Entidades denunciam dificuldades de alunos no acesso ao ensino remoto

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Muitos alunos estão com dificuldades de acessarem  aulas a distância (Foto: Pixabay)

Com o isolamento social em decorrência da pandemia, houve a necessidade de se reinventar a forma de estudo. Há quase quatro meses, estudantes estão utilizando ferramentas digitais como auxílio na nova forma de aprendizado.

No entanto, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica do Estado de Sergipe (Sintese) e a União Sergipana dos Estudantes Secundaristas (Uses) demonstram preocupação com a nova ferramenta utilizada para o aprendizado escolar e denunciam que muitos estudantes não estão tendo acessos as aulas remotas já que alguns não possuem computador, internet ou celular nas residências.

De acordo com a professora e diretora de comunicação do Sintese, Leila Moraes, os próprios professores já relataram a baixa adesão dos alunos ao novo ensino.  “O que tem nos chegado são denúncias de professores que não estão tendo adesão as aulas remotas diante da falta de estudantes que não estão tendo acesso ao computador. Recebemos a denúncia de um professor que de 160 estudantes em um cursinho, apenas 7 estão companhando as aulas. Muitos desses estudantes moram em uma casa que não tem acesso ao computador, dados de internet, as vezes são dois, três filhos usando um celular e isso implica na garantia do direito ao aprendizado”, conta.

A falta de acesso as plataformas digitais também já é de conhecimento da União Sergipana dos Estudantes Secundaristas (Uses). Segundo a presidente da Uses, Lizandra Dawany a entidade já foi procurada por alguns estudantes.  “Antes de ontem fui procurada por um aluno do Colégio General Siqueira informando que um amigo não estava tendo acesso as aulas por não ter internet e perguntando se depois da pandemia ele iria ter acesso aos conteúdos. Pedi que ele me enviasse uma lista com o nome dos estudantes que estão com o problema para que possamos ir até a Seduc levar esta situação”, conta.

Ainda segundo Lizandra, tal realidade não se restringe apenas a capital. “No interior do estado a situação é pior. Um aluno de Itabaiana disse que está se juntando com alguns colegas para pegar o conteúdo e isso gera aglomeração”, relata.

Condições de retorno

Como alternativa, o Sintese destaca que o retorno as escolas e as aulas presenciais só poderá iniciar aos poucos, após as ocorrer condições sanitárias seguras de retorno, preservando assim a vida dos estudantes e dos profissionais da educação.

“A discussão é para que não aconteça a evasão escolar. O que tem que ser discutido é quais serão as condições sanitárias para garantir o retorno desses estudantes com segurança?, em quais condições as escolas estarão para receber os estudantes? Se pensar ainda no planejamento pedagógico para as aulas e organização do calendário escolar”, informa Leila.

Seduc

A assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura (Seduc) informou que as escolas estão garantindo material impresso aos alunos que não possuem acesso à internet e para os alunos que não tem acesso às aulas exibidas pela TV Aperipê. A Seduc está fazendo um diagnóstico das aulas remotas e tem ciência que no retorno das aulas presenciais fará avaliação da aprendizagem dos alunos. A Educação Estadual reforça que nenhum aluno ficará para trás. É preciso que ele entre em contato com a escola para garantir material. A Seduc acrescenta ainda que lançou um plantão de dúvidas para ajudar pais, escolas e alunos nesse período pandêmico.

por Aisla Vasconcelos

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