A Zebra que deu certo

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Escolina zebra reunindo garotos
É driblando as dificuldades e jogando os problemas para escanteio que a Escolinha de Futebol Zebra faz um golaço de cidadania. Há quase 30 anos, o presidente Paulo Silva abandonou suas atividades como radialista para se dedicar integralmente ao trabalho esportivo com crianças e adolescentes, mirando principalmente na formação social destes meninos. “Aqui na Zebra primeiro vem o homem, depois vem o atleta”, afirmou.

Os treinos acontecem duas vezes por semana, sendo um mais direcionado ao treinamento físico na praia de Atalaia e outro voltado ao treino em gramado, no campo do Parque da Cidade. Nessas ocasiões, os aspirantes a craque colocam em campo todo o talento que possuem nos pés, ou nas mãos como no caso do jovem goleiro Jario, de 15 

Jario vem de Areia Branca para participar das aulas
anos. “Ah, nunca fui bom na linha, sempre acabava no gol desde pequeno”, disse.

Jario, que mora em Areia Branca, é um dos alunos de Paulo que saem de suas casas no interior toda quarta e sexta-feira, para batalhar um lugar no tão sonhado clube de jogadores profissionais. Na Zebra há garotos de Muribeca, Divina Pastora, entre outros municípios, que recebem um auxílio transporte de uma grande empresa de transporte, único apoio que a entidade possui. “O atual governo cortou toda a ajuda pública que tínhamos”, revelou Paulo.

Talentos

Da Zebra, saem em média três jogadores por ano para grandes clubes. Freqüentemente, olheiros 

Arthur sonha em jogar no exterior
de clubes famosos vêm à capital sergipana assistir aos treinos e se impressionam com a característica comum entre as dezenas de garotos: disciplina.

A mais recente cria da escolinha que está brilhando no Campeonato Brasileiro é o jogador Williams, do Vitória, um dos ídolos do pequeno Arthur Israel, de 11 anos, morador do Japãozinho, que sonha em um dia trilhar o mesmo caminho do craque do rubro-negro baiano, mas em time diferente. “Quero defender o Vasco, meu time, e depois ir para o exterior”.

Bom de bola, bom de nota

Para ser um dos ‘zebrinhas’ não basta apenas a vontade de jogar, o desempenho escolar e

relacionamento familiar são fatores relevantes para o professor Paulo, como é chamado pelos jovens. “Eles não são iludidos aqui, eles têm plena consciência que nem todos podem alavancar uma carreira no esporte, e é o estudo que vai fazer com que eles tenham um futuro profissional. E mesmo que virem grandes jogadores precisam de aprendizado, serem homens inteligentes”, argumentou.

Orgulhoso, o presidente da escolinha relata alguns casos de meninos que beiravam a marginalidade e que foram disciplinados através do futebol. “São inúmeras mães que vêm agradecer, falar que o filho está melhor na escola, melhor em casa. Isso sim, é a melhor vitória”, concluiu Paulo, técnico, amigo, puxador de orelha e considerado um segundo pai pelos pequenos craques sergipanos.

Por Glauco Vinícius e Gabriela Amorim

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