Professores protestam contra previdência e falta de reajuste salarial

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Os professores saíram em marcha pelas ruas do centro da capital (Foto: Portal Infonet)

Professores e centrais sindicais se uniram em um ato na tarde desta quarta-feira, 24, para protestar contra a proposta de reforma à previdência e a falta de reajuste do piso da categoria. Segundo os docentes, caso a reforma seja aprovada, os professores terão que lecionar por mais tempo para requerer a aposentadoria. Além do mais, a categoria afirma que os governos municipal e estadual não vem atualizando o piso salarial do magistério há mais de três anos.

Iran é contra a proposta de reforma da previdência (Foto: Portal Infonet)

O professor e deputado estadual Iran Barbosa (PT-SE) acredita que numa observação mais detalhada, essa proposta de reforma atinge mais duramente, dentre todos os trabalhadores, as mulheres da educação. Para o deputado, essa reforma representa um iminente “atraso econômico e social”. “Essa reforma da previdência afeta de maneira direta a categoria. Além de atrasar o momento da aposentadoria, provoca um rebaixamento muito sério dos valores a serem recebidos pelo professor aposentado”, avalia Iran.

Além do mais, Iran explica que se porventura ocorrer uma aprovação do texto na íntegra, os estados e municípios vão sofrer. “O que acontece é que os recursos que chegam para o pagamento de aposentadorias e benefícios de prestação continuada são maiores do que o FPM [ Fundo de Participação dos Municípios] e isso impactará de forma direta e prejudicial a economia municipal, por exemplo”. detalha.

Roberto Silva, diretor da CUT, acredita na deficiência do ensino a partir das novas diretrizes que possam vir a ser implementadas pela reforma (Foto: Portal Infonet)

O diretor da Central Única dos Trabalhadores, Roberto Silva, projeta que as escolas, em um futuro não tão distante, estarão compostas por professores adoentados sem poder se aposentar. “Atualmente uma professora se aposenta com 50 anos de idade e 25 de contribuição. A proposta do governo é ampliar para 40 anos de contribuição e 60 de idade. A professora ou professor terá que trabalhar mais 15 anos para receber o benefício integral”, assinala.

Em relação a falta de reajuste do piso da categoria, Roberto diz que o governo tem uma dívida enorme com os professores porque não paga o piso desde 2015. “Essa marcha também tem o objetivo de cobrar das autoridades o pagamento da lei do piso. Estamos na luta a favor na valorização salarial”, pontua.

PMA

A Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA) informou que neste dia de manifestação esteve em constante diálogo com a categoria dos professores e que valoriza a importância do diálogo. “A pauta central do encontro foi o pleito da aplicação do reajuste de 4,17% ao piso salarial do magistério que, este ano, foi estabelecido pelo Ministério da Educação (MEC) em R$ 2.557,74. Este é o vencimento inicial mínimo que deve ser pago aos profissionais do magistério público da Educação Básica, com formação de nível médio, modalidade normal, jornada de 40 horas semanais”, afirma.

Ainda segundo a Prefeitura, a Secretaria Municipal da Educação (Semed) cumpre a lei e paga o piso correspondente aos professores da rede municipal. “Nenhum professor do município recebe abaixo do valor estipulado nacionalmente: R$ 2.557,73 por 40 horas. Ademais, desde 2017, a PMA tem pago progressões, avanços, terço de férias e outros direitos que estavam represados. A dificuldade enfrentada para aplicar o reajuste do piso nos últimos três anos, no nosso município, infelizmente, é a mesma registrada por diversas prefeituras em todo o Brasil”, finaliza.

por João Paulo Schneider  e Verlane Estácio

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