Candidatos defendem propostas e se revezam em críticas

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Quatro candidatos participam do debate (Fotos: Cássia Santana/Portal Infonet)

Ocorreu em misto clima, entre a hostilidade e a tranquilidade, o debate entre os candidatos que disputam o Governo de Sergipe realizado na noite desta terça-feira, 30, pela TV Sergipe, afiliada da Rede Globo de Televisão. Mantendo a tradição, a Globo enviou o jornalista Ernesto Paglia especialmente para mediar o debate. Quatro candidatos participaram do debate, que foi encerrado por volta dos 10 minutos da madrugada desta quarta-feira, primeiro de outubro. A exceção foi Alberto dos Santos, o Betinho, candidato do PTN. Por determinação judicial, Betinho foi excluído por ser filiado a um partido político que não tem representação na Câmara dos Deputados.

O candidato Airton Costa Santos, o Airton da CGTB, indicado pelo PPL, saiu vitorioso na batalha judicial. Apesar do partido não ter representação na Câmara dos Deputados, a defesa alegou que o PPL foi criado recentemente e que não tinha participado do pleito eleitoral de 2010, tese acatada pela justiça eleitoral sergipana. A TV Sergipe, apesar de preparar o cenário para a participação dos cinco candidatos, recorreu, mas não alcançou tempo para o recurso ser julgado e a participação de Airton acabou garantida.

Moradores se concentram na praça para assitir debate em telão

A Rede Globo, estrategicamente, estendeu em sete minutos o horário da novela Império, programa que antecedeu ao debate, segundo informações do jornalista Fábio Carneiro, diretor de produção da TV Sergipe. O debate foi dividido em três blocos nos quais os candidatos faziam perguntas entre si, abordando diferentes temáticas. No primeiro momento, os temas foram livres, de acordo com a preferência dos candidatos e, no outro momento, os temas foram definidos previamente pela produção e sorteados no momento do debate. Na telinha, os candidatos apresentaram os projetos políticos das respectivas agremiações, mas aguçaram o senso crítico, com acusações recíprocas.

Foram abordados temas relacionados à educação, saúde, gestão pública, meio ambiente, transporte público, turismo, habitação, sustentabilidade e mobilidade urbana. O governador Jackson Barreto (PMDB), da coligação "Agora é o Povo", que abriu o rol de perguntas, defendeu o ensino profissionalizante como meta prioritária, criação de escolas deste porte no interior com oferta de cursos voltados para a vocação de cada região e aproveitou o momento para destacar as obras executadas com a parceira do ex-governador Marcelo Déda, que morreu no final do ano passado, e aquelas que estão em andamento em vários municípios sergipanos.

Policiais se mobilizam para garantir tranquilidade

Esta estratégia foi usada pelo candidato até mesmo quando o momento estava reservado para o governador fazer perguntas. Ao final, Jackson Barreto considerou o debate produtivo, como uma grande oportunidade para a população conhecer as melhores propostas para Sergipe e ressaltou, em entrevista concedida à imprensa, que a campanha se caracterizou uma "luta do bem contra o mal". Mas o senador Eduardo Amorim (PSC), da coligação "Agora Sim", considerou o governador mentiroso e Jackson Barreto rebateu ao afirmar que o senador não conhecia Sergipe.

O senador Eduardo Amorim aproveitou a oportunidade para fazer contundentes críticas ao atual governo, defendeu o planejamento baseado no princípio da transparência, diálogo e honestidade e prometeu realizar a integração do sistema intermunicipal de transporte. "Nossa geografia permite a integração do sistema de transporte em todo o Estado", considerou o candidato.

Mas a professora Sônia Meire rebateu, observando que o senador não conseguiria implantar a integração do sistema de transporte público no Estado devido às alianças do candidato com empresários que exploram o sistema de transporte público em Sergipe. "Eu não tenho compromisso com nenhum empresário", reagiu Amorim, descartando, também, a possibilidade de qualquer política privativista no seu governo, caso eleito.

Para a candidata Sônia Meire (PSol), o debate serviu para mostrar a população que, apesar do grande número de candidatos ao Governo, há a predominância de apenas dois projetos políticos: "um [proposto pelos oponentes] que defende as elites e os interesses da inciativa privada e o outro [da Frente de Esquerda, segundo a candidata] que defende o avanço com os conselhos populares e participação da classe trabalhadora". Sônia Meire defendeu o fim da terceirização na área da saúde e prometeu realizar concurso público para garantir a melhor prestação de serviços à população. 

Airton da CGTB defendeu prioridade para o processo de industrialização, com investimentos pesados para a qualificação profissional voltada para a área petrolífera, na perspectiva de ser este o setor mais promissor na geração de empregos, na ótica do candidato. Criticado pela professora Sônia Meire, que entende que a industrialização, em detrimento ao setor agrícola, poderá trazer consequências danosas até para o meio ambiente, Airton da CGTB preferiu não comentar a postura da adversária. "Não tenho palavras, o povo é quem vai julgar se a agricultura gera mais emprego ou a indústria. É uma posição hilária dizer que a indústria é prejudicial, mostra que nada entende de indústria nem de emprego", considerou, ao conversar com os jornalistas após o debate.

Festa 

Do lado de fora da emissora, o clima de festa entre cabos eleitorais de diferentes coligações predominou. Um grupo de moradores do bairro assistiu ao debate por um telão instalado na praça, próximo à sede da emissora, enquanto os cabos eleitorais promoviam um espetáculo à parte, agitando bandeiras e soltando fogos de artífico. Apesar do clima tenso em decorrência dos ânimos das torcidas organizadas, a polícia não registrou incidentes graves, segundo informações do tenente-coronel Vivaldy Cabral, comandante do Oitavo Batalhão da Polícia Militar.

Participaram do reforço policial, equipes do CPTran, Pelotão de Choque, Cavalaria, da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) de Aracaju e do próprio BPM, envolvendo algo em torno de 80 militares. Os principais acessos à emissora foram interditados e grupos de policiais se dividiram nos locais onde apresentou maior índice de aglomeração.

Por Cássia Santana

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