Sergipano com Muito Prazer

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Há quinze anos morando no Rio de Janeiro, Lula Ribeiro não consegue se desligar de sua terra natal e agora está de volta lançando seu terceiro CD, Muito Prazer. Confira a entrevista.


Infonet Notícias – Você foi para o Rio por causa da música?
Lula Ribeiro – É, fui pra lá por causa da música. Fui pra lá em 1986, quando eu tinha feito aqui um disco chamado Cajueiro dos Papagaios, que foi um trabalho que eu fiz em parceria com Irineu Fontes e Paulo Lobo e a gente já vinha desde 80 fazendo trabalho com música aqui em Aracaju e achava que precisava já ampliar um pouco os horizontes e lancei esse disco no Rio, em São Paulo, Belo Horizonte. Um produtor do Rio me convidou pra ficar lá trabalhando e já tinha essa vontade de morar lá no Rio e foi um incentivo maior.

IN – Como foi a receptividade do carioca?
LR – Graças a Deus cada vez aumenta mais. O carinho que eu recebo lá fora vem aumentando. Já me apresentei nas maiores casas de espetáculos do Rio, de São Paulo, de Belo Horizonte e eles têm me recebido muito bem. A imprensa, os críticos de música, os próprios músicos têm me recebido bem.

IN – Qual a impressão que eles têm da música sergipana?
LR – Essa é uma noção que eles ainda não têm, porque Sergipe ainda não tem um grande referencial de música. Ainda não “estourou” nenhum artista sergipano assim na mídia. Eles não conhecem muito esse lado da música. Hoje eu sou uma referência, não só de música, mas do Estado de Sergipe lá fora. As pessoas já me identificam como artista de Aracaju, o sergipano Lula Ribeiro. É uma coisa de bandeira mesmo. Eu estou lá divulgando a minha música e o Estado de Sergipe.

IN – E o CD Muito Prazer?
LR – Ele foi lançado há dois anos. É o meu terceiro disco solo. Antes dele eu fiz Janeiros, que é uma homenagem ao Rio de Janeiro, uma cidade que me acolheu, depois de Belo Horizonte; o segundo foi um disco totalmente de intérprete, onde eu canto músicas da década de 50, com ênfase na carreira da Dolores Duran, que se chama O Sono de Dolores; depois dele, fiz um trabalho totalmente autoral, que é Muito Prazer, onde eu mostro não só o intérprete, mas também o compositor, o arranjador, o músico, e com grandes parcerias, como Paulinho Moska.

IN – E grana? Como você produz seus CD”s? Como você se vira com isso, que é uma coisa um tanto difícil?
LR – Batalho nos shows. Porque é muito complicado, não tenho patrocínio, nem patrocínio exclusivo, acaba sendo coisa minha mesmo. É um investimento que eu tenho. Muita grana que ganho, eu invisto em mim, nos meus estudos, nos meus trabalhos de produção de CD, cartazes, folderes, porque o artista tem que ter sempre um material bonito a ser apresentado, porque é muito difícil você estar na mídia de massa devido ao tipo de música que eu faço, que não é um trabalho tão fácil. Eu vejo que meus referenciais não estão sempre aparecendo na televisão pois têm estilos muito diferentes do que a mídia tá consumindo, então eu faço que minha divulgação seja boa.

IN – Você acha que a visão dos sergipanos para com os seus músicos tem mudado nestes seus mais de 15 anos de música?
LR – Eu gostaria que fosse muito diferente. Eu ainda não sinto essa mudança. Eu acho que as pessoas daqui ainda não valorizam o artista sergipano como deveriam. Existem artistas que aqui a gente nunca ouviu falar mas que em suas terras têm o carinho do seu público, o reconhecimento. Aqui, como as pessoas estão sempre próximas de todo mundo, é muito fácil de você ser conhecido, você faz um disco ou um show e as pessoas te param na rua te pedindo um CD, um ingresso porque ainda não tem essa valorização de dizer “pô, saiu o novo disco do Lula, vou lá comprar; vou na bilheteria comprar o ingresso do show pra prestigiá-lo”. Isso é ainda mais difícil nos bares que eu freqüento por aqui. Os donos dos bares reclamam da dificuldade de se cobrar um couvert, porque as pessoas acham caro. O que se cobra aqui é simbólico, até ridículo em relação ao que se cobra em outros lugares. Mas as pessoas exigem uma boa música enquanto tomam sua cerveja, comem seu tira-gosto, mas na hora de pagar o couvert, eles pedem que liberem. É desagradável isso.

IN – Que outras diferenças você nota do público de Aracaju com relação a outros públicos, de outras cidades?
LR – Eu noto que com minha música eu tenho mais prestígio fora de Aracaju, eu não sei por quê. Aracaju tem consumido um tipo de música que não é a que eu faço, nem a que eu gosto. Quem faz um tipo de música de qualidade, com um trabalho mais pensado anda meio sem espaço na cidade. Tem muita gente aqui que eu gosto, que não está se apresentando em lugar nenhum, não está sendo convidado para se apresentar nos projetos que acontecem. Acaba virando um círculo, sempre as mesmas pessoas. E fica chato isso, porque tem tanta gente boa, que deveria estar sempre tocando.

IN – O que você acha que está faltando para a música sergipana?
LR – Acho que falta credibilidade no potencial do músico sergipano. Não só na música, mas nas outras áreas das artes, como teatro, fotografia, artes plásticas são várias as pessoas que têm qualidade e talento. A qualidade existe. O que falta é o carinho, a atenção, o incentivo. E olhe que Aracaju já teve um forte movimento cultural. Quando eu comecei a trabalhar com música, os artistas estavam sempre em evidência, sempre acontecendo.

IN – O que é que você espera agora? Quais são os planos?
LR – Eu estou encerrando os compromissos que eu ainda tenho com este CD Muito Prazer, pra entrar em estúdio para o quarto CD.

IN – Pode adiantar alguma coisa?
LR – O título do disco ainda não tenho, mas ele vai ter 12 músicas, 10 são de minha autoria e 2 de compositores conhecidos, que não sejam tão atuais. Eu gosto de fazer este trabalho de pesquisa na música brasileira. Vou gravar também uma música sobre Aracaju, que fiz em parceria com Chico Pires, porque eu quero cantar Aracaju de minha autoria. Já cantei Aracaju, mas com músicas de outros compositores. Vou fazer essa homenagem à terra que eu gosto tanto e que estou sempre voltando, porque é importante isso pra mim, tanto como pessoa, como músico.

IN – Quais são os próximos projetos?
LR – A segunda edição do Festa da Música Brasileira, que é um projeto grande, que eu faço junto com Panela Music. Temos um contrato com a emissora de TV Bandeirantes por mais 3 anos (ela transmitiu o festival no ano passado). O Festa reúne músicos de todos os cantos do Brasil na cidade do Rio de Janeiro. O festival teve uma ótima repercussão, os artistas sergipanos que participaram, foram brilhantes: Amorosa foi a melhor intérprete e Chiko Queiroga e Antônio Rogério chegaram às finais e vão ter a música deles no CD do festival, que deve sair até junho deste ano.

IN – Uma mensagem para o público
LR – Estejam sempre atentos à arte sergipana, que é de boa qualidade e precisa ser valorizada.

Lula Ribeiro se apresenta neste sábado (12), às 22h, no Espaço Cultural Yázigi.
  

 

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