Deficiente Cívico

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DEFICIENTE CÍVICO: esta consiste em mais uma expressão a ser incorporado ao já extenso catálogo das doenças incuráveis da nossa sociedade.  Por sua indesejada importância, ocupará o mesmo gênero daquelas clássicas e molestosas máximas que tanto enfeiam e envergonham a todos nós brasileiros: “levar vantagem em tudo”, “jeitinho brasileiro” “corrupção”, “sonegação”, "propina", "mentira", "falsificação", "compadrio", etc… Isto porque, são, em suma, indícios e sintomas deste cancro social que é a tal deficiência cívica.

Lamentavelmente temos que concordar que não será fácil a sua cura, posto que o vírus, já disseminado, a cada dia torna-se mais resistentes à farmacopéia conhecida, o tratamento, quando acontece, é muito lento e a um custo muito alto, não há, também, médicos especializados e nem hospitais suficientemente equipados para a terapia curadora, posto que, a contaminação é quase generalizada.

A dificuldade é imensa, o vírus contaminante, além de ser letal, sabe, com ardil, se autoproteger: instala-se, prioritariamente, no organismo mais poderoso da tessitura social: a família. Ali, a vacina preventiva dificilmente poderá alcançá-lo, pois os principais contaminantes, os pais, são também os mesmos que deveriam aplicá-la.

Nesta fase da vida, os progenitores, através de ações, exemplos e atitudes, inoculam na ingente e ainda frágil personalidade da criança o óvulo que eclodirá na época certa do relacionar-se com os outros: os próprios papais, os irmãos, os colegas de escola, os professores, enfim, a sociedade como um todo.

Toda aquela falta de sensibilidade, de respeito, de amor que aprendeu e continua aprendendo vai se potencializando noutros ambientes e através de outros veículos: como a própria escola, a televisão, os grupos de amigos. Isto porque, diferentemente da física, onde os iguais se repelem, na sociedade os iguais se atraem, portanto, deficientes cívicos só escolhem para as suas amizades os seus iguais, também deficientes. Os outros são caretas, CDFs, imbecis, babacas etc.

O doente cívico sabe, também, que o melhor combustível para agravar a sua moléstia, além do exercício constante do errado, e do convívio com outros também já contaminados, é a bebida, as drogas e as viagens sem volta.

Sabemos que há instrumentos constituídos pelo Estado para a cura desta enfermidade: as mãos fortes da lei dos homens, através do Estado ou a lei do mundo cão. No entanto, constatamos, sem muito esforço, que lamentavelmente até estes instrumentos estão, também, contaminados, e não funcionam, mormente, com aqueles, afilhados da fortuna e filhos de “autoridades”, que sabem usar o dinheiro e, sobretudo, o prestígio para se manterem doentes, porém, distantes do amargor dos medicamentos específicos. Estes remédios são finalmente destinados para SUS daqueles outros que igualmente contaminados, mas, desprovidos da segurança dos contaminantes, têm que lotar delegacias e presídios.

Por outro lado, esse vírus é tão letal que, miseravelmente, contamina justamente aqueles que deveriam administrar as vacinas preventivas e os remédios curativos distribuídos pelo Estado. É triste constatar ser exatamente na classe mais importante desta “medicina social” onde se instala a maior epidemia desta doença maldita. Tem dúvida? Ligue a televisão e contabilize, é quase certo que de três crimes bárbaros divulgados diariamente, em dois ou, até mesmo nos três, haverá lá a mão daqueles que deveriam combatê-los.

Esta doença faz com que os enfermos por ela atacados, acreditem que tudo e todos devem estar prontos e sempre disponíveis para satisfazer os seus desejos, – os quais eles confundem com direitos – confiam cegamente que, por serem agentes do Estado, ou filhos de um deputado, de um governador, de um juiz ou de outra autoridade qualquer, estão blindados contra tudo e contra todos. Podem fazer o que quiser com quem quiser, pois nada lhes atinge. São super seres, inimputáveis, pessoas que estão muito acima dos outros. 

Os deficientes cívicos confiam que por estarem blindados e acima de todos os demais insignificantes seres da terra, podem irracionalmente tudo praticar, usando os seus instrumentos de perversão para se dar bem.

Montados nos seus carrões, latinha de cerveja na mão desrespeitam a lei e as pessoas. Usam seus automóveis como poderosas próteses de autoridade para impressionar e ocupar os logradouros e espaços públicos, como bem lhe aprouver. Podem desavergonhadamente, usar a vaga do DEFICIENTE CLÍNICO, ou dos IDOSOS,  podem parar em fila dupla: só para bater um papo com o “brodi”, também deficiente cívico, que estaciona ao lado trancando a rua; podem jogar no leito da via as suas sujeiras: latinhas de cerveja, garrafas de whisky,  preservativos usados etc., fazer conversão  proibida, ligar o som de suas potentes máquinas sem se incomodar com quem está ouvindo, transitar pela contramão, somente para não fazer a volta no quarteirão…

Mas, o pior de tudo é que a grande maioria destes doentes são exatamente aqueles que assumirão, no futuro, cargos: executivos, legislativos e  judiciário e, além de, sem concurso, tomarem também, a maior fatia das boas funções públicas e chefias de apoio dos segundos, terceiros, quartos e quintos escalões.

Mantenha-se vigilante, olhe sempre para os lados e veja se você não está lidando com um “Deficiente Cívico”, evite-o, pois esta moléstia prolifera pelas ações, exemplos e atitudes e, é contaminante.

E você? Será que você não é um “Deficiente Cívico?” Se você conscientemente se enquadrar como um destes doentes, não se desespere, acredite, a cura está em suas mãos e depende unicamente de você. PENSE NISSO.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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