CARTA DE CANINDÉ

A moradora Virgínia Lúcia Dantas Oliveira, de Canindé do São Francisco, enviou e-mail a Plenário, fazendo um relato minucioso da história política daquela cidade, pedindo que seja tomada uma providência, “antes que haja uma desgraça maior”. Lida para um cidadão que tem influência em Canindé e conhece todos os acontecimentos políticos da cidade, confirmou praticamente tudo que ela disse, inclusive os detalhes. Ela começa dizendo que “estamos cansados de tantos administradores corruptos em Canindé. A nova cidade de Canindé de São Francisco parece mesmo que nasceu para mal administrada. Com o advento da Hidrelétrica de Xingó, ocorreu uma parceria de Município/Governo do Estado e Chesf. E houve a mudança da cidade, que recebeu a placa de nova cidade de Canindé de São Francisco, inaugurada em 07/03/1987”.

 

Acrescenta que “Jorge Luiz Carvalho, prefeito da época, já estava no fim do mandato de seis anos e elegeu seu sucessor Francisco Feitosa, conhecido popularmente como Chiquinho, que logo de inicio brigaram e ele se alinhou ao seu ex-concorrente Genivaldo Galindo, aproveitando essa nova amizade para casar sua irmã, Rosa Maria, com um filho de Galindo. A partir daí começou a série de má administração. Terminando o seu mandato, Chiquinho colocou como seu candidato a prefeito, Genivaldo Galindo, que perdeu pela segunda vez, em decorrência de sua má administração. Elegendo-se Delmiro Brito, que tinha como vice, Hortência Carvalho, esposa de Jorge Luiz Carvalho. Após quatro meses, Delmiro foi morto em um acidente mal explicado. Resultado: a esposa de Jorge assume a prefeitura e aí, começa a serie de intervenções pelo governo, pela má utilização dos recursos do município. Houve também aquela chacina que vitimou o presidente da Câmara, Ademar Teles e mais duas pessoas”.

 

Continua ela: “terminando o seu mandato de Hortência, Jorge Luiz forja uma separação para sair candidato a prefeito, pois sendo casado com ela, a lei não lhe permitia. Perdeu a primeira eleição para Genivaldo Galindo que, após duas derrotas sucessivas, consegue dar a volta por cima e se reeleger, derrotando pela segunda vez a Jorge Carvalho. A partir daí vem à síndrome da vice. Galindo no primeiro mandato tinha como vice Orlando Andrade, que também houve o caso do roubo das urnas de Canindé, que foi o maior escândalo na historia da política de Sergipe. Voltando ao caso das vices, Genivaldo Galindo coloca como sua vice em 2000, a nora, a irmã de Chiquinho. E aí Galindo já sabendo o que lhe aguardava da sua administração anterior, renunciou e sua nora assumiu. O então governador Albano Franco. De acordo com o pessoal do Ministério Público, mandou outra intervenção na Prefeitura de Canindé, e colocou como interventor o procurador de justiça Fernando Matos, que foi pior que os demais prefeitos juntos e ninguém podia dizer nada, pois quem falasse ele mandava botar na cadeia, todo mundo tinha medo do homem”.

 

Ela faz uma denuncia grave: “o chefe de segurança, nomeado pelo interventor, de nome Garcez, era metido a namorador. Toda mulher que entrava no seu gabinete, ele cantava logo e ia pegando nos seios e passando a mão nas partes inferiores, e muitas tinham medo de dizer ao marido, para ele não prender. A intervenção acabou e a prefeita Rosa Maria reassume a prefeitura. Coitada, não mandava em nada, pois o seu marido, Genilson Galindo Junior e Milton Galindo, da parte dos Galindo; e os irmãos Avelar, Leônidas e Chiquinho eram quem mandavam em tudo. Ela apenas assinava os papeis. E não deu outra, perderam a eleição, pois o povo de Caninde é assim, sempre dá a resposta certa, não elegendo os candidatos de prefeitos desonestos. Sim mais aí Jorge Luiz ressuscita e se alinha aos Andrade, coloca a sua filha como vice na chapa de Orlandinho e ganham a eleição”.

 

Resultado, Jorge Luiz já brigou com Orlandinho que prometeu muito e agora não pode cumprir nem um por cento. O povo já pede a volta de Galindo, pode? E Canindé está um desmantelo total, a única coisa que ele fez de bom foi para a família nomeando parentes para vários cargos. Já surge comentários que quem está mandando na prefeitura é o juiz e o promotor. Pelo menos o juiz foi a radio Xingó FM e disse: a partir de agora o prefeito vai fazer isso…isso… e aquilo. Quem estava na praça vaiou. Agora eu pergunto: e agora Canindé, o que será de ti? Será que teremos nova intervenção? Só espero que se tiver não seja mais do pessoal do ministério público. Aqui vai uma opção: se tiver intervenção em Canindé, manda agora alguém do Exército brasileiro, para ver se lá as coisas funcionam, pois na justiça, no ministério publico e no executivo não dá. Pelo amor de Deus só a imprensa para botar a boca no mundo para que uma providencia possa ser tomada”.

 

DEBATE

A Ordem dos Advogados do Brasil, ao promover o debate sobre a transposição, prestou um grande serviço ao país. O debate, entretanto, não definiu uma posição do Governo em ampliar a discussão para iniciar as obras de transposição e já decidiu faze-la.

 

IRRITADO

O ministro da Integração, Ciro Gomes (PPS) ficou irritado quando o governador João Alves Filho viu semelhança na realização da obra com o período eleitoral. O governador João Alves Filho respondeu que não se referia ao ministro, mas as eleições federais. No final Ciro Gomes mostrou ressentimentos.

 

MAGISTRATURA

O governador João Alves Filho também aceitou a proposta do ministro Ciro Gomes de que a OAB exercesse a magistratura. Considerou, entretanto, que para isso o Governo tem que se comprometer de suspender a licitação para a transposição até que a OAB levante tudo.

 

DEFESA

O governador João Alves Filho também se defendeu por estar sendo chamado de egoísta: “nós na podemos negar um copo de água nem ao inimigo”. E continuou: “o que não podemos permitir é que um doente que está na UTI faça uma transfusão de sangue para outro paciente”

 

VALADARES

O senador Antônio Carlos Valadares (PSB) fez uma proposta para que a OAB consultasse a Chesf sobre a vazão do rio São Francisco. O ministro Ciro Gomes diz que a vazão é de 1.350 metros cúbicos por segundos, o governador João Alves Filho garante que menos de 1000 metros cúbicos por segundo. 

 

CHEGADA

O governador João Alves Filho chegou a Brasília no início da noite de domingo e seguiu direto para o hotel, onde ainda conversou com alguns amigos. Ontem pela manha foi ao Escritório de Sergipe, mas não teve nenhuma agenda marcada até a hora do debate com o ministro Ciro Gomes.

 

PALOMARES

O professor Palomares envia e-mail que a Ong Água Viva e outras organizações de Defesa do Meio Ambiente do Estado, se solidariza com o governador João Alves. Acha que correta a defesa que vem fazendo sobre a revitalização e não transposição das águas do rio São Francisco.

 

OUTROS RIOS

Palomares pede também a solidariedade e ação do governador do estado de Sergipe, em favor da “urgente” recuperação e revitalização outros rios. E citou o Sergipe, Piauí, Fundo, Poxim, Japaratuba, Piauitinga, Jacaré, do Sal, Cotinguiba, Riacho da Vaca, Capivara, Carrapato, Cajueiro dos Veados e etc, que estão morrendo.

 

CARTA 

O ex-deputado Pedro Balbino enviou correspondência ao deputado Marcondes Gadelha (PTB-PB) esperando que, mínimo, haja um pedido de desculpas. Balbino diz que Sergipe foi solidário, quando possibilitou à sua família um mínimo de conforto, dando-lhe um ombro amigo. “A ofensa é para os fracos”, diz Pedro.

 

SECRETARIA

O projeto da Secretaria Metropolitana retornou ao governo para algumas modificações técnica e deve chegar à Assembléia esta semana, para discussão e votação. O ex-prefeito de Pirambu, André Moura (PFL), deve ser o titular da nova pasta, que terá o objetivo de realizar um trabalho na grande Aracaju.

 

PIRAPORA

O deputado estadual Augusto Bezerra (PFL) considerou que a reunião de Pirapora, ocorrida na sexta-feira passada, só foi boa para a senadora alagoana Heloisa Helena. Com a ausência dos governadores e do presidente do Congresso, Renan Calheiros, o encontro de Pirapora teve a mesma importância do realizado em Aracaju.

 

MACHADO

O deputado federal José Carlos Machado (PFL) viajou ontem cedo a Brasília e participou do debate entre o governador João Alves Filho e o ministro Ciro Gomes. Machado admite que a solução para esse projeto só acontecerá com um encontro do presidente Lula com todos os governadores dos estados doadores e receptores.

 

VERTICALIZA

O PT e os aliados que apóiam a reeleição de Lula fecharam questão pela manutenção da verticalização e a primeira vitória foi o adiamento da votação na CCJ na semana passada. Nos cálculos do PT, o PFL e o PSDB, mais alguns partidos pequenos terão que ficar juntos na próxima eleição.

 

Notas

 

CIRO

O ministro Integração Nacional, Ciro Gomes, demonstrou que tem “pavio curto” e levou o debate com o passionalismo natural de quem defende uma tese absolutamente definitiva. Apegado a número do Comitê da Bacia do São Francisco, o ministro deixou claro que o governo já decidiu pela transposição. Disse que a transposição seria para consumo humano e sedentação de animais, o que levou o governador João Alves Filho a por em dúvida a publicidade sobre a transposição, que anuncia mais de 300 mil empregos.

 

JOÃO

O governador João Alves Filho mostrou que o projeto de transposição aprovado pelo governo federal está “tecnicamente errado, ecologicamente desastroso e politicamente insensato”. E criticou o governo por que está fazendo uma transposição passando por cima da sociedade civil, que não foi ouvida. João lembrou que o momento é para exercer o bom senso democraticamente e não a força do poder. Pediu que o projeto fosse enviado para aprovação do Congresso, porque há necessidade de aprovação parlamentar.

 

BOA FÉ

João Alves disse, ainda, que acreditava na boa fé do ministro Ciro Gomes e do presidente Lula da Silva e considerou que os dois estão tecnicamente mal assessorados. Ele mostrou que o rio está precisando de uma revitalização imediata, para depois começar a pensar e levar água para outros estados. João fez um apelo para que o governo recue “e vamos conversar”, Disse que o gesto não demonstra covardia e nem se trata de um ato de humilhação: É ato de grandeza. E concluiu: “se isso não for seguido, será o caos”.

 

É fogo

 

O governador João Alves Filho perdeu o avião de carreira que o levaria até a Feira Mundial de Alimento, em Miami, onde hoje faz uma palestra.

 

Mesmo assim, um avião foi fretado para levar o governador e alguns parlamentares a Miami, já que a Feira é importante para Sergipe.

 

O ministro Ciro Gomes ficou irritado quando disseram que havia interesse nas empreiteiras que farão a obra da transposição.

 

O senador Valadares pediu a intervenção da Chesf porque o órgão foi citado e está sob o comando de um membro do seu partido, o PSB.

 

O deputado Ulices Andrade (PSDB) foi quem deu as boas vindas a Edney Caetano, que assumiu, ontem, a vaga de Belivaldo Chagas.

 

Praticamente todos os secretários de estado foram a Brasília ontem para assistir o debate entre João Alves Filho e Ciro Gomes.

 

O debate sobre a transposição não foi tão amistoso como se imaginava. Em alguns momentos o clima ficou tenso.

 

Seis elementos montados em uma moto assaltaram o hiper G.Barbosa da avenida Francisco Porto. Levaram o dinheiro recolhido de alguns caixas.

 

O deputado Belivaldo Chagas já iniciou o seu trabalho como secretário de Articulação Política e Assuntos Institucionais.

 

O senador José Almeida Lima (PSDB) também fez algumas intervenções no debate entre o governador e o ministro.

 

João Alves Filho disse que, apesar de ser governador de um estado pequeno, tem que ficar contra o governo federal quando estão em jogo os interesses de Sergipe.

 

A TV Aperipê suportou bem as quase seis horas de transmissão do debate, direto de Brasília.

 

brayner@infonet.com.br

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