A CRIATIVIDADE É UMA COMPETÊNCIA ABSTRATA?

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Sempre que me perguntam alguma coisa sobre criatividade há sempre, por parte do meu interlocutor, uma afirmação mais ou menos dessa forma: “Como a criatividade é uma coisa subjetiva não consigo entender o seu significado.”

Na realidade as pessoas não entendem o significado da criatividade, principalmente, quando falamos em criatividade nos negócios, justamente porque o nosso modelo mental informa que a criatividade é importante apenas para as artes e, como tal, não pode ser um assunto sério.

Esse modelo mental perdura há muitos anos, e só depois que o Prof. Klaus Schwab, principal executivo do Fórum Econômico Mundial, declarou em 2006, a importância e a necessidade de se resgatar a criatividade como a única maneira de se conseguir resolver os graves problemas da humanidade foi que o mundo começou a enxergá-la como um diferencial de competência.

Na verdade existem muitos conceitos sobre criatividade, habilidade que vem sendo estudada e pesquisada pela Creative Education Foundation[i] – CEF, famosa instituição americana que há mais de 50 anos estuda e pesquisa sobre os temas criatividade, inovação e liderança criativa.

A primeira coisa que precisamos entender é que a criatividade é uma habilidade natural de todo o ser humano. Atualmente uma definição que mais me empolga sobre a criatividade foi dada por Dewit Jones, fotógrafo da revista National Geografic, diretor de vários filmes, dentre eles o The Nature of Leadership, indicado para o Oscar. Jones afirma: “A criatividade consiste em olhar para o ordinário e ver o extraordinário.”

A meu ver essa é uma definição soberba da criatividade porque mostra exatamente essa grande questão, a capacidade de olhar para o comum e ver os muitos aspectos incomuns que estão contidos naquele processo, produto ou serviço. Portanto, é uma definição simples que mostra justamente o poder do espírito criativo que envolve todos os grandes gênios da Humanidade.

Muito bem, como somos acostumados a trabalhar com a lógica, sempre perguntamos: “Existe um conceito mais palpável sobre a criatividade que nos ajude a entendê-la?” Sim, existe. Nos anos 60, Ruth Noeller, Professora de matemática foi convidada por Sidney Parnes para trabalhar com ele na CEF. A finalidade desse convite era que a instituição queria não apenas entender o conceito de criatividade, mas principalmente encontrar uma maneira de explicar o seu funcionamento. Depois de muitos anos de estudo e pesquisa foi definido pela profa. Noeller e membros da CEF o significado da criatividade como sendo: “uma função atitudinal – (fa) do conhecimento (Cn), imaginação (I) e avaliação (Av)”, ou seja: C = fa(Cn, I, Av).

A função atitudinal é um componente essencial para que a criatividade aconteça porque é justamente a capacidade de se expor, de persistir, de correr atrás, de fazer acontecer que é tão comum nos indivíduos verdadeiramente criativos. Todavia, os outros componentes essenciais também são importantes: conhecimento, imaginação e capacidade de avaliação.

Todavia, pela própria definição não adianta ter atitudes e não possuir os demais componentes (conhecimento, imaginação e avaliação), bem como também não adianta ter esses três componentes bem desenvolvidos e não possuir atitude para se expor.

Como vivemos numa sociedade na qual as pessoas julgam muito e têm muito medo de serem julgadas, na maioria das vezes, a função atitudinal impede que a criatividade possa aflorar. Daí a explicação porque tantos projetos focados em criatividade não conseguem se destacar.

Sem muito exagero, poderemos dizer que isso é o que acontece também com o processo da educação, que por estar ainda muito preso aos modelos mentais, tradições, regras e às normas tem muita dificuldade em olhar para o ordinário e conseguir enxergar o extraordinário. Porque, na realidade, trata-se de um mundo lógico, de fatos e dados e, por este motivo, fica muito difícil se procurar ver o que não está assim tão visível. Apenas esclarecendo, isto não é culpa de ninguém que não seja o fato de termos por anos a fio sido educados apenas para absorver os conhecimentos, para replicar modelos conhecidos e para buscar – sempre – as soluções nos exemplos e modelos conhecidos do passado.

Bem, a boa notícia é que nem tudo está perdido, existem maneiras de se resgatar e  desenvolver o pensamento criativo. É só querer e um pouco de esforço.

 

(*) Fernando Viana

www.fbcriativo.org.br

 

 



[i] www.creativeeducationfoundation.org

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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