Comitê Científico prevê ‘efeito bumerangue’ da Covid-19 em Aracaju

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O Comitê argumenta ainda que a ocupação de leitos de UTI na cidade de Aracaju, quando se computam leitos públicos e privados de forma unificada, já cruzou o patamar crítico 80% (Foto: reprodução/ Comitê Científico do Consórcio Nordeste)

O Comitê Científico de Combate à Covid-19 formado por todos os estados da região Nordeste prevê um ‘efeito bumerangue’ dos casos da doença em Aracaju e nas demais capitais nordestinas. O 9º boletim do Comitê Científico salienta que o processo de interiorização da doença pode resultar num maior fluxo de pacientes em estado grave para a capital e, com isso, as redes de saúde pública e privada ficariam rapidamente ainda mais sobrecarregadas.

“Em 27 de junho Aracaju apresentava o maior valor de casos confirmados por cem mil habitantes (2.072) de todas as capitais do Nordeste. Nos últimos 14 dias, a cidade teve um crescimento de 5.422 casos novos, um crescimento de 66% em relação aos dados do mês de abril”, aponta o estudo. Ainda segundo o Comitê Científico, o momento pede bastante cuidado no tocante às medidas de afrouxamento da economia.

O Comitê argumenta ainda que a ocupação de leitos de UTI na cidade de Aracaju, quando se computam leitos públicos e privados de forma unificada, já cruzou o patamar crítico 80%. Dessa maneira, uma maior flexibilização das medidas de isolamento social podem contribuir para um colapso das redes de saúde pública e privada, já que os casos da doença no interior vêm numa crescente preocupante.

“Como Aracaju muito provavelmente vai começar a receber um grande número de pacientes graves do interior sergipano, onde as taxas de reprodução da infecção ainda são altas, e as curvas de crescimento de casos começam a disparar, é preciso novamente, como em abril, apelar ao governo do estado para que este reverta qualquer plano de afrouxamento, quer em Aracaju, quer no interior do estado”, orienta o estudo do Comitê.

A análise do Comitê diz ainda que caso não haja um enfrentamento da doença a partir de medidas mais rígidas, como o ‘lockdown’, Aracaju poderá enfrentar um grande agravamento da doença. “O preço de tal ação, como demonstrado em outros países e mesmo no Brasil, será um agravamento inevitável da crise da pandemia em Sergipe e a potencial perda completa do seu controle no estado”, aponta um fragmento do estudo. “O Comitê recomenda que Aracaju entre em ‘lockdown’ o mais rapidamente possível”, alerta.

Além do ‘lockdown’ na capital, o Comitê Científico do Nordeste orienta que o estado de Sergipe tome as seguintes medidas:

1) Todas as rodovias que levam ao interior do estado devem receber barreiras sanitárias e que o fluxo de
carros particulares e ônibus intermunicipais seja alvo de rodízios ou outros mecanismos de controle
intermitente para evitar ainda mais a interiorização da pandemia no estado.

2) Um plano de testagem que inclua a realização periódica de inquéritos soroepidemiológicos também deveria ser priorizado pelo estado.

Em nota, o Governo afirmou que toda sugestão é bem-vinda e que vai avaliar o conteúdo do material disponibilizado pelo Comitê Científico. “Todas as decisões tomadas são baseadas em critérios técnicos e científicos e que novas medidas devem ser anunciadas nos próximos dias”, salienta a Superintendência de Comunicação do Governo de Sergipe.

PMA

Em comunicado, a PMA afirmou que as medidas de enfrentamento à Covid-19 na capital são discutidas nas reuniões do Comitê de Operações Emergenciais da administração municipal. “Todas as decisões são informadas posteriormente às reuniões”, ressaltou a PMA.

por João Paulo Schneider  e Verlane Estácio com informações do Comitê Científico do Nordeste

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