O que fazer com a sucata eletrônica?

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Lojas de consertos empilham lixo eletrônico
O preço dos eletrônicos tem diminuído consideravelmente nos últimos anos. Aparelhos com tecnologias mais avançadas chegam ao mercado e despertam o interesse do consumidor. Assim, os aparelhos quebrados ou antigos viram sucata que, em alguns casos, agride o meio ambiente.

Algumas lojas de eletrônica estão amontoadas de aparelhos que foram deixados pelos donos. “Muita gente prefere comprar outro aparelho, já que em alguns casos o conserto sai mais caro que o valor de um novo. Outras deixam aqui simplesmente porque acham que o aparelho está muito velho”, contou Jonas Conceição Silva, 54 anos, proprietário de uma loja de consertos eletrônicos.

Jonas diz que manda a sucata para um lixão que não conhece
Com tantos aparelhos sendo deixados de lado, surge um problema que tem despertado a curiosidade de algumas pessoas: para onde vai todo esse lixos eletrônico?

Segundo Jonas os aparelhos que não servem mais são jogados no lixo. “Eu mesmo mando para um lixão, que não sei onde é, só sei que tem um rapaz que vem buscar de caminhão uma vez por ano”, contou o proprietário da loja.

Os utensílios que vão para o lixo com mais freqüência na loja de Jonas são televisores. “Esses estão sendo trocados muito rápido. O povo tem comprado muitas televisões novas de LCD e Plasma. Mas em outras lojas, de alguns amigos meus, você pode encontrar muitos celulares velhos ou até computador”, pontuou o comerciante.

Rosângela diz que facilidade na hora da compra aumenta a procura por eletrônicos

Para Rosângela Melo, vendedora de uma loja de eletroeletrônico, não são apenas os preços que têm provocado uma procura maior por produtos mais novos. “As condições de pagamento também facilitam a nova compra. Temos grande saída de produtos que podem ser divididos em até 12 vezes sem juros”, explica.

A vendedora também informa que os produtos mais procurados são TVs, sons e computadores, em especial notebook.

Doação de computadores

Um projeto desenvolvido pelo Comitê da Democratização de Informática (CDI) recebe doações de computadores velhos e até mesmo quebrados. “Tanto pessoas físicas como jurídicas fazem doações. A cada dez computadores velhos, conseguimos transformá-los em três e encaminhá-los às escolas”, contou a Gestora de Projetos da CDI, Magna Oliveira.

Magna também conta que são principalmente as pessoas físicas que fazem mais doações. “Recentemente recebemos 40 computadores de uma empresa, mas normalmente são as pessoas que fazem mais doações”, pontua Magna.

A gestora também pede para que as máquinas antigas não sejam jogadas no lixo. “Existe reciclagem em alguns lugares do Brasil, não sei informar se aqui em Aracaju já tem. Mas independente disso, é importante que as pessoas não joguem fora, e sim, busquem alternativas como a doação, por exemplo” pontuou.

O telefone do CDI em Sergipe é o (79)32091684.

Lixo Eletrônico X Meio Ambiente

Como em outros lugares do Brasil, Sergipe ainda não conta com a coleta especializada desse tipo de sucata. “O acolhimento, coleta e transporte desse e de outros tipos de materiais, como as embalagens de produtos químicos, não acontecem aqui em Sergipe e também em outros lugares do país”, informa Matheus Mendonça, estudante e monitor do curso de Engenharia Ambiental da Universidade Tiradentes.

Estudante Matheus Mendonça diz que lixos eletrênicos contaminam lençóis freáticos
Matheus também explicou que o lixo eletrônico deve, por obrigação, ser recolhido pelos fabricantes dos mesmos para reaproveitá-los, já que muitos dos componentes destes produtos são tóxicos como
mercúrio, cádmio, berílio e chumbo. “Não há projetos de reciclagem desse tipo de material, pois os componentes são de alta toxicidade e algum acidente pode causar danos à saúde”, explicou o monitor.

Matheus  ressalta que, em contato com o solo, estes produtos contaminam o lençol freático, e se forem queimados, poluem o ar, podendo causar doenças graves em catadores que sobrevivem da venda de materiais coletados nos lixões.

O estudante também orienta que os consumidores  devem exigir junto aos representantes onde efetuaram a compra o recolhimento deste material. Outra alternativa é executar a proposta das maiorias das ONGs de doação ou venda das máquinas velhas.

“O descarte destes produtos ocorre de maneira indiscriminada e cada vez mais acelerada. Ao colocar este procedimento em prática exercemos cidadania e ajudamos o meio ambiente”, concluiu Matheus Mendonça.

Por Alcione Martins e Glauco Vinícius

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