AMBIÇÃO E FISIOLOGISMO

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A formação de um Governo, mesmo reeleito, não é fácil. Precisa de muita paciência para acomodar interesses e vencer excesso de ambição pelo poder. Muita conversa, alguma renuncia e zelo para manter a unidade, sem perder a paciência e nem fugir do projeto de governo. Como não dá para atender a todos os aliados, naturalmente criam-se insatisfações e arestas. Não é diferente em nenhum país democrático. Uma equipe administrativa se faz com a divisão de comando com legendas que participaram diretamente da campanha e ajudaram a eleger o governador ou presidente. Claro que tem a cota pessoal de cada um dos eleitos. Essa parte pode ser a mais influente nas decisões, mas geralmente é a menor em todas a estrutura de Secretarias ou Ministério.

O PMDB governista está entrando de dois pés para conquistar o troféu do partido que tem maior número de ministros no Governo Federal. Quer cinco ministérios. Na história da criação do partido, desde a época do MDB, nunca se viu tanta ganância pelo poder. A legenda sempre esteve na oposição e se movimentou contra a ditadura, formando uma frente de resistência ao regime da época. O governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto (PMDB) acha que o seu partido, dono da maior bancada na Câmara e Senado, tem a que mostrar interesse pelas reformas estruturais que o Brasil precisa: “espero que o PMDB tenha responsabilidade neste novo mandato de Lula”. Rigotto afirmou ainda que é contra o “fisiologismo e clientelismo”. Disse que tentou ajudar o presidente Lula no primeiro mandato: “não recebi cargos do governo federal, mas isso não significou que tinha que fazer oposição ao presidente Lula”. Rigotto não conseguiu reeleger-se.

Na realidade, o PMDB não pode disputar cargos no governo sem ter posição clara sobre as grandes questões que serão levadas ao Congresso Nacional no próximo ano.

O governador eleito do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, também do PMDB, não se conteve e criticou o apetite demonstrado por seu partido na ocupação de espaço no ministério do segundo mandato de Lula: “acho que o PMDB tem que discutir políticas públicas para os próximos quatro anos”, disse Cabral, que classificou como “inconveniente” a discussão por cargos no primeiro escalão: “cabe ao presidente da República montar a sua equipe sem a inconveniência da pressão dos partidos”. Segundo Sérgio Cabral, o PMDB nunca se caracterizou por “interesses fisiológicos”.

A bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara Federal está de olho na voracidade do PMDB por cargos. Reunida ontem, os petistas manifestaram a disposição de defender o espaço do partido na composição do governo Lula no segundo mandato. O pessoal leva em consideração que o PT saiu vitorioso das eleições, quando fez um maior número de parlamentares, elegeu mais governadores. Em razão disso deseja interferir no governo e para isso precisa ocupar espaço no Executivo. O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva mostra alguma preocupação com isso. Tanto que deu um exemplo que serve para mostrar a possibilidade do PT ter menor participação no seu segundo mandato: “O PT já tem o cargo mais importante do governo, que é o de presidente da República. Já é uma boa representação. O PT vai ter a participação no governo que tem o tamanho do partido”, disse o presidente.

Durante a reunião da bancada, que teve participação do deputado eleito por Sergipe, Iran Barbosa, o deputado Tarcisio Zimmerman (PT-RS), lembrou que o programa eleito foi o do PT e que o partido vai buscar o espaço devido a quem venceu a eleição: “queremos compor o governo buscando as condições de governabilidade e a hegemonia do programa de quem venceu a eleição”, afirmou. Evidente que muita conversa vai rolar, mas é bom lembrar que no primeiro governo a troca de cargos por apoio e barganhas para votação de projeto, abriram um grande fosso entre o governo federal e a ética na política. É preciso cuidado, porque a sociedade não suportar mais novos escândalos, a maioria deles originário dessa ânsia pelas benesses do poder.

 

 

TRABALHO

O deputado estadual Ulices Andrade (PSDB) admite que o pessoal que deixou e pretende deixar o ninho tucano “está conversando muito e trabalhando pouco”.

Reconheceu que “temos de trabalhar muito para começar a unir todos em uma única legenda e começar a atuar politicamente”.

 

CONVITE

O mais novo convite para que os ex-tucanos ingressassem em um partido é do PMDB, que abriu as portas para todo o grupo.

No entender do deputado Ulices Andrade, tudo depende da conversa que terá com Jorge Araújo, Bosco Costa, Maria Mendonça, José Teles e outros.

 

HARMONIA

O deputado Ulices Andrade também diz que o pessoal não está querendo filiar-se a um novo partido para assumir o seu comando.

Diz que o desejo é buscar a harmonia e a unidade, para que todos se fortaleçam através e uma legenda que faça a diferença.

 

MACHADO

O deputado José Carlos Machado (PFL) cobrou ontem do governador eleito, Marcelo Déda (PT), uma atitude contra a ação governo federal sobre a transposição do São Francisco.

Machado disse que era testemunha de que Marcelo Déda dissera de forma muito clara: “sou contra a transposição e defendo a revitalização”.

 

REVITALIZAÇÃO

“Parece-me que Lula não tem intenção nem compromisso com a revitalização”, disse José Carlos Machado, lembrando que há um PEC pronta para ser votada sobre isso.

A emenda constitucional é do senador Valadares (PSB), da base aliada, que garante 180 bilhões de reais por ano, durante 20 anos, para as obras de revitalização.

 

PRESIDENTE

A bancada federal do PT está preocupada com a questão da presidência do partido e acha que já está na hora de eleger o substituto de Ricardo Berzoini.

O nome do ex-presidente da Petrobrás, José Eduardo Dutra, é lembrado, mas até o momento não tem nada definido.

 

EMPECILHO

Um dos integrantes do grupo que deixou o PSDB teme atender o convite para filiar-se ao PMDB, em razão do senador José Almeida Lima.

Acha que Almeida se transforma em um empecilho para a legenda, que pretende engrossar o bloco de apoio a Marcelo Déda no estado.

 

PASSAPORTE

Ontem, de Brasília, o senador Almeida Lima (PMDB) disse que “quem quiser apoiar Marcelo Déda e Lula da Silva tem passaporte vermelho (diplomático) para entrar”.

Antecipou, entretanto, que “agora, o meu passaporte não darei para esse tipo de visto de entrada para apoio ao PT”.

 

VELHACARIA

Almeida Lima reafirmou que integrará o PMDB que faz oposição. Não deseja ficar próximo “a essa velhacaria que está aí”.

O senador por Sergipe concluiu que não conseguiriam ficar no PMDB “de Jader Barbalho e de Ney Suassuna”.

 

SUKITA

Manuel Messias “Sukita” (PSB) está esperando a publicação do acórdão que o afastou da Prefeitura de Capela, para entrar com recurso extraordinário no STF.

“Sukita” deve permanecer à frente da Prefeitura até o julgamento pelo Supremo. O seu advogado vai entrar com cautelar para que ele espera a decisão exercendo o mandato.

 

PROCESSO

O Ministério Pública representou Sukita junto ao TSE, alegando que ele não poderia disputar a segunda eleição para a Prefeitura de Capela.

O advogado de Sukita, Jorge Rabelo, diz na decisão anterior não houve declaração de ineligibilidade, mas cassação do registro e multa: “então ele podia candidatar-se”. 

 

ENTENDER

O governador eleito Marcelo Déda (PT) teve resposta rápida quando perguntado sobre a tentativa de conquistar deputados que tenham problemas regionais:

– Espero que os prefeitos que nos apóiam entendam que qualquer governador tem melhor condição de governar o estado com maioria na Assembléia.

 

CONVERSA

O deputado federal Jorge Alberto (PMDB) – não reeleito – em conversa com um membro de outro partido, disse que seu partido conversou com Marcelo Déda antes das eleições.

Segundo o parlamentar ficou muita clara as condições de apoio do PMDB à sua candidatura: “espero que ele não esqueça”.

 

ATENÇÃO

Plenário será publicado neste portal pela última vez amanhã. A partir de segunda-feira a coluna poderá ser lida no portal www.faxaju.com.br

A transferência aconteceu em comum acordo com a direção da Infonet, que durante cinco anos destacou a coluna neste portal.

 

 

Notas

 

SALÁRIO

Na economia sergipana, devem ingressar até o final do ano, a título de 13° salário, cerca de R$ 18,231 bilhões, aproximadamente 0,70% e 7,40% do total do Brasil e da região Nordeste, respectivamente. O contingente de pessoas no estado que receberá o 13º foi estimado em 516 mil.

Em Sergipe, os empregados formalizados ficam com 74,19% (R$ 276 milhões) e os beneficiários do INSS, com 24,46% (R$ 91 milhões), enquanto aos empregados domésticos cabem 1,34% ou R$ 5 milhões.

 

APOSENTADORIA

O Senado Federal aprovou, ontem, medida provisória que prorroga para 2008 o prazo para os trabalhadores rurais requerem aposentadoria por idade, no valor de um salário mínimo, mediante comprovação de atividade rural, sem a necessidade do recolhimento prévio de contribuições previdenciárias.

A Lei 8.213 permitiu aos trabalhadores rurais requererem a aposentadoria por idade, durante 15 anos, contados a partir de sua data de vigência (1991), mediante comprovação de exercício da atividade rural.

 

MÍNIMO

A Comissão Mista do Salário Mínimo aprovou recomendação aos poderes Executivo e Legislativo para que o mínimo seja reajustado para R$ 400 em 2007. Na proposta orçamentária do governo para o próximo ano, porém, a forma de cálculo prevista elevará o salário mínimo de R$ 300 para R$ 375.
O relator da comissão, senador Paulo Paim (PT-RS), afirmou que essa divergência não impede que a recomendação seja atendida e o salário mínimo seja de R$ 400, depois de proposta dos parlamentares.

 

 

É FOGO

 

O vice-líder do PFL na Câmara, deputado José Carlos Machado (PFL), registrou ontem a morte do professor Irineu Martins de Lima.

 

Sergipe ainda registra o maior valor médio dos salários na região Nordeste (R$ 723,49), superando os demais estados.

 

O governador eleito Marcelo Déda (PT) continua fazendo visitas aos poderes do estado. Ontem ele esteve no Tribunal de Justiça.

 

O ex-governador Seixas Dórea também recebeu o governador eleito em sua residência. Dórea deu depoimento em favor de Déda durante a campanha.

 

O deputado federal eleito Albano Franco (PSDB) está trabalhando para se reintegrar ao grupo empresarial do país.

 

Desde que deixou a CNI, em 1994, que Albano Franco se afastou do movimento empresarial. Agora tentar retomá-lo.

 

Valmir Monteiro fez um relato das obras executadas por João Alves, que garantiram a Sergipe o avanço na qualidade de vida.

 

Se depender do deputado Arnaldo Bispo (PFL) os servidores públicos estaduais que sofrerem de doenças crônicas não terão desconto da Previdência.

 

O deputado estadual Jorge Araújo continua cobrando que o Governo do Estado solucione o abastecimento de Poço Verde.

 

Levantamento realizado pelo Serasa, em todo o país, apontou queda de 34,4% no volume de falências decretadas em outubro de 2006.

 

brayner@infonet.com.br

 

 

 

 

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