Priscila Felizola e Jeferson Andrade: já definidos; Ricardo Marques …

A escolha do vice-governador nunca foi um detalhe na política sergipana. Ao contrário do que muita gente imagina, vice não é enfeite de palanque nem figurante de fotografia oficial. Em uma eleição majoritária, o vice representa equilíbrio geográfico, articulação política, capacidade de diálogo e, muitas vezes, o recado que o candidato deseja enviar ao eleitor. Nas eleições de 2026, as escolhas de Valmir de Francisquinho e Fábio Mitidieri revelam estratégias completamente diferentes, enquanto Ricardo Marques segue sem apresentar o nome que ocupará o segundo lugar da chapa, deixando uma das principais peças do tabuleiro ainda em aberto.

Priscila Felizola chega à chapa de Valmir de Francisquinho trazendo muito mais do que o peso do sobrenome. Filha do ex-governador Belivaldo Chagas, com atuação reconhecida à frente do Sebrae Sergipe, ela construiu uma imagem de gestora técnica, articuladora e ligada ao empreendedorismo. Antes de desembarcar na oposição, seu nome foi amplamente cogitado dentro da própria base governista para compor a chapa de Fábio Mitidieri. Parlamentares aliados defenderam publicamente sua indicação, e a possibilidade foi tratada durante meses nos bastidores políticos. Entretanto, prevaleceu a decisão de manter o compromisso político anteriormente construído em torno de Jeferson Andrade, presidente da Assembleia Legislativa, escolha que acabou fechando as portas para Priscila permanecer no projeto governista. Depois disso, ela migrou para a oposição e acabou escolhida como vice de Valmir.

Do outro lado está Jeferson Andrade, um dos políticos mais influentes da atual legislatura. Presidente da Assembleia Legislativa, profundo conhecedor da política municipal e estadual, ele representa estabilidade institucional e ampla articulação com prefeitos, deputados e lideranças do interior. Sua indicação nunca foi tratada como surpresa dentro do grupo governista. Desde muito antes das convenções, seu nome era considerado praticamente natural para ocupar a vice, fruto de uma construção política consolidada ao longo dos últimos anos e amplamente defendida por aliados do governador. Se Priscila representa renovação e aproximação com setores produtivos e o eleitorado feminino, Jeferson simboliza a força da máquina política, da experiência legislativa e da governabilidade.

A geografia política das duas chapas também chama atenção. Valmir buscou uma vice com forte identificação administrativa, capacidade de diálogo e origem em um agrupamento político tradicional que amplia sua presença além do Agreste sergipano. Fábio preferiu fortalecer sua base institucional, mantendo ao seu lado um dos principais articuladores do PSD e da Assembleia Legislativa. São duas leituras diferentes sobre a mesma eleição: uma aposta na ampliação política por novos espaços; a outra, na consolidação do grupo já existente. O contraste entre Priscila Felizola e Jeferson Andrade mostra que a disputa pelo Governo de Sergipe não será travada apenas entre candidatos, mas também entre dois modelos distintos de construção política.

Enquanto isso, Ricardo Marques continua sendo a única grande incógnita da sucessão estadual. Até o momento, o PL não oficializou o nome que ocupará a vaga de vice-governador, e a indefinição já desperta comentários nos bastidores. Em uma eleição onde os principais adversários já apresentaram chapas completas, permanecer sem vice significa deixar em aberto uma peça importante da estratégia eleitoral. O tempo político corre rápido, e cada dia sem essa definição aumenta a expectativa sobre qual será o desenho final da chapa liberal. Até agora, porém, a cadeira de vice do PL continua vazia.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.

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