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O diretor escolar como líder pedagógico e agente de transformação. A importância da Liderança para o desenvolvimento institucional
Prof. Mário Jorge F. Cruz/Pedagogo / Especialista em Gestão Escolar
A Escola é uma Instituição em permanente construção. Seus resultados, sua cultura e sua capacidade de transformar vidas estão diretamente relacionados às Pessoas que a conduzem e às concepções de liderança que orientam suas práticas.
Nesse cenário, o Diretor Escolar assume uma função que ultrapassa os limites administrativos do cargo. Mais do que organizar processos, gerir recursos e acompanhar rotinas burocráticas, ele exerce um papel essencial como Líder Pedagógico, articulador de Pessoas e agente responsável pela construção de uma identidade institucional.
A Liderança Escolar torna-se, portanto, um fator determinante para o desenvolvimento da Instituição, pois influencia diretamente o clima organizacional, o compromisso dos profissionais, a qualidade das práticas Pedagógicas e, consequentemente, os resultados educacionais.
Uma Escola que deseja avançar precisa de uma liderança capaz de enxergar além dos desafios imediatos, construindo caminhos coletivos para uma Educação mais significativa.
É fato que durante muito tempo, a função do Diretor Escolar esteve associada prioritariamente ao gerenciamento administrativo da Escola. Entretanto, as novas demandas da Educação exigem uma compreensão mais ampla desse profissional. A Escola contemporânea precisa de líderes que compreendam que administrar é necessário, mas liderar é transformar. O Diretor que assume uma postura de Liderança Pedagógica compreende que sua principal missão é criar condições para que Professores, Estudantes, Famílias e toda a Comunidade Escolar estejam envolvidos em um projeto comum: uma Escola comprometida com a aprendizagem e com o desenvolvimento humano.
A liderança, nesse contexto, deixa de ser uma característica individual e passa a ser uma competência institucional capaz de mobilizar Pessoas e promover mudanças.
Hoje, a Liderança Pedagógica representa a essência de uma Gestão Escolar comprometida com resultados educacionais. O Diretor precisa estar presente no cotidiano Pedagógico, acompanhando práticas, dialogando com Professores, estimulando formação continuada e promovendo reflexões sobre os caminhos da Aprendizagem.
Um Líder Pedagógico não se limita a cobrar resultados. Ele cria condições, apoia sua Equipe e participa da construção das soluções. Sua atuação transforma a Escola em um espaço de colaboração, inovação e crescimento coletivo.
Por sua vez, o desenvolvimento de uma Instituição Escolar não depende apenas de estruturas físicas, recursos financeiros ou documentos oficiais. Ele depende, principalmente, de uma cultura organizacional fortalecida por valores, propósito e compromisso coletivo.
Uma liderança eficiente será capaz de fortalecer a identidade da Escola, promover participação e pertencimento, estimular o trabalho em Equipe, valorizar os profissionais da Educação e criar ambientes favoráveis à aprendizagem.
A Instituição cresce quando seus Integrantes compreendem que fazem parte de um Projeto Maior. No tocante ao poder transformador da Gestão Humanizada, a Liderança Escolar precisa estar fundamentada no respeito às Pessoas. O Diretor que transforma é aquele que compreende que resultados educacionais são construídos por meio das relações humanas. Ouvir, dialogar, reconhecer talentos e incentivar a participação são atitudes que fortalecem a confiança e o compromisso da Equipe. A Escola é feita de Pessoas, e toda transformação institucional começa pela valorização daqueles que constroem diariamente a Educação.
Como Agente de transformação, o Líder Escolar, no cenário atual está sempre sendo desafiado a encarar desafios complexos.
Cabe ao mesmo, estar sempre conciliando demandas Administrativas e Pedagógicas, promovendo inclusão e equidade, acompanhando mudanças sociais e tecnológicas, fortalecendo o trabalho coletivo e mantendo, permanentemente, o foco na aprendizagem dos Estudantes.
Diante desses desafios, o Diretor precisa unir competência técnica, sensibilidade humana e visão estratégica.
Dentro de uma “Nova Concepção de Direção Escolar”, a Escola que deseja evoluir precisa superar a visão de um Diretor apenas como Gestor Burocrático. O Diretor do presente e do futuro é aquele que inspira, orienta e mobiliza. Sua Liderança não está apenas no cargo que ocupa, mas na capacidade de influenciar positivamente Pessoas a construir uma Escola com propósito.
Ele não conduz apenas uma Instituição. Ele conduz sonhos, possibilidades e trajetórias.
Enfim, o Diretor Escolar como Líder Pedagógico representa uma das maiores forças de transformação da Educação. Sua liderança interfere diretamente na construção da cultura Escolar, no desenvolvimento profissional da Equipe e na qualidade da aprendizagem. Uma Instituição se fortalece quando possui uma liderança comprometida, participativa e consciente de que educar é um processo coletivo. Mais do que administrar uma Escola, o verdadeiro Líder Escolar tem a missão de inspirar Pessoas, desenvolver talentos e transformar realidades.
“A Liderança Educacional não transforma apenas Escolas; transforma Pessoas que transformam o mundo”.
© Prof. Mário Jorge de F. Cruz – Todos os Direitos Reservados

Morre Joubert Moraes, um dos maiores nomes das artes plásticas de Sergipe Infonet/Verlane Estácio Morreu neste sábado, 25, o artista plástico Joubert Moraes, considerado um dos principais nomes da história da arte em Sergipe. Natural de Propriá, o artista construiu uma trajetória marcada pela pintura, escultura e música, tornando-se referência na produção cultural sergipana. Ele deixa esposa, uma filha e um neto. O governador Fábio Mitidieri lamentou a morte de Joubert Moraes e destacou o legado deixado pelo artista. “Sua trajetória, marcada pela pintura, escultura e música, deixa um legado de enorme valor para Sergipe e para as futuras gerações”, afirmou. O governador também prestou solidariedade aos familiares e amigos, em especial à filha do artista, Jade Moraes, servidora da Fundação Aperipê.
Trajetória Natural de Propriá, Joubert Moraes realizou sua primeira exposição em 1968, na Galeria de Arte Álvaro Santos, em Aracaju. Em 1976, pintou os afrescos da Igreja da Ascensão, em São Francisco do Conde (BA), e, ao longo da carreira, levou sua produção para diferentes regiões do país, com exposições na Igreja do Solar do Unhão, na Bahia, na Galeria Tina Zapolli, no Rio Grande do Sul, e participação em mostra coletiva no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo. Em 2005, realizou sua primeira exposição dedicada exclusivamente às esculturas, no Hotel Parque dos Coqueiros. Já em 2021, inaugurou a escultura “Formas e Cores”, na Orla da Atalaia, e apresentou a exposição “Antes Arte do que Nunca”, no Centro Cultural de Aracaju. Em setembro de 2024, celebrou seis décadas de trajetória artística com a exposição inédita “Joubert – 60 anos de Arte”, fomentada pelo Programa Funarte Retomada 2023 – Artes Visuais, que reuniu telas e esculturas representando as diferentes fases de sua carreira. Ao longo de sua trajetória, Joubert Moraes recebeu diversas homenagens, entre elas a Comenda Cultural Tobias Barreto e o Prêmio Mestre da Cultura Popular, em reconhecimento à sua contribuição para a arte e a cultura sergipanas.
65 projetos de lei Em discurso, Yandra Moura fez um balanço dos quatro anos de mandato. Segundo a deputada, foram mais de 65 projetos de lei protocolados e seis aprovados pela Câmara dos Deputados, entre eles proposições voltadas à saúde da mulher e à garantia de laudo médico pericial por prazo determinado para pessoas com autismo e deficiências permanentes, medida que dispensa a repetição de exames periciais em casos sem possibilidade de reversão do diagnóstico. “É esse o sentimento de dever cumprido”, afirmou a deputada. A parlamentar também citou proposições em tramitação voltadas a famílias atípicas, como a manutenção de benefícios assistenciais mesmo quando há renda familiar proveniente de trabalho formal, e o projeto que institui o estatuto da mãe solo, com previsão de auxílio financeiro e atendimento prioritário. Para Yandra, essas iniciativas resultam de um mandato construído a partir do diálogo com a base eleitoral do município nos últimos três anos e meio. “Para cuidar de quem mais precisa”, resumiu, ao justificar a prioridade dada às causas sociais no mandato.
Emendas Além da atuação legislativa, a deputada mencionou o volume de emendas parlamentares destinadas a Sergipe, direcionadas a áreas como saúde, mobilidade e infraestrutura, e afirmou que os recursos enviados por seu gabinete nesse período superaram o total repassado por outros parlamentares sergipanos em mandatos anteriores. O ex-prefeito Balbino discursou destacando o papel dos vereadores na estrutura política municipal e relembrou a primeira passagem de Yandra Moura por Tomar do Geru. Ele também citou a atuação parlamentar de André Moura, ex-deputado federal e pré-candidato ao Senado por Sergipe, mencionando emendas destinadas à reforma de praças públicas do município e à reabertura da casa de apoio mantida pela prefeitura em Aracaju, além do envio de veículos e equipamentos para serviços como abastecimento de água e coleta de lixo em povoados da região. “É bom para Sergipe e para nosso povo”, disse Balbino, ao defender a pré-candidatura de André Moura ao Senado.
Digital de trabalho Para o deputado estadual Kaká Santos “onde passamos tem a digital de trabalho de André e da deputada Yandra Moura e pode ter certeza que vamos colocar a nossa digital aqui mais uma vez com mais trabalho”, disse. O líder Itamar Fonseca também discursou, saudando a trajetória política de Yandra Moura e classificando sua atuação como referência de representatividade feminina em Sergipe. O evento também contou com manifestações de apoio de lideranças locais à pré-candidatura de André Moura ao Senado, apresentado pelos oradores como parte de um agrupamento político que inclui o governador Fábio Mitidieri.
Senador Rogério fortalece diálogo com lideranças de Gararu e reafirma compromisso com o sertão Na manhã de ontem, 26, o senador Rogério Carvalho (PT/SE) participou de um encontro político com lideranças e moradores no município de Gararu, no Alto Sertão sergipano. A agenda foi realizada na residência da vereadora e ex-prefeita Elizabeth e do ex-prefeito Chico do Povo, que receberam o parlamentar ao lado de diversas lideranças da região. O encontro reuniu vereadores, o prefeito de Nossa Senhora de Lourdes, Saulo Galeguinho, o companheiro Saininho de Manoel de Rosinha, presidentes de associações e representantes comunitários, consolidando mais uma agenda de interiorização do mandato do senador. Durante a reunião, Rogério ouviu reivindicações da população, dialogou sobre as principais necessidades de Gararu e reafirmou o compromisso de seguir destinando recursos e articulando investimentos para Sergipe.
Investimentos estruturantes Ao falar sobre sua atuação no Senado, Carvalho destacou o volume de recursos viabilizados para o estado e afirmou que seu mandato tem sido marcado pela articulação de investimentos estruturantes em parceria com o Governo Federal. “Fui o parlamentar que mais destinou recursos para Sergipe em toda a história. Conseguimos, junto com o presidente Lula, trazer R$ 78,5 bilhões para a Petrobras em Sergipe. Também articulamos investimentos como R$ 1,6 bilhão para o complexo viário, a Ponte da Barra, a Adutora do Sertão e obras para garantir o abastecimento de água em Aracaju. Somando emendas, empréstimos e outros recursos, já ultrapassamos R$ 2 bilhões destinados ao estado ao longo desses oito anos de mandato”, afirmou o senador. Segundo Rogério, os investimentos “representam uma estratégia para fortalecer a infraestrutura, gerar empregos e impulsionar o desenvolvimento econômico de Sergipe, especialmente no interior”.
União das lideranças e compromisso com Gararu Anfitrião do encontro, o ex-prefeito Chico do Povo ressaltou a importância da política como instrumento de transformação social e reafirmou o apoio das lideranças locais ao senador. “A política é a arte de fazer o bem e transformar a vida das pessoas. A força deste grupo está justamente na humildade das nossas lideranças. Aqui não existe um único líder; somos todos líderes comprometidos com Gararu”, declarou. Chico lembrou que o grupo político mantém uma trajetória de mais de três décadas de atuação no município e destacou que o compromisso firmado com Rogério Carvalho permanece fortalecido. “Firmamos um compromisso verdadeiro e seguimos acreditando no trabalho que Rogério realiza por Sergipe. Não estamos pensando apenas em eleição, mas em quem continua trabalhando pelo nosso povo. Conte com Gararu e com este povo. A nossa palavra vale mais do que qualquer assinatura”, ressaltou. O ex-prefeito também defendeu que municípios como Gararu, Nossa Senhora de Lourdes, Itabi e Porto da Folha continuem recebendo atenção dos representantes políticos “para ampliar investimentos” e melhorar a qualidade de vida da população.

Aracaju: Prefeitura inicia implantação do Hospital Digital no Nestor Piva e amplia autonomia do paciente A Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), iniciou na sexta-feira, 24, a implantação do Hospital Digital no Hospital Municipal Dr. Nestor Piva. A primeira etapa do projeto coloca em funcionamento totens de autoatendimento que permitem aos pacientes realizar o próprio cadastro com mais rapidez e autonomia, reduzindo o tempo destinado aos procedimentos administrativos e tornando o fluxo de atendimento mais organizado, integrado e seguro. Referência em urgência e emergência pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o Hospital Nestor Piva funciona 24 horas por dia, atende, em média, 1.400 pessoas diariamente e integra a rede municipal de assistência à saúde.
Orientação da prefeita em busca de soluções tecnológicas A secretária municipal da Saúde, Débora Leite, destacou que a implantação do Hospital Digital está alinhada ao compromisso da gestão municipal de investir em inovação para qualificar os serviços públicos. “A prefeita Emília Corrêa tem orientado a Secretaria a buscar soluções tecnológicas que facilitem o acesso da população aos serviços de saúde. Essa ferramenta representa um importante avanço para a humanização do atendimento. Embora seja uma inovação tecnológica, seu principal objetivo é reduzir o tempo de espera, agilizar os processos e proporcionar um atendimento mais acolhedor e eficiente”, afirmou.
Agilização A diretora-geral do Hospital Dr. Nestor Piva, Marbene Souza, ressaltou que o autoatendimento complementa o trabalho das equipes da recepção, sem substituir o atendimento presencial. “O paciente pode realizar o autocadastro logo na chegada ao hospital, agilizando sua entrada na unidade. A recepção continua desempenhando um papel essencial, mas a tecnologia organiza o fluxo, reduz as filas e permite que as equipes tenham acesso mais rápido às informações necessárias para a assistência. Isso traz mais eficiência desde o primeiro contato do usuário com o hospital”, explicou.
Caminho para um atendimento melhor Para a diretora executiva do Instituto de Gestão e Cidadania (IGC), Elizângela Zaranza, a transformação digital vai além da incorporação de novas tecnologias e tem como foco aprimorar a experiência do paciente. “A tecnologia não é o nosso ponto de chegada, mas o caminho para oferecer um atendimento melhor. O totem agiliza o acolhimento, reduz o tempo de espera, integra automaticamente o paciente ao processo de classificação de risco e proporciona mais segurança, transparência e eficiência. Este é apenas o primeiro passo de uma transformação que seguirá com a implantação do prontuário eletrônico e do aplicativo do Hospital Digital”, destacou.

Professor da UFJF destrincha desigualdades sociais do Brasil em ficção. Escrito por Vinícius Ferreira, romance policial noir aborda a exclusão social e a corrupção presentes no Brasil ao narrar as investigações de um crime brutal Na pacata Cataguases, do interior de Minas Gerais, os habitantes costumam ter uma vida tão tranquila que investigar crimes hediondos raramente faz parte da rotina policial. Porém, essa quietude se transforma em medo quando três crianças são encontradas mortas em um galpão abandonado em uma área residencial nobre. Bartolomeu Franco assume a investigação desse caso, ao lado do parceiro Cenoura, no romance policial Não existe acaso no inferno, escrito por Vinícius Ferreira. As vítimas foram encontradas com maquiagem e uniformes escolares, sem nenhum sinal de violência. Em suas gargantas, havia um anel metálico com uma expressão em latim, e o local onde estavam havia sido registrado como uma igreja – apesar de ser um espaço desabitado.Enquanto descobrem novas informações, principalmente sobre um fanático religioso obcecado pelo “décimo primeiro mandamento”, os protagonistas adentram um labirinto de corrupção que desafia as estruturas de uma sociedade marcada pelo silêncio. Durante o trabalho, ambos revelam como um crime perverso pode acontecer à vista daqueles que, da janela de seus condomínios caros, preferem ignorar a dor de seus vizinhos. Ao atravessar temas como as desigualdades sociais e os abusos de poder, o autor revela um Brasil sombrio através das lentes do noir. A partir de elementos clássicos desse subgênero policial, a obra imerge em uma realidade que muitos fingem não existir, mas que permeia todas as relações no país.
Quantas doses de verdades existem numa mentira? O que é a mentira? É com intenção de mentir que se anuncia uma meia verdade? O meu xadrez, o meu quebra-cabeça. Fazia os movimentos, a montagem. Ambos não me estimulavam e nem me divertiam. Eu tinha raiva. Muita raiva por saber que o Laércio Mendes não se preocupava em apurar suas informações. Não investigava, não checava nem mesmo a idoneidade das fontes dele. Na sua balança ética, eram os montantes depositados na conta de cada um dos pratos os responsáveis pela decisão de qual devia pesar mais. (Não existe acaso no inferno, p. 79)
Limites éticos À medida que a trama avança, os leitores também precisam questionar seus limites éticos devido à ambiguidade moral dos personagens. Bartolomeu, por exemplo, precisou colocar o pai em um asilo e alimenta a culpa de não dar atenção à família. Apesar dos diversos problemas com o patriarca, que sempre desaprovou a profissão do filho, vive o sonho de uma conciliação aparentemente impossível por causa da demência do velho. “A ideia deste livro nasceu de uma história que ouvi quando era criança, sobre um amigo do meu tio que havia comprado uma casa antiga. Ao iniciar os trabalhos de demolição, o proprietário teria descoberto um cadáver oculto no revestimento do banheiro. Essa história me perseguiu por anos, porque ninguém nunca soube de quem era o corpo, e me trouxe uma reflexão: nem todos os mortos têm seus nomes conhecidos”, afirma o escritor.
FICHA TÉCNICA
Título: Não existe acaso no inferno
Autor: Vinícius Ferreira
Editora: Faria e Silva
ISBN: 9786560252974
Páginas: 168
Preço: R$ 50,42 (físico) | R$ 37,70 (e-book)
Onde encontrar: Amazon | Alta Books

Sobre o autor: Nascido em Cataguases (MG), Vinícius Ferreira é professor de Literaturas de Língua Portuguesa na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), doutor em Estudos Literários, mestre em Letras e especialista em Ciências Humanas, com pesquisas relacionadas a ensino de literatura, colonialismo e desigualdade cultural. Como escritor, publicou os livros de contos “Uma ou outra forma de tirania”, “As mãos ásperas” e “Acerto de contas”, além das novelas “E se estivesse escuro?” e “Noturno em Vista Alegre”. Em 2021, seu conto “O Mineiro” conquistou a segunda colocação no concurso Ana Maria Martins, promovido pela União Brasileira de Escritores (UBE). Agora, lança o romance noir Não existe acaso no inferno.
Instagram: @viniciusferreiranoir
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Joubert e as cores da memória
Por Pascoal Maynard*
Há pessoas que partem, mas não vão embora. Permanecem nas ruas por onde caminharam, nas casas onde viveram, nas conversas que despertam sorrisos e, sobretudo, naquilo que criaram. Hoje, com a partida de Joubert, não consigo pensar apenas no artista consagrado. Minha memória insiste em reencontrar o menino e o jovem que fizeram parte da paisagem afetiva da minha infância.
Li, mais uma vez, o belo texto de Mário Britto, e algumas de suas palavras ganharam um significado ainda mais profundo. Ele escreve que Joubert nasceu “no seio de uma família de artistas”. É verdade. Aquela casa parecia respirar arte. O pai, poeta e escritor; a mãe, cantora e bordadeira. Não era apenas uma família que apreciava a cultura; era uma família que fazia da beleza um modo de existir.
Nossa proximidade ia além da geografia. Eu morava na Praça Fausto Cardoso. Joubert, na Rua Maruim, entre as ruas Itabaiana e Pacatuba. Eram poucos passos de distância. Naquele centro de Aracaju, onde as ruas ainda tinham o ritmo das conversas nas calçadas e o tempo parecia caminhar mais devagar, as famílias se conheciam, os meninos cresciam juntos e as amizades eram construídas sem cerimônia, como se fizessem parte da própria paisagem.
Naqueles dias, ninguém imaginava que aquele rapaz de fala tranquila carregava dentro de si um universo inteiro de cores, formas e poesia. Mário Britto lembra que, ainda adolescente, Joubert “tinha o hábito de visitar galerias de arte, comparecia a todas as exposições e frequentava, assiduamente, os ateliês dos mestres J. Inácio e Florival Santos”. Hoje percebo que aquele jovem já perseguia um destino que só ele conseguia enxergar com nitidez.
Depois veio Salvador, a Escola de Belas Artes, os encontros com outros artistas, as experiências com a abstração. A vida foi ampliando seus horizontes, mas nunca lhe arrancou as raízes. Joubert levava Sergipe consigo. Em cada tela, em cada escultura, em cada cenário que criou, havia sempre um pouco da terra que o viu nascer e da sensibilidade que floresceu nas ruas da velha Aracaju.
Mário Britto encontrou uma definição que dificilmente poderia ser mais feliz: “Joubert tem uma relação completa e visceral com a arte”. Talvez porque, para ele, a arte nunca tenha sido apenas profissão. Era respiração. Era linguagem. Era uma forma de compreender o mundo. E quando Britto escreve que “toca violão com a mão direita, pinta com a esquerda e, com ambas, faz as esculturas”, desenha, em poucas palavras, um homem inteiro, cuja criatividade parecia desconhecer limites.
Hoje suas obras estão espalhadas pelo Brasil e por tantos outros países. Permanecerão onde sempre estiveram: nas paredes, nos museus, nas instituições, nas praças e nas casas de tantos admiradores. Mas permanecerão, sobretudo, onde Mário Britto tão bem registrou: “na memória e no coração do povo sergipano”.
Quanto a mim, guardo outra galeria. Não é feita de quadros. É feita de lembranças. As ruas do centro de Aracaju, os encontros casuais, as famílias vizinhas, o cotidiano simples de uma cidade que nos ensinou o valor da convivência. Quando penso em Joubert, vejo também aquele pedaço da cidade que moldou nossas vidas e que continua existindo dentro de nós, mesmo quando o tempo transforma tudo ao redor.
A morte tem o estranho poder de silenciar uma voz, mas nunca consegue apagar uma presença. Os artistas conhecem esse segredo. Eles sobrevivem naquilo que deixam para os outros. Joubert compreendeu isso sem precisar dizê-lo. Pintou sua permanência em telas, esculpiu-a na matéria e gravou-a na memória de todos que tiveram o privilégio de conviver com sua arte e com sua generosidade.
Hoje Sergipe perde um de seus maiores artistas. Eu me despeço também de um companheiro de paisagem, de um rosto familiar da minha infância e juventude, de alguém cuja trajetória me enche de orgulho por ter acompanhado, ainda que de perto e silenciosamente, os seus primeiros passos.
Costuma-se dizer que a morte encerra uma vida. Talvez. Mas nunca encerra uma obra construída com talento, sensibilidade e amor. A verdadeira arte é uma forma de eternidade.
Joubert encerra hoje sua travessia humana. Paradoxalmente, é também hoje que sua obra se torna ainda mais definitiva. Porque o artista parte, mas a arte permanece. E, enquanto houver um sergipano capaz de se emocionar diante de uma de suas telas, de uma de suas esculturas ou da lembrança de sua delicadeza, Joubert continuará entre nós.
Adeus, meu querido Joubert.
*Pascoal Maynard é jornalista, documentarista e produtor cultural. Atualmente exerce o cargo de Assessor Especial da Funcap, Presidente do Conselho Estadual de Cultura e apresentador do programa Expressão na Aperipê TV.
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