Data Vênia

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A Ordem da Pauta Livre

A indicação do desconhecido advogado Daniel Costa como candidato do grupo liderado por Carlos Augusto Monteiro não foi aceita pela maioria dos seus seguidores, que já se mobilizam de forma independente em busca de um nome mais competitivo e apto a liderar e representar a classe advocatícia sergipana, composta de mais de dez mil advogados em atividade.

Daniel é um respeitado advogado e um dos associados do escritório Morbek, Almeida, Costa, Andrade & Penalva, dentro do qual podemos encontrar nomes mais robustos e conhecidos como o de Adalício Morbeck, que nas eleições passadas teve a coragem de romper com os “Andrades” (leia-se Inácio Kraus) para apoiar Carlos Augusto e do advogado criminalista Ricardo Almeida, ambos mais conhecidos e engajados no universo da advocacia.

O ruído ficou ainda mais forte quando se cogitou a possibilidade de a vice da chapa ser a advogada Letícia Monthe, uma criminalista com mais de 10 mil seguidores nas redes sociais, que talvez não tenha 10 anos de advocacia, nem tempo suficiente de inscrição na Ordem, impeditivo para o registro de sua candidatura.

Sem dúvidas, a dupla Daniel e Letícia seria uma ótima pedida para a presidência da OAB Jovem, estando longe do páreo para a OAB Master. Pelo que ouvi falar, Daniel não teria condições de enfrentar um debate de cinco minutos com Aurélio Belém, que domina o mitiê político da advocacia sergipana. Também não se sustentaria em um confronto de ideias com Inácio Kraus, mesmo este agindo com mais parcimônia e amistosidade. A bagagem política de Kraus dizimaria Dantas. Da mesma forma, não tem maturidade profissional para um “cara a cara” com a experiente Ana Lúcia, restaria sepultado.

Outro ponto muito importante é quem bancaria a campanha de Daniel Costa? Mesmo sendo um advogado em ascensão, uma campanha para presidente da Ordem custa caro, algo em torno de 300 a 500 mil, fora o tempo de campanha, que lhe custaria ao menos uns 45 dias fora da labuta da advocacia e menos honorários.

A representação de interesses ocultos é de fato questionada com a definição do nome de Daniel para chapa à frente da Ordem e tem sido alvo de burburinhos nos bastidores da advocacia. A todo tempo, nomes como Cristiano Barreto, Breno Messias, Gilberto Vieira, Gilberto Vila Nova, Rivaldo Salvino, Tereza Caxico e Bruno Novaes são ventilados entre seus pares por reunirem condições favoráveis ao certame e toda uma trajetória solidificada na advocacia. Estou falando dos advogados com 15 a 20 anos de advocacia e nome estabelecido, sem citar tantos outros mais antigos e de igual credibilidade.

Estamos procurando um presidente que abra a “caixa preta” da Ordem. Não queremos mais aqueles que briguem por uma vaga de estacionamento, sem menosprezar necessária atitude. Precisamos de um nome independente que defenda com brio e altivez o advogado destratado ou desrespeitado por juízes, promotores, delegados ou qualquer outra autoridade da sua militância diária, prática lamentavelmente comum nos corredores da justiça sergipana.

A abertura desta “caixa” permitirá também o acesso às informações de como as discussões mais importantes estão sendo conduzidas no planalto da Ordem em nível federal e estadual, dentre elas negociações que acontecem em mansões de Brasília, cujo teor é totalmente inacessível a um advogado do interior por exemplo.

Precisamos ter uma “Pauta Livre”, com maior envolvimento da categoria na construção de novos paradigmas e revisão de “tabus”, construindo um canal democrático a serviço da advocacia sergipana. Sabe-se que na próxima gestão teremos 17 vagas nos Tribunais Superiores e CNJ, cujos nomes passarão pelo crivo do Conselho Federal da OAB/SE; esse debate tem que extravasar as “panelinhas” da advocacia sergipana e submeter-se a processos democráticos com a efetiva participação dos nossos advogados. Esse é o espírito de uma advocacia independente, forte e combativa, que não pode ser domínio de nenhum clã familiar, seja de “Andrades,  “Monteiros Costas” ou blogs de dicas. Pensem nisso!

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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