Brasil, copa e autossabotagem

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Uma semana. É este o tempo que falta para o início da Copa do Mundo. Desta vez, nós, brasileiros, teremos a oportunidade de receber este grandioso evento, que tem o poder de voltar os holofotes dos quatro cantos do planeta para a nação que o sedia: a nossa!

Porém, junto com a felicidade de ser o ‘país sede’, vêm também os questionamentos sobre todo o investimento feito para transformar os jogos em realidade. Estádios ou hospitais? Aeroportos ou escolas? O que deve ser prioridade? A grande maioria destas indagações é bastante válida. Admito e concordo.

Contudo, junto com a pertinência das dúvidas, surgem também levantes igualmente questionáveis. E, como o assunto tem ganhado repercussão nas mídias sociais – justamente um dos canais sobre os quais a nossa coluna se debruça –, vou me permitir tecer algumas linhas sobre a tal campanha de boicote à copa. Parte deste texto, inclusive, vem de conversas que tive no Facebook, ao longo dos últimos dias. Por isso, para quem já as viu, serve de mero reforço. Vamos lá!

É triste ver incentivos ao boicote. Isto porque, se pararmos para pensar, na verdade, tudo não passa de uma sabotagem a nós mesmos. O mundial vai acontecer. É fato! E, finalmente, no nosso Brasil. Qual a vantagem, então, de escolhermos fazer feio, para o planeta inteiro ver, especialmente quando temos a oportunidade de mostrar o tanto de coisas bacanas que também temos aqui? Qual mensagem queremos passar, enquanto pátria e, principalmente, como brasileiros?

Óbvio que temos problemas! E dos grandes. Que muitos dos recursos que serão utilizados para custear a copa poderiam fazer uma diferença enorme no nosso dia-a-dia? Sem dúvidas. Entretanto, ainda assim, temos a rara oportunidade de receber um evento que entrará para a história. Queiramos ou não. Seja ele bom ou “um vexame”, como tantos insistem em prever. Portanto, se ele vai ocorrer de toda forma, o boicote nada mais faz que manchar a nossa própria imagem. Manchar a imagem de um Brasil que também tem VÁRIAS maravilhas e que, com um pouco mais de boa vontade, podemos deixar transparecer.

Vejo muitos comentários de que tudo “poderia” ser diferente. A grande questão é esta: “poderia”. Mas o que efetivamente “será”? Pois bem: a copa “será”. Agora, não tem mais como ser diferente. Qualquer coisa, em qualquer outra linha, é apenas chorar o leite derramado. Por isso é que, mesmo concordando que há tantos outros pontos que merecem prioridade de investimento, não é o que vai ocorrer na prática. Para que, então, piorar o cenário, tentando macular o que dá para se tirar de bom de tudo isso? E há tanta coisa bacana!

A triste realidade é que o brasileiro parece ter ficado míope e só fixar o olhar no que há de ruim. A meu ver, vivemos uma grande ironia – para dizer o mínimo –, pois ainda lembro de alguns colegas, certo tempo atrás, questionando se o Brasil teria competência para trazer a copa para cá. E ai se não tivéssemos conseguido! "Quanta incompetência seria!" E, agora que o fizemos, lançam este discurso pró-boicote. Ou seja: se a copa não tivesse vindo, teriam reclamado. Quando veio, também não é bom. Difícil entender.

Se efetivamente há esta preocupação tão grande com um provável vexame nosso nesta copa, deveríamos estar nos perguntando o que nós, BRASILEIROS, estamos tentando fazer para contornar a situação. Nós, cidadãos comuns, podemos fazer algo? Lógico! Estou louco para encontrar gringo na rua e tratá-lo SUPER bem! Dar o meu melhor! Se perguntarem o que acho do meu país, digo que é MARAVILHOSO, como nenhum outro. Os problemas que sei que temos? Neste caso específico, prefiro guardá-los para mim. Afinal, não vai ser escancarando as nossas falhas para o resto do mundo que vamos corrigi-las (pois isso é dever de casa nosso, e não responsabilidade estrangeira).

Esta semana, um amigo publicou os seguintes dizeres, que se tornam oportunos aqui: “A Copa é um evento. O esporte é muito maior que isso. Maior que os políticos e os revoltados. Nossos desejos de uma vida melhor devem começar dentro de casa”. De fato, é como deveria ser.

Ao boicotarmos a NOSSA copa, vamos apenas criar uma péssima imagem internacional. E só! Falar em vexame e ainda incentivar boicote é triste! Afinal, a única contribuição, neste caso, é para que o vexame seja ainda maior. E o pior: por escolha própria.

Neste mundial, vou torcer pelo Brasil e fazer a minha parte, para ajudar a criar a mais bela das copas. Dentro das limitações, verdades e possibilidades que temos. E você? Torce exatamente para o que?

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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