TRE-SE manda a pesquisa encostar

A Justiça Eleitoral em Sergipe resolveu avisar que eleição não é feira livre de narrativa, onde cada um monta sua barraca e vende a versão que mais lhe convém. O TRE-SE barrou a divulgação da pesquisa do Instituto CTAS, registrada sob o número SE-05326/2026, prevista para ser divulgada em 16 de junho. No registro oficial, o levantamento informava amostragem de 1.224 eleitores e avaliaria apenas intenções de voto para senador, deputado federal e deputado estadual. O problema é que, segundo a decisão, o questionário aplicado nas ruas também continha perguntas sobre a disputa para o Governo de Sergipe.

E foi justamente aí que a pesquisa saiu da zona do detalhe técnico e entrou no campo da irregularidade. Conforme divulgado, as questões 6 a 9 tratavam de intenção espontânea para governador, cenário estimulado com nomes já colocados no tabuleiro eleitoral, índice de rejeição e até simulações de segundo turno. Em outras palavras, o registro mostrava uma pesquisa; o questionário aplicado apresentava outra. E pesquisa eleitoral não pode funcionar como cardápio surpresa.

A regra é clara. A legislação exige que todos os cargos pesquisados sejam informados no momento do registro. Quando uma informação relevante fica de fora, a transparência desaparece e a credibilidade vai junto. Pesquisa eleitoral influencia alianças, estratégias, investimentos de campanha e até o comportamento de lideranças políticas. Por isso, a Justiça Eleitoral costuma agir com rigor quando encontra divergências.

O episódio ganha ainda mais peso porque não é a primeira vez que o CTAS enfrenta problemas na Justiça Eleitoral. Recentemente, outra pesquisa do instituto, registrada sob o número SE-06052/2026, também foi suspensa por falhas na documentação exigida para registro. Além disso, em 2024, o instituto foi multado por irregularidades relacionadas à apresentação de dados e documentos técnicos.

Enquanto isso, o TSE também amplia a vigilância sobre outro desafio das próximas eleições: a inteligência artificial. A preocupação é evitar que vídeos falsos, vozes clonadas e conteúdos manipulados contaminem o debate público. A eleição de 2026 promete ser disputada não apenas nos palanques, mas também nas telas dos celulares.

O recado das últimas decisões é simples: pesquisa eleitoral exige transparência, documentação correta e respeito às regras. O TRE-SE mostrou que não basta apresentar números; é preciso demonstrar exatamente como eles foram produzidos. Afinal, democracia não se fortalece com atalhos. E quando a Justiça acende a luz, fica mais difícil esconder perguntas debaixo do tapete.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.

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