Treinador sergipano fala sobre carreira na Rússia

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Kaká atendeu equipe do Portal Infonet na beira da praia (Fotos: Ícaro Novaes/Portal Infonet)

O treinador sergipano Paulo Ricardo Figueiroa Silva, conhecido como Kaká desde a época de jogador, é atualmente treinador do clube de futsal Gazprom na Rússia e está em Aracaju passando as férias ao lado da família após o fim da temporada atual da Liga Nacional Russa de Futsal, qual se sagrou campeão pelo clube que comanda. Como jogador, iniciou a carreira no Coritiba de Itabaiana, mas logo se destacou e foi jogar em clubes do Rio Grande do Sul. A oportunidade ímpar na carreira veio com o convite para jogar na Europa, no Las Palmas da Espanha e três anos depois o convite para a Rússia, onde jogou, se aposentou e tornou-se treinador.

Kaká reside hoje em Moscou na Rússia com sua segunda esposa, Svetlana, e o enteado Maksim. Tem dois filhos que residem no Rio Grande do Sul, Antônio Henrique e João Victor, que moram com a ex-mulher Sandra Ribeiro.

A trajetória na Rússia

A primeira experiência de Kaká foi como jogador no Spartak Shelkovo, onde atuou por seis temporadas. O segundo clube por qual atou na Rússia, foi o CSKA Moscou em 2009, e no ano seguinte se transferiu para o Dinamo Moscou, onde passou a atuar como jogador e segundo treinador. Apesar de toda essa experiência, Kaká acredita que seu início de carreira como treinador realmente começou com o convite do Azerbajão.

Parte da família reunida na praia da Aruana

“Minha passagem de jogador para treinador foi gradativa, porque sempre gostei de ajudar o treinador, organizar equipe, e depois passei a ser jogador e segundo treinador do Dinamo. Quando fui pro Azerbajão, adquiri muita experiência para o início da profissão e veio o choque com o convite do Gazprom, que para mim sempre foi uma das melhores equipes para se treinar na Rússia, mas tudo isso foi um reconhecimento do meu esforço e trabalho”, afirma o sergipano.

Adaptação

Encarar uma natureza e cultura diferente não foi empecilho que fizesse Kaká desistir de ir jogar na Rússia. Ciente das dificuldades, ele afirma que já sabia que precisaria superar barreiras para se adaptar ao país. “A língua é a primeira barreira a ser vencida, mas logo me acostumei. O frio era outro problema que eu imaginava encontrar, mas lá é tudo adaptado para o frio, se passa frio só na rua, porque os demais ambientes têm o ar aquecido. A Rússia já é minha segunda casa”, conta o treinador.

Perfil de Treinador

Ainda em início de carreira, o treinador sergipano já se caracteriza como exigente e detalhista e ainda acredita que a disciplina é essencial para os resultados. “Eu acredito muito em trabalho, estar preparado para a oportunidade que vai chegar. Por mais que eu seja um treinador amigo por ter sido jogador, sou muito exigente e detalhista. Futsal tem diversas situações diferentes, e eu quero minha equipe preparada para a grande maioria desses desafios. Privilegio que a equipe execute o que é programado, treinado, mas que também em situações adversas, saiba lidar com o improviso e a qualidade individual também possa decidir” complementa.

Atual esposa russa de Kaká, enteado e os seus dois filhos

Conquistas

Há três temporadas no comando do Gazprom, Kaká chegou à final da Liga Nacional por duas vezes e acabou derrotado em ambas. O tão sonhado título só foi alcançado nesta última temporada, justamente contra seu ex-clube, Dinamo Moscou. “Tenho um grupo de jogadores de qualidade, que não se abateram com as derrotas nas finais por duas vezes, e o trabalho foi compensado com este título” comemora o treinador.

Kaká e sua equipe se preparam agora para o principal desafio de suas carreiras, a Taça UEFA, que reúne todos campeões das Ligas Nacionais da Europa e promove a disputa para definir o melhor clube de futsal do continente na temporada.
Férias e Família.

De férias até o dia 16 de julho, o treinador Kaká pretende ficar em Aracaju até o dia 1º. De acordo com ele, as férias é sempre um momento esperado, já que na Rússia ela não tem tempo para desfrutar das atividades de lazer que gostaria.

“Eu sinto o cheiro de Aracaju quando saio na porta do avião, isso é a primeira coisa que me fascina. E juntar minha família, filhos, irmãos, mãe, pessoas que me apoiam, tudo isso numa praia, jogar futvôlei, pelada, viver os momentos simples da vida que infelizmente lá não tenho condições de viver, são momentos sempre esperados”, conta Kaká.

Futsal Sergipano

Atento as equipes de futsal de vários países, Kaká afirma que acompanha os campeonatos sergipanos, mas lamenta a falta de uma liga que dure ao menos 10 meses. “O futsal de Sergipe é de momento, não vive um ano inteiro intenso como é em outros locais. Deveria haver uma estabilidade de se jogar um ano inteiro, é uma pena”.

Ícone sergipano para atores do futsal, Kaká acredita que foi privilegiado com as oportunidades, mas também lutou por todo sucesso que vive. “Quando você sai do futsal daqui pra fora, é fruto de muito esforço individual, porque você não tem o apoio devido na base, estrutura, investimento desde a fase criança. Agradeço sempre a Deus, pois sei que tive uma oportunidade privilegiada e sempre busquei por isso, e por ter recebido esse tipo de oportunidade, tento aproveitar ao máximo” afirma.

Por fim, o treinador reflete que se o futsal fosse levado mais a sério pelos gestores e fossem mais criativos na administração e investimentos, Sergipe não perderiam tantos talentos na falta de infraestrutura do esporte.

“Espero que as pessoas passem a trabalhar com o futsal com mais seriedade e façam um futsal estável, utilizando os poucos recursos aliados a inteligência para bons investimentos. É o esporte que é tudo em minha vida, e eu gostaria que o futsal pudesse trazer estabilidade também para outras famílias. É muito praticado, mas na maioria das vezes há uma má gestão por trás” finaliza.

Cacá em coletiva ao falar de seu trabalho como técnico – entrevista em russo pelo Futsal Club Dynamo

Por Ícaro Novaes e Raquel Almeida

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