Ginecologista indica reprodução assistida em gravidez após os 40 anos

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O ginecologista Marcos Salviano afirma a busca pela estabilidade profissional é um dos motivos que fazem as mulheres decidirem engravidar acima dos 40 anos (Foto: Arquivo Infonet)

Dados do Ministério da Saúde indicam que a quantidade de mulheres que engravidam após os 40 anos está cada vez mais alta, aumentando quase 50% num período de 20 anos. Levando em consideração que a faixa de fertilidade aos 40 anos de idade oscila de 8 a 10% de sucesso, o tratamento complementar é uma alternativa eficaz para quem deseja programar a gravidez evitando riscos, assim como explica o ginecologista Marcos Salviano.

Segundo o médico, a busca pelo alicerce financeiro é um fator determinante para a gravidez tardia e técnicas de reprodução podem colaborar com o desejo das mulheres que querem ser mãe mesmo tendo a idade avançada. “Hoje em dia a mulher é tão produtiva quanto os homens e é difícil idealizar apenas a maternidade, então elas procuram uma estrutura financeira e só depois pensam em gestar. Antes dizíamos que acima dos 35 anos era muito perigoso engravidar e hoje já dizemos que talvez até os 40 seja uma gravidez tranquila ou menos perigosa”, diz.

Congelamento de óvulos

O congelamento de óvulos é um dos procedimentos indicados para mulheres que desejam programar uma gravidez segura após os 40 anos. “Uma mulher que é profissional liberal, mas que vai fazer uma especialização, por exemplo, naquele momento a profissao dela é importante. Ou mulheres solteiras que naquele momento não possuem estrutura para uma família mas congela para caso ela conheça um companheiro e deseje ser mãe”,afirma o ginecologista.

Entre técnicas como estimulação da ovulação, programação dos óvulos e inseminação artificial é possível definir o período em que a gestação irá ocorrer, assim como explica o médico. “As técnicas de reprodução assistida permitem que muitas mulheres façam uma programação reprodutiva. A partir dos 35 anos, caso estejam solteiras, por exemplo, elas podem congelar os óvulos e esses óvulos podem ser descongelados e transferidos, conforme a legislação, até os 50 anos de idade. Então, não há um perigo de engravidar com 45/47 anos tendo um óvulo que foi congelado 10 anos antes”, diz.

O médico reforça que, de acordo com a medicina reprodutiva, as técnicas assistidas retiram o risco reprodutivo no sentido de má-formação, mas que a mulher precisa ter uma boa qualidade de vida para evitar outras complicações. “Toda mulher, independente da idade, precisa fazer uma avaliação preconceptiva e nessa avaliação a gente acaba descobrindo mais problemas em mulheres com mais de 37 anos, mas isso é muito individual. É importante sempre fazer uma programação com suplemento de acido fólico e avaliar a função ovariana dessa mulher antes de liberar para ter filho para que nenhuma intercorrência ocorra de forma paralela à gravidez”, orienta o Dr. Marcos.

É comum ainda ouvir que a gravidez após os 40 anos de idade traz riscos tanto para a mulher quanto para a criança mas, segundo o ginecologista, a medicina tem aplicado técnicas que conseguem amenizar esse cenário. “O risco de uma mulher aos 25 anos ter um bebê sindrômico é de 1 a cada 1500 mulheres, aos 40 anos passa a ser de 1 a cada 100, aos 42 é de 1 em cada 60 e aos 44 anos essa estatística já é de 1 em cada 30 mulheres. Se a mulher acima dos 40 anos escolhe fazer uma Fertilização In Vitru é possível fazer o estudo genético dos embriões antes de transplantá-los, melhorando a segurança”, explica.

O cuidado com a saúde é, na maioria dos casos, um fator determinante para o aumento das complicações durante a gravidez. “Uma mulher com 40 anos tem um risco de hipertensão e sabemos que a gravidez pode agravar isso. Patologias como diabetes, problemas de tireoide e endometriose, por exemplo, fazem com que não seja possível manter a gestação até 38/40 semanas e aumenta a incidência de partos antes das 37 semanas”, explica o médico.

Outro questionamento frequente é a relação entre a faixa etária e o tipo de parto. Mas, ainda segundo o médico, se a saúde ginecológica e a qualidade de vida estão estáveis, todas as mulheres podem escolher o tipo de parto que desejam ter. “Se a mulher tem uma qualidade de vida boa, com atividades físicas regulares e uma alimentação saudável ela pode tentar o parto vaginal mesmo após os 40 anos”, afirma ele.

De modo geral, toda gravidez requer uma atenção maior durante os primeiros três meses, período em que a grávida deve redobrar os cuidados devido ao risco de abortamento. “Se é uma paciente que além de ter mais de 40 anos tem alguma patologia uterina, como em casos de útero com miomas, isso pode aumentar o risco do parto prematuro, sendo preciso ter ainda mais cuidado no primeiro e no último trimestre da gravidez”. O médico ressalta ainda que caso não haja patologia, não existe necessidade de se preocupar com o período final da gestação pelo fato da grávida ter mais que 40 anos de idade.

por Juliana Melo e Raquel Almeida

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