Consumidores voltam a comprar produtos de marcas mais acessíveis

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Mercadinho de bairro oferecem produtos mais acessíveis
Com a volta da Inflação no panorama econômico, uma situação bastante interessante tem se mostrado entre as classes C e D nas compras básicas: a procura dos produtos mais acessíveis no mercado. O economista do Departamento Intersindical de Estudos Econômicos de Sergipe (Dieese), Luís Moura, destaca que o principal fator, melhoria de renda, determina o poder de compra do consumidor. 

“Antes era muito comum encontrar pessoas selecionando produtos de marca, bem como fazer compras para estoque mensal. A melhoria da renda permitia a compra de marcas líderes. Hoje em dia, com o aumento dos preços, para fracionar o orçamento e comprar os produtos básicos, muitos estão optando em escolher marcas populares. Isso faz com que eles mantenham o padrão de ter esses produtos e poder pagar normalmente o aluguel da casa, prestação dos carros e as utilidades necessárias”, explica.  

Outro fator bastante curioso é que as compras estão sendo moderadas para consumos imediatos. “Um dado estatístico revela que cada vez mais o consumidor tem ido muito menos aos grandes atacados, privilegiando os mercados de bairro ou os ‘mercadinhos’”, ressalta o economista.

Eleni Campos, administradora
O economista completa que “o cliente tem ido a esses estabelecimentos, em média, 15 vezes no mês para aquisição dos produtos emergenciais”. A cliente Eleni Campos é um bom exemplo disso. “Moro aqui dentro [mercado local]. Sempre que preciso de alguma coisa, não penso duas vezes”, diz, ressaltando que mora perto de outros grandes centros de comércio varejista, mas prefere os “mercadinhos’ porque eles têm preços menores e o atendimento é mais humano.

O gerente-geral de um desses mercadinhos, Agnaldo Balbino Ferreira, diz que “os produtos mais procurados nessa compra emergencial é o feijão, óleo, açúcar e manteiga”. Ele acredita que esse comércio tem se destacado porque os custos são mais baratos. “Geralmente, lojas x ou y se utilizam de marketing em cima de produto e têm que manter os gastos de estabelecimentos maiores. Nos estabelecimentos locais, além da margem de

Produtos mais visados nas compras emergenciais
lucro dos produtos ser pequena, não têm gastos maiores”, comenta.

O economista Luís Moura destaca que “o apelo promocional é a principal estratégia para atrair os consumidores e que as pessoas estão se alertando que a composição principal dos produtos é a mesma”. O consumidor Jailson Dantas concorda dizendo que “marca não enche barriga de ninguém”, reforça dizendo que só compra carne nas grandes redes por causa da procedência garantida, mas o resto, é tudo no supermercado de bairro porque os preços realmente são mais em conta. “Isso é evidente”, diz.    

Por Karinéia Cruz e Gabriela Amorim

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