
O uso de testosterona sem orientação médica tem se tornado mais frequente entre homens com sobrepeso, cansaço recorrente e insatisfação com o corpo. Muitas vezes, o hormônio é utilizado de forma clandestina para acelerar o ganho de massa muscular, aumentar a força e melhorar o desempenho físico. Impulsionada por conteúdos simplificados nas redes sociais, a prática preocupa especialista, que alerta para os riscos à saúde e à fertilidade.
Antes de qualquer intervenção, é fundamental compreender como o excesso de peso afeta o organismo. O urologista e andrologista Breno Amaral explica que o ganho de gordura corporal está diretamente ligado à redução natural da testosterona, geralmente associada ao sedentarismo, alimentação inadequada, sono insuficiente e estresse:
“Esse conjunto de hábitos reduz a produção de testosterona e também aumenta a conversão do hormônio em estradiol, que possui características mais associadas ao organismo feminino. Esse processo está relacionado ao MOSH, sigla em inglês para hipogonadismo secundário associado à obesidade masculina, uma condição cada vez mais frequente nos consultórios e diretamente ligada ao estilo de vida”, afirma.
Impactos na fertilidade
As alterações hormonais provocadas pelo excesso de peso também comprometem a fertilidade masculina. A gordura corporal gera inflamação crônica, prejudicando a produção e a qualidade dos espermatozoides. “A qualidade do sêmen e os níveis hormonais atuais são inferiores aos observados nas décadas de 60 e 70. Esse cenário acompanha o avanço da obesidade em escala global”, explica Breno Amaral.
Ainda segundo o especialista, a reposição hormonal só deve ser indicada quando há sintomas clínicos associados à confirmação laboratorial de baixa testosterona, como queda da libido, redução das ereções, cansaço persistente, aumento de gordura corporal, perda de massa muscular e alterações de humor.
Além da infertilidade, o uso inadequado da testosterona também acende alerta para efeitos silenciosos, especialmente sobre o sistema cardiovascular. Esses danos podem se desenvolver de forma gradual e, quando se manifestam de maneira mais evidente, nem sempre são reversíveis.
Mudança de hábitos como base do tratamento
O especialista observa que muitos homens acima do peso acabam enxergando o uso de testosterona como uma solução rápida para sintomas como cansaço e baixa disposição. No entanto, na maioria dos casos, a abordagem mais eficaz passa pela mudança de hábitos.
“O pilar do cuidado deve ser o emagrecimento, com ajustes na alimentação, prática regular de atividade física e melhora do sono. Com isso, o corpo tende a retomar naturalmente a produção hormonal”, destaca.
Diante das promessas amplamente divulgadas nas redes sociais, Breno Amaral faz um alerta direto: “Não existem soluções fáceis quando o assunto é saúde. Mudanças consistentes no estilo de vida são mais eficazes e seguras do que o uso indiscriminado de hormônios. Procurar um profissional qualificado, com formação e experiência, é o caminho mais indicado para cuidar da saúde hormonal, do peso e da fertilidade masculina”, finaliza.
Sobre Breno Amaral
Graduado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), o Dr. Breno Amaral fez residência em Cirurgia Geral na Unicamp e especialização em Urologia no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Possui aperfeiçoamento na França, com foco em cirurgia robótica, endourologia avançada e terapia focal para câncer de próstata, além de pós-graduação em Cirurgia Robótica.
Atuou como preceptor da residência de Urologia no Hospital Albert Einstein, professor da Universidade Tiradentes (Unit) e coordenador do Centro Cirúrgico do Hospital Primavera, em Aracaju. Atualmente, coordena o Andros – Centro de Saúde do Homem, com atendimento urológico voltado ao diagnóstico, prevenção e estética genital masculina.
Fonte: Assessoria de Imprensa
