MPF denuncia três funcionários da Caixa por venda casada

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Funcionários coagiram clientes para liberar financiamentos (Foto: Arquivo Infonet)

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou três funcionários da Caixa Econômica Federal por promoverem venda casada em agências de Sergipe. O ex-superintendente do banco no Estado, Gilberto Occhi, a ex-gerente-geral de uma agência de Aracaju Cristina Rocha de Andrade dos Santos e o gerente de relacionamento da mesma agência, Marcelo Motta, são acusados de coagir clientes a adquirirem produtos e serviços da Caixa a fim de terem aprovado o pedido de financiamento de imóvel.

Em um dos casos relatados na denúncia (peça inicial da ação criminal), a cliente foi coagida a obter cartão de crédito, cheque especial e crédito imobiliário a fim de ter o financiamento aprovado. Após registrar uma reclamação na Ouvidoria da Caixa, ela recebeu ligações de Marcelo Motta ameaçando-a. Além disso, Gilberto Occhi e sua esposa, Cristina Rocha, chegaram a ir até o local de trabalho da cliente para ameaçá-la de suspender o contrato de financiamento caso ela não mantivesse os demais serviços contratados.

O procurador da República Ruy Nestor Bastos Mello, autor da ação, explica que em razão da conduta dos três acusados, a Caixa foi condenada em uma ação civil por danos morais movida pela própria cliente. De acordo com o procurador, a Justiça Federal em Sergipe (JF/SE) considerou que a cliente sofreu danos morais tanto por ter sido obrigada a comprar produtos que ela não desejava e por ter sido coagida em seu próprio local de trabalho por dois representantes da Caixa. O banco recorreu da decisão, mas o Tribunal Regional Federal da 5ª Região manteve a sentença da JF/SE, apenas reduzindo o valor da condenação.

Financiamento negado 

Já a outra cliente citada na ação movida pelo MPF não conseguiu obter o financiamento de seu imóvel ao se negar a adquirir previdência privada, poupança, seguro para veículo e título de capitalização. O gerente de relacionamento Marcelo Motta afirmou à cliente que a comissão que analisa os pedidos de crédito não costuma aprovar financiamentos sem a aquisição de produtos agregados.

Posteriormente, ela foi novamente chamada ao banco pela então gerente-geral Cristina Rocha,  que insistiu na necessidade de a cliente aquirir outros produtos e serviços para ter o crédito aprovado. Ainda assim, a cliente se recusou a aceitá-los e fez uma reclamação junto ao Banco Central. Diante disso, seu financiamento foi negado.

Penas 

Caso sejam condenados, os três funcionários da Caixa poderão perder os cargos públicos. Além disso, Marcelo Motta e Cristina Rocha poderão receber pena de até 10 anos de detenção ou pagamento de multa, e Gilberto Occhi pode receber pena de até 5 anos de detenção ou pagamento de multa. 

Fonte: MPF

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