Agonalto Pacheco: Um militante do Partido Comunista Brasileiro

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Kátia Patrícia Santos Seixas

E-mail: kpvaluar@hotmail.com

Graduada em História pela Universidade Federal de Sergipe

Pós graduada em “educação de jovens e adultos” pela UNB

Mestranda do Profhistoria pela UFS

Em conversas informais e em vários meios de comunicação, podemos presenciar discussões acerca da democracia e da ditadura. É fácil constatar a existência de uma bipolarização de pensamentos que geram constantes atritos entre as pessoas.  Muitos chegam a duvidar do fato de que teria ocorrido no Brasil uma ditadura. Diante dessas questões, faz-se necessário dar maior visibilidade àqueles que presenciaram e sofreram o autoritarismo praticado por agentes do governo militar entre os anos de 1964 e 1985.

Nesse sentido, apresentaremos um relato sobre a trajetória de Agonalto Pacheco da Silva, enfatizando sua participação política em Sergipe e as consequências de defender as doutrinas do Partido Comunista em um período no qual vigorava uma demonização acerca do comunismo.

Agonalto Pacheco da Silva nasceu em 28 de fevereiro de 1927, no município de Aquidabã, Estado de Sergipe, filho de José Francisco da Silva e Eudóxia Pacheco da Silva. Fez parte do movimento estudantil quando ainda estudava o equivalente ao ensino fundamental. Participou de movimentos que protestavam contra a guerra e o nazismo. Tais atividades despertaram sua simpatia pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), filiando-se ao mesmo em 1944.

A atitude, rebeldia e defesa dos interesses que estavam sendo colocados pelo Partido naquele período, muito influenciaram a opção política de Agonalto. Naquele momento, os comunistas passaram a ser vistos com simpatia por vários segmentos da sociedade brasileira, especialmente ao criticar ferozmente o nazismo. Assim, os comunistas começaram a aparecer como os antifascistas mais decididos e vistos como patriotas, prontos a qualquer sacrifício em nome dos interesses nacionais.

Ao ingressar no Partido Comunista Brasileiro, afasta-se do Movimento Estudantil e passa então a se dedicar ao Movimento Popular de Bairro, passando, através desse movimento, a ter os primeiros contatos com as organizações de massa.

Em 1947 o presidente Eurico Gaspar Dutra cortou relações com a União Soviética e pediu a extinção do Partido Comunista Brasileiro (PCB) que foi, pouco depois, declarado ilegal por decisão judicial.

Agonalto foi diretor do jornal sergipano “Folha Popular” em 1954 e entre os anos de 1958 a 1961, exerceu o mandato de vereador do município de Aracaju, pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), já que o PCB tinha se tornado ilegal.

A partir dos acontecimentos desencadeados com o golpe civil-militar de 1964, Agonalto Pacheco é, então, processado. Passa a viver na clandestinidade em Aracaju. No inquérito aberto pelo Departamento de Ordem Política e Social do 28º BC, em 15 de setembro 1964, havia uma gama de acusações que procuravam aponta-lo como o mais influente instigador de greves dos trabalhadores e de passeatas contra o governo. Apresentaram seu nome como autor de todos os editoriais do jornal do PCB, “Folha Popular”, caracterizando-o, assim, como elemento de personalidade exaltada e responsável por todas as atividades consideradas subversivas no Estado.

Diante da impossibilidade de continuar com suas funções em Sergipe, transferiu-se para São Paulo, onde passou a integrar o movimento revolucionário Aliança Libertadora Nacional (ALN), chefiado por Carlos Marighela, atuando junto aos movimentos sindicais. Em 08 de janeiro de 1969 foi preso e levado ao Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), onde permaneceu detido por oito meses, sendo submetido a vários tipos de tortura. Em 1969, membros da Aliança Libertadora Nacional e do Movimento Revolucionário 08 de Outubro (MR-8) sequestraram o embaixador norte americano, Charles Elbrick e exigiram do governo, para a libertação deste, a saída de 15 presos políticos da cadeia. Entre esses, Agonalto Pacheco, que foi levado para o México no dia 06 de setembro, passando um mês nesse país. Posteriormente, recebeu um convite do governo cubano e foi recebido por Fidel Castro no aeroporto. Passou a trabalhar no Ministério das Construções de Cuba, onde permaneceu por dez anos. Cursou filosofia em Havana e retornou ao Brasil em setembro de 1979, após a promulgação da Lei de Anistia, durante o governo de João Baptista Figueiredo.

Em 1985, Agonalto fez parte da equipe administrativa do prefeito José Carlos Teixeira, exercendo a função de secretário de governo. Nesse mesmo ano foi eleito Presidente da Associação dos Moradores do Conjunto D. Pedro I.

Sua luta alcançou reconhecimento nacional, além de estar imortalizado na foto que expõe os treze ex-militantes que foram permutados pelo Embaixador americano e que é considerada por alguns jornalistas, o retrato de formatura da oposição radical ao regime militar. Sua figura também foi imortalizada no Museu da Liberdade de São Paulo, apontando o mesmo como um dos defensores da liberdade brasileira.

 

Para saber mais:

SEIXAS, Kátia Patrícia Santos. Memórias de um Militante do PCB: Agonalto Pacheco. São Cristóvão, 2003.

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