Cotas: etnia não será fiscalizada

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Josué Modesto, reitor da UFS
Tornar a universidade mais inclusiva e mais receptiva a grupos tradicionalmente excluídos. De acordo com reitor da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Josué Modesto dos Passos Subrinho, essa é a principal proposta da adoção do sistema de cotas na instituição. A partir de 2010, 50% das vagas ofertadas no vestibular serão preenchidas por pessoas que estudaram por sete anos seguidos em escolas públicas. “As cotas irão revolucionar o interesse dos estudantes de escolas públicas na universidade”, defende

Declaração de etnia                           

Dentro deste percentual, 70% das vagas estarão reservadas para negros, pardos ou índios. De acordo com Josué Modesto, avaliação da etnia dos candidatos será autodeclaratória. Ele informa que não haverá nenhum tipo de banca examinadora para fiscalizar correspondência do que foi declarado pelo próprio candidato com a realidade.

Quando questionado sobre a possibilidade de haver pessoas brancas que tentem burlar o sistema se auto declarando de outra etnia, o reitor afirmou que, a princípio, não há nenhum tipo de sanção prevista para esses candidatos. “Mas lembre-se de isso só é possível se o aluno vier de escola púbica”, salienta. Ele acrescenta que “o inverso também é verdadeiro. O índio ou negro que vier de escola privada não terá acesso às cotas”. Ele reforça que a cota étnica não transcende à cota social.


Reitor fala das etnias

Qualidade

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O reitor da UFS avalia que não haverá prejuízo na qualidade da aprendizagem por conta da entrada de estudantes que não ingressariam pelo sistema geral. “Várias universidade que adotaram o sistema de cotas já formaram as primeiras turmas.  A constatação é de que esses alunos têm desempenho semelhante ou superior à média”. Para ele, o diferencial estaria no interesse e empenho dos estudantes cotistas.

De acordo com Josué Modesto, está prevista a criação de uma comissão que acompanhará os estudantes que entrarão pelas cotas. Essa comissão será composta por representantes do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (Neab), da Pró-reitoria de Graduação, do Departamento de Educação e dos centros acadêmicos da universidade.

Os encaminhamentos para a instauração do sistema de cotas na UFS já ocorrem desde 11 de outubro de 2007, na ocasião, foi criada uma comissão liderada pelo Neab para discutir o tema. Na última quarta-feira, 13, o modelo de cotas proposto por essa comissão foi aprovado no Conselho de Ensino, pesquisa e Extensão (Conep) da instituição.


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Por Zeca Oliveira e Gabriela Amorim

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