MP discute violência nos shoppings

Audiência aconteceu nesta manhã
Já faz algum tempo que uma movimentação diferente nas portas dos shoppings da capital sergipana pode ser percebida pelas pessoas que circulam no local, principalmente nos finais de semana. A movimentação intensa é causada por jovens de faixa etária entre 14 e 19 anos que se reúnem para conversar e fazer uso de bebidas alcoólicas.

Como algumas dessas reuniões resultaram em comportamento agressivo por parte desses jovens, a promotora de Justiça, Alessandra Pedral, se reuniu com os representantes dos shoppings Riomar e Jardins para discutir ações que diminuam os casos de violência. A Audiência aconteceu no Ministério Publico Estadual (MPE), nesta sexta-feira, 11, e contou com a participação do Controle Externo da Atividade Policial, da Delegacia Especial de Proteção à Criança e ao Adolescente de Aracaju (DEPCA) do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente (CMDCA), da Delegacia de Grupos Vulneráveis e do Conselho Tutelar do 3º Distrito.

Marco Antônio Passos defende abordagem mais efetiva entre jovens
De acordo com Marco Antônio Passos, representante da DEPCA, já foi feita a identificação de alguns jovens e a notificação das famílias desses adolescentes. “O próximo passo é intensificar e reforçar esse trabalho de identificação, conscientizando as famílias sobre as atitudes dos seus filhos”, afirma.

Algumas propostas foram sugeridas na audiência, como a instalação de detectores de metal nas portas dos shoppings e a existência, dentro dos estabelecimentos, de um núcleo do Conselho Tutelar para cuidar dos casos de violência envolvendo adolescentes.

Abordagem dos seguranças

Segundo o chefe de segurança do shopping Jardins, Vicente Ferreira, a abordagem dos seguranças dos shoppings costuma ser criticada pelas próprias pessoas que circulam no local. Vicente afirma que ao verem jovens consumindo álcool, eles orientam os adolescentes a parar. Se notarem alguma atitude estranha por parte desses jovens – como falar alto ou esbarrar nas pessoas -, os seguranças pedem para que eles se retirem do lugar, medida que é criticada por transeuntes.

“As pessoas costumam dizer que crianças não devem ser abordadas de forma mais rude, o que faz com que eles continuem agindo com irresponsabilidade”, afirma o chefe de segurança do Jardins. 

Vicente Ferreira: chefe de segurança do Jardins
“No Brasil, criou-se a mentalidade de que a polícia não pode entrar nas universidades ou agir de forma mais dura com os adolescentes”, completa Marco Antônio, defensor de ações mais eficazes contra desvios de comportamento público entre adolescentes.

Desvios de conduta

As ocorrências mais comuns envolvem brigas na praça de alimentação, gritaria decorrente de uso de bebida alcoólica e ameaças a pessoas que circulam no local. Vicente Ferreira afirmou que há algum tempo, adolescentes foram flagrados com pedras de crack dentro dos sapatos. “As câmeras flagraram-nos colocando as pedras no sapato e circulando pelo shopping. A polícia foi rapidamente acionada para apreender os adolescentes”, afirma.

Por Carla Santana

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