Fábio e Rogério: juntos no papel, separados na agenda

A pré-campanha em Sergipe está parecendo aqueles casamentos em que o casal posa sorrindo para a fotografia, mas cada um volta para casa em um carro diferente. De um lado, Fábio Mitidieri e André Moura parecem ter encontrado a mesma frequência: dividem agendas, trocam elogios, aparecem juntos em eventos e fazem questão de demonstrar a sintonia AM e FM. A mensagem é simples: onde está um, o outro costuma aparecer.

Já quando o assunto é a parceria entre Fábio Mitidieri e Rogério Carvalho, a imagem transmitida ao eleitor é diferente. Embora integrem a mesma chapa anunciada após entendimento político com aval do presidente Lula, as agendas conjuntas têm sido menos frequentes, enquanto Rogério concentra boa parte de sua atuação pública em compromissos ligados ao PT e à defesa do projeto nacional do partido e à reeleição de Lula. Essa diferença de estratégia tem sido apontada por analistas da política sergipana como um dos pontos curiosos desta pré-campanha.

E o eleitor? Ah, esse resolveu escrever o próprio roteiro. Tem gente identificada com a esquerda que simpatiza com Valmir de Francisquinho, candidato associado ao campo da direita. Da mesma forma, há eleitores de perfil conservador que avaliam positivamente a gestão de Fábio Mitidieri e admitem apoiá-lo na disputa estadual. Não significa que partidos tenham mudado de lado; significa que parte do eleitorado separa a avaliação do governo estadual da preferência para a eleição presidencial. É um comportamento que desafia os velhos rótulos e mostra que o voto pode variar conforme o cargo em disputa.

Como dizia o inesquecível radialista Hilton Lopes, a política sergipana muitas vezes parece um verdadeiro “sarapatel de coruja”. É um cenário em que as alianças surpreendem, os adversários de ontem dividem o mesmo palanque, antigos aliados seguem caminhos distintos e o eleitor mistura escolhas de diferentes espectros políticos sem pedir licença aos estrategistas. Quem tenta explicar tudo apenas pelos rótulos de “direita” e “esquerda” corre o risco de ficar mais perdido do que cego em tiroteio.

Faltando poucas semanas para a campanha ganhar oficialmente as ruas, uma certeza já existe: mais importante do que a fotografia do palanque será a capacidade de cada grupo de convencer o eleitor de que existe sintonia também na prática. Porque, em política, abraço rende boa imagem, discurso rende manchete, mas quem decide a eleição continua sendo o cidadão, que costuma surpreender quando chega sozinho diante da urna.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.

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