Rodoviários terão carga horária e remuneração reduzida

0
Setransp calcula que 152 mil pessoas deixaram de usara o sistema de transporte público (Foto: Ícaro Novaes/Arquivo Portal Infonet)

Os motoristas e cobradores do sistema do transporte urbano da região metropolitana entraram em acordo com a classe patronal para reduzir a carga horária e a consequente redução, de forma proporcional, da remuneração mensal. De acordo com informações do presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário (Sinttra), Miguel Belarmino, a carga horária fica no patamar de 4 horas diárias, com uma redução de 50% na remuneração da classe trabalhadora.

Medida acordada com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Aracaju (Setransp) como forma de evitar demissões em massa em função da crise provocada pela pandemia declarada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) decorrente da infecção pelo coronavírus, o COVID-19, que já matou milhares de pessoas no mundo. O Sinttra informa que as medidas alternativas para o enfrentamento dessa crise decorrente do coronavírus não está evitando demissões e muitos jovens aprendizes e trabalhadores que estavam em situação de experiência já foram dispensados das empresas.

Conforme o Setransp, com as medidas restritivas anunciadas pelo Governo do Estado e pela Prefeitura de Aracaju, 152 mil passageiros já deixaram de usar os transporte coletivos diariamente, o que representa uma queda de 78% no número de passageiros, que encontram no sistema público o meio de locomoção.

A queda no número de passageiros, conforme o Setransp, está provocando grande desequilíbrio financeiro e as empresas já estão encontrando dificuldades para cobrir custos. O Setransp garante que as empresas obedecem as medidas e está operando com 70% da frota em Aracaju, para atender a uma demanda avaliada em 22% do habitual.

Outras medidas para cortar custos continuam sendo negociadas. O Setransp não oferece detalhes, mas o presidente do Sinttra garante que estão em discussão cortes no auxílio alimentação e também no plano de saúde. Medidas que gerará grandes impactos para a vida do trabalhador e da família, que dependem desses benefícios assegurados em convenção coletiva. “Podemos até negociar o auxílio alimentação, para que seja pago proporcional aos dias trabalhados, mas não aceitamos cortar o plano de saúde. Será o caos para os trabalhadores e para suas famílias”, diz o sindicalista.

O presidente do Sinttra compreende os efeitos dessa pandemia sobre a economia, acredita nas dificuldades reveladas pelos empresários e sugere a interferência do poder público para subsidiar o transporte público. Na ótica de Belarmino, a Prefeitura de Aracaju poderia criar alternativa para subsidiar a gratuidade e a meia passagem assegurada aos estudantes pelo uso dos transportes coletivos.

Despesas

Conforme o Setransp, as despesas essenciais para manutenção do transporte coletivo, com pessoal e combustível, representam 68% dos custos assumidos pelos empresários para manter o sistema. “Toda essa situação ameaça a sustentabilidade do transporte, que é um serviço essencial, não somente neste momento de quarentena, mas com previsão para o pós-pandemia também”, prevê o Setransp, em nota enviada à redação.

O Setransp e os representantes dos trabalhadores continuam debatendo formas para reduzir os custos e manter os postos de trabalho. “As tratativas estão acontecendo conforme as possibilidades legais e as orientações dos Governos para se evitar demissões em massa, porém ainda não foram finalizadas com entendimento em todos aspectos”, ressalta o Setransp, na nota.

A Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) explica que o Município de Aracaju não tem condições de subsidiar o transporte público. Nesse momento, em decorrência da pandemia do coronavírus, os recursos estão sendo concentrados para as ações de enfrentamento à doença. A SMTT informa que possui representatividade no Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes de Mobilidade Urbana, que elaborou, junto com a Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), propostas que foram enviadas ao Governo Federal para garantir o funcionamento do sistema de transporte coletivo em todo país. Entre as propostas, segundo a SMTT, está o auxílio de um recurso mensal para a aquisição de créditos eletrônicos de passagem, enquanto perdurar a pandemia do coronavírus.

 

por Cassia Santana

A matéria foi alterada às 16h26 desta quarta-feira, 1°, para acréscimo da manifestação da SMTT

 

Comentários