Pacientes com doença autoimune sofrem com falta de hidroxicloroquina

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Aumento na busca por hidroxicloroquina prejudica pacientes com doença autoimune (Foto: Freepik)

O anúncio de que testes apontaram uma suposta eficácia da hidroxicloroquina no combate ao novo coronavírus provocou uma verdadeira corrida na busca por medicamentos à base deste substância. Eles agora estão em falta na maioria das farmácias e os pacientes com doença autoimune – que fazem uso desse tipo de remédio – estão desassistidos.

Médicos e pacientes estão fazendo campanhas por meio de redes sociais para que as pessoas não comprem o medicamento, pois além de não haver eficácia comprovada contra o covid-19, pessoas que fazem uso contínuo do medicamento estão desassistidas.

É o caso da estudante de medicina Francieli Silva, que tem Síndrome de Sjogren e Artrite Reumatoide e faz uso diário do medicamento. “Procurei em diversas farmácias de Aracaju na sexta e no sábado, mas não encontrei. Entrei em contato com fabricante, mas a informação que recebi é de que eles estavam trabalhando na fabricação do medicamento para repor os estoques das farmácias do país. Outro fato que me causou indignação é de que em uma das farmácias, o funcionário disse que o medicamento quando chegasse custaria quase R$ 400, quando normalmente ele vendido por R$ 150, seria vendido”, conta.

Danielli Valentin, que é recepcionista em uma clínica de oncologia, conta que diversos pacientes estão telefonando para a unidade em busca de informações sobre como conseguir os medicamentos. “Desde que surgiu o problema, nós temos recebido diversas ligações de pacientes falando que não estão encontrando o medicamento. O que nos preocupa é que são pessoas que fazem há muitos anos o uso contínuo desse medicamento. São casos de idosos que tiveram câncer, gestantes e outras pessoas com doenças crônicas sérias. Tentamos ajudar ligando para várias farmácias, mas quase todas não têm o medicamento”, revela.

Consequências

O médico reumatologista Denisson Silva alerta que os pacientes que estão sem a medicação estão com a saúde em risco. “A suspensão do medicamento traz o risco de as doenças autoimunes voltarem a entrar em atividade. Quando isso acontece, a pessoa sofre os sintomas consequentes da doença e também fica com a imunidade prejudicada, podendo desenvolver doenças oportunistas, como as doenças virais”, explica.

Conselho Regional de Farmácia

O Conselho Regional de Farmácia do Estado de Sergipe (CRF/SE) informou que tem acompanhado a situação e que tão logo constatou a problemática emitiu nota técnica. No documento, o CRF informou aos farmacêuticos sobre eficácia ainda não comprovada da hidroxicloroquina no combate ao Covid-19 e orientou para a não dispensação do medicamento para tal fim. ‘Orientamos também que os farmacêuticos aguardassem maiores evidências científicas sobre o medicamento para que, posteriormente, ele fosse comercializado para o tratamento do Covid-19”, explicou o presidente do CRF/SE, Marcos Rios.

Até então, conforme o presidente, a dispensação do medicamento não necessitava de uma receita especial. Foi somente no último dia 21, que a Anvisa estabeleceu novas regras.  “Atualmente, a venda só pode ser feita em receita especial de duas vias”, complementa.

Anvisa

Em nota divulgada em seu site oficial,  a Anvisa disse que a entrega ou venda do medicamento nas farmácias e drogarias só poderá ser feita para pessoas com a receita especial, para que uma via fique retida na farmácia e outra com o paciente.

No entanto, conforme  a Anvisa, até o dia 18 de abril, as pessoas poderão continuar comprando os medicamentos com receita comum para evitar que os tratamentos em curso sejam interrompidos. Em todos os casos, o farmacêutico está obrigado a registrar na receita a comprovação do atendimento. Com o novo enquadramento, as farmácias e drogarias são obrigadas a registrar todas as entradas e saídas do medicamento e o seu estoque, além de registrar os dados dos consumidores.

por Verlane Estácio

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