Audiência pública debate nova ponte

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A semana passada, a Assembléia Legislativa de Alagoas realizou audiência pública em Penedo, sobre a construção de uma nova ponte entre aquele Estado e Sergipe. Há nove meses foi assinado protocolo de intenções pelos governadores Teotônio Vilela, de alagoas, e Marcelo Deda de Sergipe, solenidade que foi propagandeada como início de uma parceria para alavancar o desenvolvimento sustentável da região do Baixo São Francisco. Mas, quase um ano depois, sequer o estudo de viabilidade da obra foi realizado.

Existe uma comissão de trabalho para tanto, mas o levantamento preliminar seria feito por uma só empresa, definida por meio de concorrência pública, licitação que ainda não aconteceu, por causa da imensa burocracia. A demora seria decorrente das preferências, já conhecidas, pelo trecho onde cada administração considera que a ponte trará mais benefícios. Sergipe pretende levar a estrutura para o mais próximo possível da foz do Rio São Francisco, em algum ponto entre Piaçabucu-Alagoas e Brejo Grande-Sergipe, beneficiando o turismo para a região norte do Estado, onde rodovias estaduais estão sendo pavimentadas.

Megaresort justificaria nova ponte

A escolha também seria motivada pela construção de um megaresort em Brejo Grande, empreendimento de uma construtora com altos investimentos em Sergipe e também na Bahia, apontada nos bastidores por responsável por fazer lobby junto ao governo sergipano. O objetivo da imobiliária, que divulga em sua página na Internet uma imagem virtual do meio de hospedagem luxuoso, é ter a ponte como vizinha, estrutura que facilitaria o fluxo de hóspedes.

O problema é que a construção da ponte entre Brejo grande e Piaçabucu teria as cabeceiras e parte das rodovias sobre duas áreas de proteção ambiental, ecossistemas frágeis e de difícil recuperação. Do lado alagoano, o cenário é o Pontal do Peba, com suas dunas emolduradas pelo encontro do mar com o rio, paisagem de grande atrativo turístico. Na margem oposta de Alagoas, o impacto causado pela obra atinge em cheio a Reserva Biológica de Santa Isabel, considerada o maior berçário de tartarugas marinhas do Brasil.

Por Ivan Valença

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