Dança das coligações

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A dança das coligações continua. Embora o prazo para fechamento das atas fosse ontem, na maioria dos casos não aconteceu. Na realidade, tudo será definido às 19 horas do dia 5, quando todos terão que entregar a ata ao Tribunal Regional Eleitoral. Até lá, muita coisa ainda está acontecendo nos bastidores das convenções, inclusive uma promíscua troca de parceiros. Ainda hoje, um candidato a prefeito está tentando conquistar uma forte legenda, que terminou a convenção sem fechar a ata e está sozinho. Realmente, como profetizou o vereador Elber Batalha (PSB), o mês de junho, em ano eleitoral, tem 35 dias. Há um grande número de candidatos descontentes com as composições que foram feitas e/ou estão por fazer. É que algumas lideranças simplesmente fecharam coligações, sem sequer conversar com os candidatos proporcionais. Tudo foi feito de cima para baixo, num estilo pouco comum a partidos reformistas e progressistas. Mas foi assim. Um experiente vereador garantiu que não foi consultado para nada e estava vagando sem saber o que fazer, até que foi informado, inclusive pela imprensa, com quem o seu partido estava aliado. Aliás, não gostou da coligação e tem certeza que não chegará ao quociente para se eleger. As candidaturas proporcionais têm esse eterno obstáculo para o fechamento de coligações em razão de um quociente eleitoral perverso que, às vezes, favorece os mais frágeis, eleitoralmente, e castiga quem tem uma boa performance nas urnas. Quando alguns partidos sentiram na pele a redução drástica de vereadores, procuraram imediatamente quebrar a chapa fechada e tentar coligações, o que foi impossível. Estão por aí, quebrando a cabeça, para ver se chegam a algum outro partido, para melhorar as condições de eleição de uma boa bancada. Um dos mais importantes partidos do Estado ficou ao léu. Recusou uma coligação com o Prona e o PRT porque queria apoiar uma candidatura a prefeito que polarizasse a disputa. Está conversando e é possível que mantenha a chapa única para eleger, pelo menos, dois vereadores, o que, a uma altura destas, é muito bom. De qualquer forma a proporcionalidade é um problema. Seria muito bom que a reforma política que está em andamento, acabasse com ela e decretasse eleitos aqueles que tivessem mais votos. Em Aracaju, por exemplo, os 19 candidatos mais votados assumiriam a Prefeitura. O que acabava com a injustiça de eleger quem tem um número insignificante de votos e derrotar quem bateu recorde nas urnas. Mas isto é muito difícil de se aprovar, porque não interessa aos caciques políticos que estão em Brasília e, muito menos, a quem “sabe fazer chover” nos Estados. Os partidos hoje são semelhantes aos velhos bordeis da zona do baixo meretrício. Não têm a menor importância para qualquer cidadão de mal ou de bem. O querem apenas para comercializar prestígio e conquistar bons lugares nos regulares gabinetes do estado e municípios. Mais nada. Aliás, é pouco provável que essa forma acabe, porque um desses novos coronéis da política eletrônica, detém um bom número de siglas para acomodar amigos e falar grosso na hora das decisões. E a coisa está tão prostituída, que ter partido dá dinheiro. E dinheiro grosso, através de candidaturas de alugueis, que favorecem a quem der mais. Essa forma de fazer política é do início da república e não há mais sentido. Tem que se modernizar. Tem que deixar o cidadão à vontade para disputar mandato, independente de siglas partidárias e, acima disso, tem que por um fim à proporcionalidade, porque o resultado dessa aberração é a sociedade votando em quem considera bom para ela, mas elegendo quem está mais a serviço dos seus bolsos. É preciso por nas Câmaras Municipais, Assembléias Legislativas e Câmara Federal quem o povo quer, não aqueles que os donos do poder, a elite gananciosa, deseja. FABIANO O deputado Fabiano Oliveira (PTB), se tivesse ficado com o governador João Alves Filho (PFL), hoje teria total ascendência sobre a Secretaria de Turismo. Além disso, ninguém tenha dúvida, Fabiano Oliveira seria o candidato do governador à Prefeitura de Aracaju. A opção pela oposição foi para ser o vice de Marcelo Déda (PT). ESTÂNCIA Ivan Leite (PPS) e Gilson Andrade (PFL) formam a chapa que vai disputar a Prefeitura de Estância, por indicação do governador João Alves Filho. Um detalhe: o presidente municipal do PFL, Carlos Magno, é adversário ferrenho de Ivan, mas vai ter que lhe engolir. BRIGA Também em Estância, o radialista Di Santy (PDT) teve uma briga feia, na qual rolou murros e pontapés, com seu correligionário Jackson Birrola. O motivo foi que os membros do Diretório cortaram o nome de Birrola na convenção. Ele queria ser candidato a vereador ou a prefeito. CONVERSA O prefeito Marcelo Déda (PT), candidato à reeleição, teve uma conversa séria com o vereador Sérgio Góes (PL), que não estava satisfeito com sua coligação. Sérgio Góes queria que Déda cumprisse o que lhe prometeu, mas o prefeito mostrou que o Diretório do PT só admitiu o PCdoB e o PCB. FECHOU Mesmo chateado, Sérgio Góes aceitou a composição feita para o seu partido, que é PSDB, PTB, PTN e PL, fechada ontem. O presidente regional do PL, Heleno Silva, está animado e admitiu que o seu partido poderá fazer até três vereadores. É muito difícil. DECEPÇÃO Segundo um dos influentes membros do PL, a decepção de Sérgio Góes com o PT, é porque ele foi para os liberais atendendo a pedido do prefeito Marcelo Déda. Acrescentou que Déda garantiu que abriria um chapão com os partidos do bloco, o que não aconteceu porque o Diretório Regional não permitiu. CANINDÉ João de Deus Barbosa (PHS) e Edmilson Balbino (PT) é a chapa que disputa a Prefeitura de Canindé, com o apoio do PSDB, PL, e PFL. A ata foi fechada, mas há o risco de uma interferência na chapa, porque o Diretório do PT não quer aceitar o PFL. MARCÉLIO O vereador Marcélio Bomfim (PDT) diz que o senador Almeida Lima está em Aracaju para dar apoio aos seus aliados, na formação das composições. “Não fez como outras lideranças, que simplesmente deixaram os vereadores na mão, resolvendo sozinhos os problemas de coligações”, disse ele. MOVIMENTO Já a partir do dia 6 a composição liderada pelo Partido dos Trabalhadores vai se reunir, com todas as lideranças para traçar a primeira fase da campanha. Dia 13 deste mês, em local ainda não definido, será realizada a inauguração do Comitê Central e o lançamento da campanha. Depois é colocar a militância na rua. CONVENÇÃO Marcelo Déda considerou que a convenção do seu partido foi boa e mostrou a vontade dos candidatos a vereador em partir para a campanha imediatamente. Sabe que existem alguns descontentes no grupo: “mas não se pode agradar a todos. As composições não garantem eleição, mas dão chances para a disputa”, disse Déda. RECADO A deputada Susana Azevedo mandou um recado para o seu principal adversário, Marcelo Déda: “agora não é uma só mulher, mas duas para pegar no seu pé”. Um chapa com duas mulheres foi uma idéia do PFL há alguns meses, quando lembrou o nome de Débora Pimentel, que não topou a parada. ARRUMAÇÃO Alguns partidos ainda não fecharam composições e estão em busca de parcerias para conseguir formar um bloco que consiga eleger candidatos. Um dos mais fortes partidos continuava, até ontem, sem fechar coligação e abria perspectiva de lançar candidato e sair sozinho. RENATO O promotor de Justiça aposentado Renato Sampaio (PRP) está consciente que pode surpreender e ganhar as eleições para prefeito. Ele tem como base o volume de votos que obteve em Aracaju, quando foi candidato ao Senado Federal, sem ter a menor estrutura de campanha. Notas CRÍTICAS O deputado federal Mendonça Prado (PFL) vem criticando a reforma trabalhista do governo do presidente Lula da Silva (PT). Para ele, o governo petista está obedecendo cegamente às determinações dos banqueiros internacionais e impondo um verdadeiro massacre a classe trabalhadora do Brasil. Segundo o deputado, “o PT, que antes era defensor dos trabalhadores, se transformou, repentinamente, em carrasco de todos eles. Portanto, está mais do que comprovado que a eleição do PT foi um estelionato eleitoral”. REDUÇÃO O vereador Antônio Góes (PT) condena a rejeição da PEC dos vereadores no Senado. Considera que a representatividade dos trabalhadores nas Câmaras Municipais vai diminuir e haverá uma piora na situação política do país e entre os partidos. Acha que os repasses é que deveriam ser reduzidos. Segundo Góis, o número de vereadores teria que aumentar, para ampliar a representatividade da sociedade. Com a redução do número de vereadores, quem ai se eleger é o indicado pelos chefes políticos. CHAPÕES O vereador Antônio Góes também criticou os chapões, que não dá direito à população de julgar cada vereador, porque ele fará parte de uma ampla coligação e será contemplado na eleição por estar nela, e não pelo voto direto, quando o eleitor poderia distinguir quem realmente trabalhou pela comunidade. Com os chapões, os vereadores que votaram contra o interesse da sociedade e aqueles que votaram a favor, estarão juntos, numa mesma chapa. “Como a população vai distinguir o joio do trigo?” – questiona o vereador. É fogo Se um Rola no Prona faz uma confusão danada em Aracaju, imaginem um Birrola no PMDB de Estância? Muitos elogios para a beleza da candidata a vice da deputada Susana Azevedo. É uma dupla de peso. Marcelo Déda disse que deixou o forró do Forró-Caju e entrou no arrasta-pé das conversações para formação de composições políticas. O professor Adelmo Macêdo (PAN) está retornando ao cenário político, como candidato à Prefeitura de Aracaju. Um bom número de candidatos a vereador desistiu da disputa depois que se manteve a redução do número de eleitos. O empresário Gilson Figueiredo foi a Riachuelo para dar uma força ao amigo Antônio Carlos, que disputa a Prefeitura daquela cidade. O PHS procura se ajeitar numa composição política, que permita o partido não ser mero figurante e carregador de tijolo nas eleições de Aracaju. Ontem foi um dia de muitas conversações nos bastidores porque há necessidade de arrumar alguns partidos em Aracaju. O PL, que andava meio complicado para a formação de uma coligação, terminou se mantendo no bloco liderado por Marcelo Deda. O Partido dos Trabalhadores também faz aliança firme com o PFL na Barra dos Coqueiros. Será que haverá problemas? O Cadê alterou a medida cautelar emitida pelo próprio órgão, em março, que impedia a volta da Telecom Itália ao bloco de controle da Brasil Telecom. Apesar de propostas que chegaram ao Governo, o Conselho Monetário Nacional (CMN) não debateu possibilidade de alterar as metas da inflação para 2005. Por Diógenes Brayner brayner@infonet.com.br

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