de Leite Neto foi tão brilhante quanto ele", afirmou Jackson.

Irmã do homenageado, a desembargadora aposentada Clara Leite Rezende o descreveu como "um homem do parlamento, um deputado muito caprichoso, estudioso, que exerceu um papel muito importante nas finanças do país". Conforme a desembargadora, Leite Neto foi um deputado em quem os brasileiros confiavam. "Todos se sentiam confiantes quando sabiam que aquele orçamento havia sido elaborado por ele. O que Leite Neto tinha e realmente deixou de exemplo para todos nós foi essa vocação pela coisa pública, por atender ao seu povo por fazer alguma coisa por sua gente", concluiu.

Para o historiador Luiz Antônio Barreto, Leite Neto foi um dos mais importantes personagens da história sergipana e, ao homenageá-lo, o Palácio-Museu cumpre um papel fundamental. "É a função pedagógica de manter viva a história construída com dignidade, espírito público, para que as novas gerações possam conhecê-la. Nossos homens públicos precisam ser lembrados", disse o historiador.

Na ocasião, também estavam presentes o procurador-geral do Estado, Márcio Leite Rezende, sobrinho de Leite Neto; e o secretário do Planejamento, Orçamento e Gestão do Estado, Oliveira Júnior.

Biografia

Francisco Leite Neto, filho de Silvio César Leite e de Lourença Rollemberg Leite, nasceu em Riachuelo, em 14 de março de 1907. Estudou as primeiras letras em escolas particulares, em Riachuelo e em Aracaju, fazendo o curso secundário no Colégio Salesiano Nossa Senhora Auxiliadora, passando pelo Colégio Tobias Barreto, e pelo Colégio Antônio Vieira, dos Jesuítas, em Salvador, na Bahia. Permaneceu na Bahia, bacharelando-se na Faculdade de Direito, regressando para Sergipe, fixando-se em Aracaju, onde iniciou sua carreira de advogado e pensador do Direito.

Foi eleito para a Assembleia Constituinte Estadual, que sob a presidência de Pedro Diniz Gonçalves Filho redigiu a Constituição do Estado de Sergipe, promulgada em 16 de julho de 1935. Em 1941, com o retorno de Augusto Maynard Gomes ao Governo assume a Secretaria Geral, permanecendo até 1945, quando teve a oportunidade de assumir a chefia do executivo estadual.

Com a redemocratização de 1945 ingressa no PSD – Partido Social Democrático, e é eleito deputado federal, assumindo a condição de líder político. Em 1950 é reeleito deputado federal e concilia suas atividades políticas, com a cátedra de Ciências das Finanças, na Faculdade de Direito de Sergipe. Em 1954 ganha novo mandato de deputado federal e em 1958 repete o feito, passando 16 anos como deputado federal, destacando-se nas Comissões Técnicas, notadamente nas de Orçamento e de Finanças. Em 1962 é eleito senador da República.

Casado desde 1933 com Alina Carvalho Leite, conhecida como D. Celina, filha do deputado Carvalho Neto, Francisco Leite Neto entrou para a Academia Sergipana de Letras, na Cadeira 23, vaga com a morte de Prado Sampaio, tomando posse em 23 de julho de 1942, sendo recebido no sodalício por Garcia Moreno. Francisco Leite Neto foi, também, orador do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe e faleceu em 10 de dezembro de 1964, aos 57 anos, deixando um exemplo de preparo, liderança, produção intelectual, contribuindo para a história jurídica, política e cultural de Sergipe.

Fonte: ASN

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