Reitor eleito da UFS apresenta projetos para nova gestão

Ângelo Antoniolli promete gestão aberta e democrática (Fotos: Portal Infonet)

A Universidade Federal de Sergipe (UFS) terá um novo reitor a partir do próximo mês. Ângelo Roberto Antoniolli, vice-reitor na atual gestão, disputou a cadeira em chapa única ao lado do professor André Maurício Conceição de Souza, conquistando mais de 4 mil votos. No dia 13 de novembro acontecerá a posse oficial em Brasília, e no dia 23 a posse solene em cerimônia na universidade. Em conversa com o Portal Infonet, Ângelo apresenta suas propostas e projetos para seu período no cargo, que irá até 2017.

Portal Infonet- Como você avalia a gestão anterior e o que será absorvido em sua gestão?
Ângelo Antoniolli- O projeto da minha gestão será uma continuidade da atual. Vamos prosseguir com o que já está sendo feito, trabalhando para a consolidação de uma nova universidade em que alunos, professores e comunidade tenham um sentimento de pertencimento, de sergipanidade. Em seis anos de [Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais] Reuni considero que a UFS cresceu no número de cursos, matrículas, mestrado e doutorado. Por isso, não tenho a intenção de fazer coisas novas, e sim de qualificar e discutir o que já existe.

Infonet- De que maneira essa discussão será feita dentro da universidade?
Antoniolli- Antes de implementar qualquer projeto, é necessário se perguntar a quem esta universidade serve. E para responder a esta pergunta, é preciso fazer um diagnóstico social e organizar um fórum social permanente. Para tanto, vamos criar um observatório da educação, onde todas as pessoas que compõem esta universidade – sejam professores, alunos ou servidores – serão trazidos para perto, para discutir as demandas coletivas.

Infonet- Entre as críticas ao Reuni, aponta-se que ele garante o ingresso do aluno na universidade, mas não sua permanência. Que políticas estudantis serão desenvolvidas em sua gestão para que esta permanência seja assegurada?
Antoniolli- Queremos levar um foco cidadão para este projeto, já que 60% dos alunos que entram em nossa universidade são jovens carentes e provenientes de escolas públicas. Nós não queremos dar apenas moradia e comida, e sim garantir que eles saiam bem formados.

É preciso destacar também o papel do Plano Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), que nos dá condições de atender ao aluno carente. E em relação a este repasse, queremos que o próprio aluno chegue até nós, para que ele mesmo sugira em que a verba deve ser empregada.

Antoniolli tomará posse solene em cerimônia programada para o dia 23 de novembro

Infonet- Ainda sobre o Reuni, muitas entidades, sobretudo o movimento estudantil, consideram que foi uma decisão tomada a portas fechadas na UFS. Como você vê esta crítica e de que maneira planeja conduzir o debate junto aos alunos?
Antoniolli- Os movimentos estudantis serão sempre bem vindos, queremos que eles fiquem ao nosso lado na hora de tomar as decisões. As portas da minha sala estarão sempre abertos ao diálogo. E sobre o Reuni, é preciso levar em conta que na época em que ele foi aprovado, o Governo Federal colocou em nosso colo a missão de avaliar. Não tinha como chamar ninguém para tomar essa decisão junto conosco. Podíamos não aceitar a implantação e ser a única universidade do Brasil a romper o acordo, ou fazer o que fizemos, que foi aceitar. Foi uma decisão de gabinete, de fato. Mas de cima para baixo. Acontece que algumas entidades, como os partidos de esquerda, polemizaram a questão e levaram para o lado da política. Por isso a questão da aprovação do Reuni gera controvérsias.

Infonet- Em 2013 será o primeiro ano em que o processo seletivo via Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será válido na UFS. Quais são as expectativas sobre esta novidade?
Antoniolli- Estamos torcendo para que o Enem seja vitorioso no preenchimento de nossas 5400 vagas. Nós estamos preparados para receber os novos alunos, já que nossa estrutura é compatível com a demanda.

Infonet- A UFS tem espaço para acolher também os estudantes de outros estados, que colocam Sergipe como opção de destino no preenchimento das vagas do Sistema de Seleção Unificada (Sisu)?
Antoniolli- Sim, não tenho dúvidas. A UFS está preparada para receber não só os sergipanos, mas também estudantes da Bahia, Alagoas e demais estados que nos escolherem. Nossa universidde é relativamente grande para as proporções do Estado. E a gente aposta nessa contaminação positiva, nessa diversidade.

Infonet- Na atual gestão, a UFS foi caracterizada como um “canteiro de obras”. Qual a previsão para a entrega das obras em andamento? As obras de acessibilidade, como os elevadores e o piso tátil, foram uma ordem do Governo Federal?
Antoniolli- As construções e reformas estão em vias de serem entregues. Algumas, como as passarelas, serão entregues até o final deste ano. Outras, como o Núcleo de Petróleo e Gás (Nupeg), o Departamento de Matemática, a biblioteca do campus Lagarto serão entregues em março de 2013. E a previsão para o Complexo de Comunicação é março ou abril. Sobre o Restaurante Universitário (Resun) do campus São Cristóvão, a previsão de entrega é janeiro de 2013.

O projeto da acessibilidade é uma demanda recente nas universidades do país, inclusive da UFS. Foi uma indicação do Governo Federal, que liberou os recursos para as obras.

Infonet- Temos recebido denúncias em relação a ausência de segurança na universidade, como falta de iluminação e casos de violência dentro do campus São Cristóvão. Como esta situação será tratada em sua gestão?

Segundo Antoniolli, obras da UFS serão entregues até início de 2013

Antoniolli-O problema não será resolvido apenas com novas obras e serviços. Colocar mais câmeras, alarmes ou aumentar o número de vigilantes não tem eficácia ampla. É necessário que todos entendam seu papel dentro do campus, e a situação da população que cerca a universidade.

Infonet- Sobre o crescimento da pós-graduação, o que está previsto para os próximos anos? Já existem perspectivas sobre o campus das Engenharias?

Antoniolli- A pós-graduação na UFS está caminhando a passos largos. Temos 700 doutores na UFS hoje, sendo que 80% são vindos de outros estados. Junto ao seus núcleos, eles estão organizando programas de mestrado, para serem reconhecidos e aprovados. É o exemplo do centro de inovação tecnológica, um dos mais recentes na UFS.

Quanto ao projeto de um campus específico para abrigar as engenharias, o processo ainda está em tramitação. A proposta está em análise pelo Ministério da Educação (MEC) e ainda não tem perspectiva de instalação ou mesmo local determinado.

Infonet- Existem rumores de que a greve dos professores e servidores, que ao todo durou 120 dias, retorne no próximo semestre. A universidade está preparada para receber a continuidade desta paralisação?
Antoniolli- Estes boatos não causam receio à reitoria, por que ainda são só boatos. Cada coisa deve ser tratada no momento em que se apresenta, por isso não há necessidade de preparação. Meu gabinete estará sempre aberto para que os docentes e servidores apresentem suas pautas. Mas é preciso equilíbrio na hora de avaliar as condições para atender as demandas.

Infonet- De que forma sua gestão espera contribuir para a Universidade Federal de Sergipe nos próximos anos?
Antoniolli-Acredito que uma gestão democrática e aberta é a chave para o desenvolvimento da univerdade. Em minha gestão, espero que a UFS seja responsável por uma formação não só acadêmica, mas crítica.

Por Nayara Arêdes e Raquel Almeida

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