Cheiro de política no ar

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Cartas do Apolônio


Cheiro de política no ar


Apolônio vê redenção econômica do estado em previsões catastróficas.


Lisboa, 15 de setembro de 2006


Caros amigos de Sergipe:

Ando deveras preocupado com as previsões do governador João Alves, o agora auto- intitulado “Negão” ou “João da Água”. Segundo as suas previsões, se o PFL perder a eleição no Estado vai faltar água em 65% das casas de Aracaju. Vai ser uma loucura! A se confirmaram as catastróficas previsões pefelistas, o olfato dos barbosopolitanos, coitado, será o mais solicitado dos sentidos. Com o fim da água farta nas torneiras, o velho e bom banho matinal vai se tornar uma raridade nas terras de Adilson Maguila.

Tudo bem que os mais abastados possam até se dar ao luxo de tomar banhos com água mineral, mas maioria absoluta, porém, vai ter é que cair nos rios Sergipe, Poxim e do Sal, todos devidamente infestados de coleiformes fecais e tatas in natura. Que futum, meus amigos!

Preocupado com nostradâmica tragédia anunciada, o Osmário Santos já iniciou uma campanha de despoluição das águas sergipanas. O neófito ecologista já conseguiu a adesão de meio mundo de figurinhas carimbadas e instituições importantes. Se brincar, até a Deso assina a tal adesão.

Solidário com a idéia, o jornalista Pedro Valadares, já prometeu enviar ao colunista, milhares de mudas de Pau Brasil e Pau Ferro na tentativa desesperada de reconstituir a flora ribeirinha. Já tem gente pensando até em aboletar na região dos lagos, na esperança de que a brisa marinha afaste a fedentina dos ares da praia.

Dizem que os franceses não são muito chegados a um banho e que compensam a falta de assepsia, com generosas doses de perfume francês. Se isso é mesmo verdade, Sergipe terá tudo para se inserir no disputado mercado da indústria de perfumes. É como dizem, Deus escreve certo por linhas tortas, pois assim como os franceses, o sergipano também precisará se desenvolver nessa área e com isso, logo logo o Estado poderá estar faturando horrores com a exportação de novos produtos inspirados nas fragrâncias locais, como o “Taieira n. 5” com notas amadeiradas extraídas
na Mussuca ou o “Precajju”, inspirado no inebriante aroma do suor exalado em pleno corredor da folia. Há males que vêm pra bem.

Só nos resta então, aguardar o resultado das eleições. Se João ganhar, pode-se deduzir que a tragédia será evitada, “pela mercê de Deus”. Água à vontade e Sergipe perdendo a oportunidade de faturar milhares de dólares com os cheiros da terra.

Já se a vitória for de Déda, o Estado passará o maior perrengue em termos olfativos. Em compensação, poderá se tornar a nova referência na indústria brasileira de perfumes.

Essa eleição vai ser decidida mesmo é na venta. E ainda dizem que eu não tenho faro para a política, hein? 


Até semana que vem.


Um abraço do


Apolônio Lisboa.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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