ÉTICA & MORAL

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Tenho lido bastante sobre esses três temas e tive a rara oportunidade de assistir uma excelente palestra do Sr. Peter Nadas (1) no Fórum de Responsabilidade Social promovido pelo SESI, FIDES e IBASE, no dia 07/10/2004 na Sociedade Semear, Aracaju, SE. O sr. Nadas falou durante pouco mais de uma hora um tema de extrema beleza para uma platéia silenciosa e encantada e eu, particularmente, tive a sorte de estar entre essa platéia. Sem utilizar exageradamente os possantes atributos da tecnologia moderna da multimídia o palestrante soube encantar a todos pela segurança e seriedade com que abordou esses temas utilizando sabiamente o seu carisma pessoal.

 

Nesse momento me percebi pensando o que às vezes escuto em palestras; “Como seria bom se tivéssemos mais empresários e líderes de empresas nesse auditório”.

 

Assim sendo, segundo Nadas o conceito de moral significa “a ordenação dos nossos valores”. Ou seja, o que é realmente mais importante para mim? Quais são as idéias que conduzem a minha vida? E, qual é o sentido que dou a minha vida? O que considero como positivo e o que poderia dizer que é negativo para mim? Com base nessas escolhas que distinção posso fazer entre o bem e o mal?

 

Portanto, a partir dessas definições ou escolhas posso ter os fatores determinantes para a minha verdadeira busca da felicidade. E isso é importante porque à medida que conseguimos estabelecer os nossos valores (pessoais e organizacionais) e conseguimos pautar as nossas vidas em relação a eles, como conseqüência, começamos a sentir um clima de felicidade em nós mesmos e à nossa volta. Assim sendo, a moral é resultante da ordenação dos valores que escolhemos e, conseqüentemente que irão nos ajudar a orientar as nossas escolhas e nos posicionamentos que assumimos em função das decisões que tomamos a cada momento em nossas vidas.

 

Logo, a maneira como pautamos e direcionamos as nossas vidas está diretamente relacionada com os valores que escolhemos para orientá-la e, conseqüentemente, esses valores irão ter um papel fundamental na sociedade como um todo.

 

Na verdade o fato é que, consciente ou inconscientemente, vivemos as nossas vidas fazendo a todo instante um contínuo chamamento dos nossos valores para qualquer decisão que tomamos. Por exemplo, ao acordar pela manhã sinto-me preguiçoso e cansado e resolvo ficar em casa e, portanto, não trabalhar, estarei mesmo inconsciente colocando em cheque a minha escala de valores. E, quando isso acontece, nos sentimos muitas vezes que estamos burlando alguma coisa e muitas vezes voltamos atrás e resolvemos rapidamente ir trabalhar. Ou seja, de maneira praticamente inconsciente fizemos uma seleção e avaliação de valores e constatamos que o mais “honesto” seria ir trabalhar, ao invés de ficar em casa dormitando…

 

Muito bem, se a moral é ordenarmos os nossos valores, o que estaremos chamando de ética? Na verdade a ética trata da ação de pormos em prática os valores que selecionamos e ordenamos para que façam parte da nossa vida. Portanto, a ética serve justamente para que utilizando os valores norteadores da nossa vida possamos balizar as nossas decisões; em outras palavras significa traduzir a moral escolhida em atos.

 

Por exemplo, escolhi verdade, honestidade, respeito, justiça como os valores que orientarão a minha vida. Todos esses valores estão numa alta escala para mim, mas para que esses valores saiam de uma escala contemplativa para a escala de ação eu preciso – na verdade – viver esses valores. Ou seja, de nada adianta um discurso muito bonito sobre a prática de valores se eu não os exercito verdadeiramente, ou seja eu não os ponho em ação, ou seja, se eles não se tornam princípios éticos que conduzem a minha vida.

 

Na maioria das vezes parece ser uma situação bastante simples, mas para que eu transforme os valores (moral) em ação (ética) é preciso que eu entre da dimensão do “É” e não fique na dimensão da possibilidade ou do que “DEVERIA SER”.

 

Se eu escolho a “honestidade” como um valor que está na minha escala de valores, como posso então me considerar ético se costumeiramente peço “cd´s” de música emprestado de amigos e faço cópias para mim. Parece uma situação tola e até mesmo boba, mas eu parar para analisar quantas pessoas e instituições eu burlei apenas fazendo uma “simples cópia de um cd”? Com esse comportamento, que parece até tolo, estarei me comportando e vivenciando o meu valor “honestidade”? Claro que não, porque para que esses princípios sejam verdadeiramente inseridos na minha vida eu preciso praticá-los.

 

Logo de nada adiantam os famosos códigos de ética se eles não são verdadeiramente vividos, muito menos aquela listas de valores escolhidos pelas organizações os quais muitas vezes apenas estão escritos no papel e dificilmente são – verdadeiramente – vivenciados.

 

Esta talvez ainda seja a grande fronteira da nação brasileira a ser conquistada, os valores serem realmente vividos e as leis servirem para defender verdadeiramente e com justiça o cidadão brasileiro, independentemente da cor da sua pele, da sua conta no banco, da sua religião ou do seu partido político.

 

(1) Administrador e presidente do Conselho de Curadores da FIDES.

 

 

* Fernando Viana é diretor presidente da Fundação Brasil Criativo
presidente@fbcriativo.org.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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