Designer sergipana entra para ranking Under 30 da Forbes

Produção autoral que integra tradição e técnica projetual chama atenção do mercado e da crítica e Giovanna Arruda foi destaque na Forbes

(Foto: Victoria Araújo)

Figurar na lista Under 30 da Forbes é uma distinção reservada a jovens que já demonstram destaque em seus campos profissionais. Divulgado todos os anos, o ranking reúne talentos promissores de diversas áreas e é reconhecido pelo mercado como um termômetro de visibilidade global e novas oportunidades. Na edição de 2025, entre os nomes escolhidos está a arquiteta e designer de mobiliário Giovanna Arruda, que passou a chamar atenção nacional após a seleção.

Ao longo do tempo, a curadoria tem antecipado carreiras que depois se consolidam mundialmente, incluindo profissionais que futuramente aparecem em capas e rankings de influência da própria revista, como Elon Musk, Oprah Winfrey e Jeff Bezos. Integrar esse grupo posiciona o trabalho dentro de um circuito internacional atento a criadores capazes de influenciar tendências e dialogar com múltiplos mercados.

Giovanna relata que recebeu a notícia de forma inesperada. “Foi uma surpresa enorme e muito feliz, porque é um reconhecimento que não se imagina alcançar tão cedo atuando especificamente com design”, disse. Para ela, a presença na lista funciona como validação de um percurso construído com pesquisa, consistência estética e dedicação autoral.

A designer avalia que não houve um único motivo determinante para a conquista, mas sim a combinação de vários fatores. “Acredito que tenha sido a coerência do trabalho autoral, a conexão com a identidade brasileira, especialmente nordestina, e a maneira como os projetos unem design, cultura e memória”, explicou. Segundo Giovanna, esse tripé conceitual sempre guiou sua produção e contribuiu para consolidar uma linguagem própria.

Ela ressalta que sua criação busca ir além da utilidade dos objetos. “Sempre procurei ultrapassar a função e contar histórias por meio das peças”, afirmou, destacando que a narrativa cultural incorporada ao design foi essencial para atrair atenção internacional e colocá-la entre jovens talentos em evidência.

Raízes criativas

A projeção que impulsionou sua visibilidade começou quando suas primeiras criações passaram a circular em publicações especializadas. Desenvolvidas inicialmente durante sua atuação na Casa de Marimbondo, elas originaram a Coleção Pacatuba e ganharam espaço em veículos como Casa Vogue, Casa e Jardim, Revista Habitat e Revista Amarelo. “Todas dialogam com o artesanato brasileiro e com memórias afetivas, por isso tiveram boa repercussão”, contou.

Após esse período, Giovanna passou a atuar de forma independente e começou a ser convidada para exposições e mostras. De acordo com ela, essa expansão ocorreu naturalmente, impulsionada pelo reconhecimento do público e do mercado de design, interessado na fusão entre tradição e contemporaneidade presente em seus projetos.

O interesse pelo mobiliário surgiu ainda na infância, quando conheceu uma poltrona criada por Percival Lafer, arquiteto e designer brasileiro integrante da coleção ETEL, conhecido pelo trabalho inovador na área desde os anos 1960. “Hoje percebo que não era só uma disputa entre primos para sentar nela; eu observava e tentava entender como a estrutura funcionava. Anos depois, consegui contar essa história pessoalmente a ele”, relembra.

A decisão de seguir carreira veio após a graduação, durante a pandemia, quando começou a estudar design de mobiliário por conta própria. O convite para criar peças com comunidades tradicionais consolidou o caminho. “Minha função era desenvolver a partir dos saberes e fazeres das artesãs, e isso definiu minha trajetória”, afirmou.

Formação e método

Formada pela Universidade Tiradentes, Giovanna atribui à formação acadêmica parte essencial de sua construção profissional. “Foi decisiva para desenvolver pensamento crítico e repertório. As bases de partido e conceito arquitetônico que aprendi servem hoje para qualquer processo criativo que exija método e reflexão”, explicou.

Ela destaca que experiências práticas durante a graduação ajudaram a revelar sua vertente artística. “Algumas atividades nas semanas de arquitetura estimularam esse lado mais experimental, que hoje integra meu processo”, disse, relacionando diretamente as vivências acadêmicas à identidade estética atual.

Seu método criativo começa pela observação direta. “Compreender os modos de vida das artesãs, os objetos que utilizam e os materiais que dominam faz cada projeto ser único”, afirmou. Para a designer, essa escuta ativa garante autenticidade às peças e evita que o design se reduza à simples reprodução de tendências.

Essa lógica também orienta escolhas técnicas. “Os processos de fabricação em Sergipe são mais limitados do que nos grandes polos, então as decisões projetuais precisam ser viáveis dentro dessa realidade”, explicou. Na visão dela, um projeto bem resolvido é aquele em que estética, função e inovação se integram de forma natural.

Reconhecimento e futuro

Depois de entrar para a Under 30, Giovanna percebeu mudanças imediatas na carreira. “O reconhecimento ampliou a visibilidade e abriu portas, mas principalmente trouxe responsabilidade”, afirmou. Segundo ela, a premiação a fez entender que sua produção representa não apenas uma trajetória individual, mas também uma narrativa mais ampla sobre o design brasileiro e nordestino.

No âmbito pessoal, o impacto também foi significativo. “Ganhei mais confiança no caminho que escolhi e a certeza de que é possível construir uma carreira autoral”, declarou. A designer acrescenta que o reconhecimento reforçou sua motivação para continuar pesquisando e criando com propósito.

Hoje, ela define sua identidade profissional como a união entre contemporaneidade e tradição. “Quero desenvolver peças com alma, que carreguem história e pertencimento, e que também deem visibilidade ao Nordeste, seus artistas e artesãos”, disse, destacando o compromisso com a valorização cultural regional.

Entre seus próximos planos estão consolidar ainda mais sua linguagem própria e ampliar presença dentro e fora do Brasil. “Quero criar projetos que dialoguem com a cultura brasileira, especialmente nordestina, e com saberes tradicionais”, concluiu, indicando que o reconhecimento internacional representa apenas o começo de uma trajetória em expansão.

Fonte: Asscom/Unit

Portal Infonet no WhatsApp
Receba no celular notícias de Sergipe
Acesse o link abaixo, ou escanei o QRCODE, para ter acesso a variados conteúdos.
https://whatsapp.com/channel/
0029Va6S7EtDJ6H43
FcFzQ0B

Comentários

Nós usamos cookies para melhorar a sua experiência em nosso portal. Ao clicar em concordar, você estará de acordo com o uso conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Concordar Leia mais