Prefeito de Lagarto ‘limpou’ gabinete ao saber de mandados judiciais

0
MP/SE confirma que houve vazamento de informações da Operação Leak (Foto: Infonet)

Os promotores de justiça do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Sergipe (MP/SE) confirmaram durante coletiva na manhã desta sexta-feira, 22, que as informações sobre a Operação Leak, deflagrada na madrugada de hoje, vazaram. Os promotores já encaminharam ofício a Corregedoria do Tribunal de Justiça de Sergipe para que uma investigação seja iniciada e aponte o autor do vazamento.

De acordo com Bruno Melo, promotor de justiça, o MP/SE já tinha informações sobre o vazamento, mas só hoje tiveram ciência que os envolvidos tiveram acesso a todo o processo e deixaram suas residências para não serem presos. “Ao chegarmos à Prefeitura de Lagarto tivemos a informação que há dois dias o gabinete do prefeito tinha sido limpo, ou seja, que os documentos foram retirados do local, e os próprios servidores disseram que achava que a operação seria segunda-feira. Quando a equipe da operação chegou a fazendo do prefeito Valmir, o caseiro nos informou que ontem recebeu uma ligação do Valmir avisando que ele receberia a visita da polícia hoje pela manhã e que poderia deixar entrar. O genro do prefeito, Igor Ribeiro Costa Aragão, saiu de casa em Aracaju com sua família ontem à noite, assim como os outros dois que tinham mandados de prisão”, explica.

O promotor informou que encaminhou pessoalmente um ofício a Corregedoria do Tribunal de Justiça (TJ/SE) solicitando que uma investigação seja iniciada sobre o vazamento de informações. “Nós já começamos a apuração, vamos instaurar um procedimento formal, já oficiamos a Corregedoria para verificar todas as pessoas que acessaram o processo. Acreditamos que houve vazamento da peça com todos os detalhes, esse vazamento se deu ontem no final da tarde porque todos os investigados saíram no mesmo horário de casa, receberam ligações e levaram provas e documentos. Ainda não sabemos de onde partiu as informações, mas já temos alguns indícios”, afirma Dr. Bruno.

Operação

Durante a coletiva à imprensa, o MP/SE explicou como se deu a Operação Leak. A investigação começou a partir de irregularidades no Matadouro Municipal, e outros municípios podem estar na mesma situação.

“Existe o esquema do matadouro onde há violação aos crimes da lei de licitação. O local funciona sem licenças ambientais, que também é crime, há sonegação fiscal, ou seja, o que era para ir apara os cofres dos municípios do Matadouro Municipal ia para os bolsos dos gestores, no caso o prefeito. Isso foi dito pelo próprio gerente do Matadouro. Então, se você recebe dinheiro de origem ilícita você passa a ocultar patrimônio, por isso passamos a fazer essa segunda parte da investigação. A lavagem de dinheiro foi à aquisição de patrimônios por pessoas que não tinham renda suficiente, que são o Igor e os sócios da empresa  ML Comércio Atacadista de Fumo LTDA, Joel do Nascimento Cruz e Gildo Pinto dos Santos”, aponta o promotor.

As investigações, segundo o MP, devem ser encerradas logo depois do carnaval. De acordo com Dr. Bruno, tudo vai depender das oitivas e da análise de documentos, que com o vazamento de informações, não são muitos.

Prefeitura de Lagarto

A Prefeitura de Lagarto divulgou nota sobre a operação. “A Prefeitura de Lagarto, através da Secretaria de Comunicação, informa que nas primeiras horas da manhã nesta sexta, 22, ocorreu uma operação investigativa nas dependências na sede administrativa da cidade. Todos os funcionários que se encontravam ou que chegaram para cumprir seu expediente de trabalho atuaram de forma a garantir total acesso aos agentes para a operação em questão. Ao final da ação, foi comunicado pelos agentes que apenas a documentação do contrato da Prefeitura com uma empresa denominada CAOL fora apreendida. Sem mais para o presente momento, voltaremos a prestar esclarecimentos com total transparência e respeito a partir do desenrolar dos fatos”.

Por Karla Pinheiro

Comentários