Governo Bolsonaro age p/ destruir Jornalismo com MP inconstitucional

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“O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter.” Cláudio Abramo.

NOTA OFICIAL: Federação Nacional dos Jornalistas conclama categoria a defender a profissão e exige que Congresso atue como legislador, impedindo mais esse retrocesso

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e seus sindicatos filiados em todo o país denunciam a inconstitucionalidade da Medida Provisória 905/2019, que revoga a obrigatoriedade de registro para atuação profissional de jornalistas (artigos do Decreto-Lei 972/1969) e de outras 13 profissões. A Medida Provisória mantém o registro de classe somente para as profissões em que existem conselhos profissionais atuando (como advocacia, medicina, engenharias, serviço social, educação física, entre outros).

Dez anos depois da derrubada do diploma de nível superior específico como critério de acesso à profissão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a MP publicada ontem (12/11) no Diário Oficial da União é mais um passo rumo à precarização do exercício da profissão de jornalista, uma atividade de natureza social ligada à concretização do direito humano à comunicação. Na prática, sem qualquer tipo de registro de categoria, o Estado brasileiro passa a permitir, de maneira irresponsável, o exercício da profissão por pessoas não-habilitadas, prejudicando toda a sociedade.

A FENAJ denuncia que o governo de Jair Bolsonaro constrói uma narrativa, desde a posse na Presidência, para deslegitimar a atuação dos jornalistas no exercício profissional. Agora, utiliza a MP 905/19 para, mais uma vez, atacar a profissão, os jornalistas e o produto da atividade jornalística: as notícias.

A FENAJ entende que a MP estabelece uma nova Reforma Trabalhista com a criação da carteira “Verde e Amarela” e a alteração de diversos itens da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), especialmente os relacionados a controle de jornada diária e trabalho aos fins de semana para o setor de comércio e serviços, o que também prejudica a categoria dos jornalistas profissionais. A jornada de trabalho de cinco horas diárias para jornalistas é estabelecida no artigo 303 da CLT e sua ampliação para até duas horas diárias está estabelecida no artigo 304. A MP estabelece o fim da notificação da ampliação de jornada aos órgãos de fiscalização.

Mais grave ainda é o fato de o governo Bolsonaro utilizar medidas provisórias de maneira abusiva, usurpando do Congresso Nacional a atribuição de legislar, sem o devido processo de tempo para reflexão e debates com toda a população sobre as alterações nas leis, que são garantidas nas tramitações que passam pela Câmara Federal e pelo Senado.

É preciso que as diversas categorias de trabalhadores das afetadas profissões (jornalista, agenciador de propaganda, arquivista, artista, atuário, guardador a lavador de veículo, publicitário, radialista, secretário, sociólogo, técnico em arquivo, técnico em espetáculo de diversões, técnico em segurança do trabalho e técnico em secretariado) se unam para dialogar com senadores e deputados a fim de que o Congresso Nacional derrube essa medida provisória e restabeleça a obrigatoriedade de registro nas Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego que vinha sendo, desde 2009, o único critério legal de acesso a essas atividades profissionais.

A FENAJ vai tomar as medidas judiciais cabíveis e, junto com os Sindicatos de Jornalistas do país, vai buscar o apoio dos parlamentares, das demais categorias atingidas, das centrais sindicais e da sociedade em geral para impedir mais esse retrocesso. E a Federação chama a categoria dos jornalistas em todo o país a fazer o enfrentamento necessário à defesa da atividade profissional de jornalista, que é essencial à Democracia.

 Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ)

 Brasília, 13 de novembro de 2019

 

Atualização do blog Devido ao feriado de 15 de Novembro, o blog só será atualizado na próxima segunda-feira, 18. Bom feriadão para todos.

Solidariedade aos servidores celetistas do governo do Estado É incrível a falta de compromisso do governo do estado com pagamento de salários dos servidores celetistas, principalmente dos trabalhadores das fundações. Paga salário no dia 12, nunca no 5° dia útil para quem recebe R$ 3000,00 e agora o 13° a partir do dia 16/12, quando o correto seria 30/11 a primeira parcela. Tudo isso acontecendo com o aval do TRT que tem ações trabalhistas que não resolvem nada. Por qual motivo o TRT que é atuante com empresas privadas não é tão atuante em defesa dos celetistas do governo do Estado? Perguntar não ofende!

 Para quem achava que a prefeitura de São Cristóvão não tinha responsabilidade com os pescadores, veja o ofício do Ministério Público Federal – MPF. Pelas redes sociais o Coronel Rocha, pré-candidato a prefeito de São Cristóvão, publicou ofício do MPF, através da procuradora Martha Carvalho Dias de Figueiredo, enviado ao prefeito do município, Marcos Santana, questionando quais as comunidades ribeirinhas de pescadores, marisqueiros e extrativistas, afetadas pelo óleo no município; se já foi realizado um levantamento das famílias/pessoas afetadas e encaminhado ao MPF e em caso negativo que adote as providências necessárias para tal identificação pela área de Ação Social, entre outros. Leia o print ao lado.

Nota Sejuc sobre contrato alimentação sistema prisional  A respeito de uma nota veiculada no Blog nesta quarta-feira (13), acerca de contrato para alimentação de internos do sistema prisional de Sergipe, a Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejuc) explica que, diferente do que foi informado, não há empresa que presta esse serviço de forma emergencial.

 Nota Sejuc sobre contrato alimentação sistema prisional II O contrato está em vigor com uma empresa que atua no fornecimento de alimentação nas unidades prisionais desde 2017 e que concorreu ao processo licitatório feito, na época, pela Secretaria de Estado de Planejamento, através de pregão eletrônico com participantes de todo Brasil. Além disso, é importante frisar que não há verbas federais no contrato 068/2017 que trata de alimentação dos presos, diferente do que foi repassado para este Blog. No mais, estamos à disposição para quaisquer esclarecimentos necessários.

Mutirão Limpa Nome do TJSE em parceria com a Unit Acontecerá de 18 a 22 de novembro mais uma edição do Mutirão Limpa Nome – Contas em Dia, oportunidade para quem deseja quitar as dívidas com boas opções de renegociação. A iniciativa é do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec) do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), em parceria com o Núcleo de Prática Jurídica (NPJ) da Universidade Tiradentes (Unit).O mutirão acontecerá no (NPJ) da Unit, localizado à rua Lagarto, 264, Centro de Aracaju, das 8 às 16 horas. Haverá distribuição de senhas. Os interessados deverão levar carteira de identidade e CPF.

 Participações Vão participar desta edição o Banese, Banese Card, Deso, Energisa, Cartão Cencosud (G.Barbosa), Sergipe Administradora de Cartões e Serviços (Seac) e CDL Aracaju, que fará consulta ao SPC de forma gratuita. Servidores Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) do TJSE farão o acompanhamento de todas as atividades. Alunos do curso de Direito da Unit estarão disponíveis para orientação jurídica.

 Dicas A Supervisão de Cidadania do Cejusc organizará a distribuição de material informativo com dicas de economia financeira. O projeto Contas em Dia será desenvolvido no local, com a presença de alunos do curso de Contabilidade, que auxiliarão as pessoas a organizarem seu orçamento doméstico.

FIJ lança campanha contra a impunidade nos crimes contra jornalistas A Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ) registrou 1.064 assassinatos de profissionais de meios de comunicação nos últimos 10 anos. Porém, apenas um em cada dez assassinos é punido. Segundo a Unesco, 93% das vítimas foram jornalistas locais. Diante do quadro, a entidade lançou, em 2 de novembro, Dia Internacional para Acabar com a Impunidade dos Crimes contra Jornalistas, campanha que durará até 23 de novembro, aniversário do massacre de Ampatuan nas Filipinas, em que pelo menos 32 trabalhadores de meios de comunicação foram assassinados. “A impunidade ocorre quando quem coloca uma bomba debaixo do carro de um jornalista e acaba com sua vida permanece sentado nas instituições de um Estado ou na direção de uma grande empresa” disse a FIJ. Toda matéria aqui.

Laranjeiras: atual gestão se destaca por obras que atendem o apelo das comunidades Desde 2017, com a atual gestão, o município de Laranjeiras vem se destacando pela realização de diversas obras, que na sua maioria de pequeno porte, mas que atendem os pleitos de comunidades esquecidas e que cujas obras foram prometidas e não cumpridas na gestão anterior.

 Comunidade do Mulungu Um bom exemplo foi a obra iniciada esta semana na Rua Armindo Guaraná na comunidade Mulungu/Quintale de Baixo). Segundo o prefeito Paulão Hagenberg, durante muito tempo aquela comunidade vem sofrendo principalmente quando acontece fortes chuvas e ninguém nunca tomou providências. “Em breve o problema será resolvido, cumprindo nossa promessa”, revelou.

Cessão de prédio ao Instituto de Apoio à Educação do Surdo de Sergipe Correta a ação do prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, em assinar o decreto de cessão de um imóvel para o Instituto Pedagógico de Apoio à Educação do Surdo de Sergipe (Ipaese). O ato contou com a presença da presidente da entidade, Ana Lúcia Nunes Oliveira, do vereador Lucas Aribé e de alunos da instituição. Com a transferência do prédio, o Ipaese passa a ter sede própria, pelos próximos 20 anos, para dar continuidade à oferta de educação regular para crianças e jovens surdas, do ensino fundamental até o ensino médio.

 Geração de Empregos Preocupado com o desenvolvimento de Neópolis, o vereador Augustino Antunes esteve com representantes da bancada sergipana no Congresso Nacional para convidá-los a participar de um debate acerca da atração de investimentos e geração de empregos no Baixo São Francisco. “Em Brasília, visitei os senadores Alessandro Vieira e Maria do Carmo Alves e os deputados federais Fábio Reis e Laércio Oliveira. Em conversa com os parlamentares, destaquei a importância de refletir sobre o mercado de trabalho em Neópolis e as perspectivas para o futuro”, afirmou Augustinho. O evento ainda não tem data definida, mas os senadores e deputados já demonstram interesse em discutir o tema.

 Emendas para Neópolis Em recente passagem por Brasília, o vereador Augustinho Antunes, de Neópolis, visitou os Ministérios da Saúde e do Desenvolvimento Regional para solicitar a liberação de emendas que beneficiarão a população do município. Destinadas pelo deputado federal Laércio Oliveira, as emendas visam a manutenção das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e a pavimentação de ruas. “O papel do vereador não é apenas denunciar. É também ajudar a buscar soluções para os problemas do município. Por isso já faz alguns anos que solicito ao deputado Laércio recursos e ele sempre destina para diversas áreas como saúde, compra de veículos e pavimentação de ruas”, ressaltou Augustinho.

 Hematologista da Onco Hematos participa do Hemo 2019  A hematologista Lourdes Marinho, que integra a equipe da Clínica Onco Hematos, participou no período de 6 a 9 deste mês, do Congresso Brasileiro de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (HEMO). O evento, que é o maior da América Latina e terceiro maior do mundo na área, aconteceu no Rio de Janeiro.

 Experiência única De acordo com a especialista, o Hemo 2019 trouxe aos participantes uma experiência única e enriquecedora. “Foram apresentadas as pesquisas mais recentes de hematologia, hemoterapia, terapia celular e transplante de medula óssea; os tratamentos mais promissores e as drogas mais eficazes para o combate às doenças hematológicas, além dos principais avanços hemoterápicos”, ressaltou Drª Lourdes Marinho.

 Hemo 2019 A atualização clínica e científica, conforme destacou a hematologista, foi extensa e com qualidade excepcional. “Cientistas e pesquisadores renomados em nossas áreas de vários países foram convidados a dividir e debater o que há de melhor e mais novo em tratamentos e fármacos, fazendo com que os nossos pacientes tenham a melhor qualidade de vida desde o diagnóstico efetivo até a possível cura”, finalizou.

FAMES e Receita Federal promovem Seminário No próximo dia 20 de novembro, a Federação dos Municípios do Estado de Sergipe (FAMES) e a Receita Federal irão realizar o seminário sobre “Obrigações previdenciárias nos municípios” voltado às gestões municipais. O evento será realizado a partir das 8h30 na sede da FAMES, localizada na Rua Engenheiro Jorge de Oliveira Neto, 650 – Coroa do Meio, em Aracaju.

Palestras O Seminário contará com as palestras do analista tributário Anderson Melo Rodrigues, que falará sobre “Parcelamento e Fundo de Participação dos Municípios”; do auditor fiscal José Alberto Lima, abordando “Compensação e improbidade administrativa”; além do auditor fiscal Marcelo Cardoso Ribeiro, com o tema “Compensação Previdenciária”. Todos os três são funcionários da Receita Federal.

CDL: comércio abrirá no feriado do dia 15 de novembro Apesar do feriado da Proclamação da República, 15 de novembro, nesta sexta-feira, o comércio do Centro de Aracaju está autorizado a abrir suas portas das 8 às 14h, conforme acordo coletivo de trabalho celebrado entre o Sindicato dos Lojistas e a classe dos comerciários.

Benefício Segundo a CDL, o acordo beneficia os clientes no período de compras em final de ano, bem como os trabalhadores que poderão receber “um extra” em função do acordo coletivo de trabalho. Também os shoppings funcionarão no período das 14 às 20h.

Última oportunidade Já pensou em morar no novo Celi no último terreno da Alameda das Árvores? Viver em uma área arborizada, com praça e empreendimentos comerciais diversos e essenciais para o dia a dia? A Construtora Celi oferece a oportunidade de adquirir um imóvel novo na região, com o lançamento do Reserva Alameda.

Última oportunidade II O projeto dispõe de plantas de até 122 metros quadrados de área privativa, além de área de lazer e entretenimento completas. Um dos diferenciais do Reserva Alameda é a tecnologia aplicada, com ponto de recarga para carro elétrico. Quer saber mais sobre o empreendimento? Entre em contato com a equipe de Vendas da Construtora Celi, através do (79) 3217-9693, ou visite o Espaço Celi Sementeira Park, localizado à Avenida Deputado Silvio Teixeira, s/n, bairro Jardins!

PELO ZAP DO BLOG CLÁUDIO NUNES – (79) 99890 2018

Malas prontas… Por Antônio Samarone: “Como eu tinha dito, vou ao Raso da Catarina no feriadão.

(foto: Ricardo Nunes)

Conhecer terras estranhas. O Raso é o deserto da caatinga. A dona da pensão me obrigou a uma difícil escolha. Me mandou o cardápio para eu escolher antecipadamente o que vou almoçar no sábado. As opções: pirão de galinha, buchada ou bode assado. E agora? Perguntei se não podia ser um pouco de cada. A resposta foi seca, não! Alguém pode ajudar? Foi lá no Raso que Lampião se escondeu com segurança. Como cantava Gonzagão: vou “dormir ao som do chocalho/ E acordar com a passarada/ Sem rádio e nem notícia/ Das terra civilizada. Amigos e inimigos, frades e confrades, vou em busca de descanso, em busca de poesia.”                                                                                                                                                                            

Musical Desconto Vamos olhar no olho do outro e ver que esse problema existe e precisa ser impedido/discutido/ denunciado? Nessa sexta feira, 15, teremos o musical Desconto da Cia das Artes Tetê Nahas e trilha sonora de Sena, ao vivo, no museu histórico de Sergipe dentro do Festival de Artes de São Cristóvão – Fasc! Não perca.

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 ARTIGO

 Anos doídos Por Nilson Socorro*

A recessão econômica em que o Brasil mergulhou a partir da crise política iniciada em 2014, após a conturbada reeleição da presidente Dilma Roussef, marcou os anos seguintes pelas dificuldades nas negociações coletivas entre trabalhadores e empregadores. Com as atividades econômicas em declínio, a produção em queda, o mercado de trabalho se retrai e os setores mais sensíveis, como o comércio e a indústria são os primeiros a sinalizarem os efeitos danosos da crise.

Os reflexos são imediatos nas relações de trabalho e o desemprego passa a ser o monstro a atemorizar os trabalhadores. Nesse cenário, as negociações protagonizadas por sindicatos de categorias profissionais e econômicos e empresas têm contornos e conteúdos bem diferentes dos presentes nos anos de estabilidade política e de crescimento econômico, normalmente marcados por avanços e conquistas da categoria obreira.

Confesso que como mediador dessas negociações no âmbito do extinto Ministério do Trabalho em Sergipe, assisti, a partir de 2015, cenas que ainda hoje quando relato não consigo disfarçar o marejar dos olhos. É doloroso lembrar a submissão imposta a legítimas lideranças sindicais, antes irredutíveis em mesas de negociação, e depois, como feras acuadas e fragilizadas, eram obrigadas a assinar acordos constrangedores, que retiravam direitos conquistados na luta, no confronto e no embate direto até com riscos a integridade física e a liberdade.

Nos anos anteriores a essa crise, costumava abrir as audiências de mediação para negociação dos acordos de data-base, alertando que o ponto de partida do reajuste salarial deveria ser com percentual no mínimo superior ao acumulado da inflação do período. Argumentava que se fosse para fixar apenas o INPC, não seria nem preciso estabelecer o processo de negociação, pois, a lei garantiria a atualização anual dos salários. A essa advertência a bancada patronal reagia com disfarçada reprovação, enquanto que a representação laboral aproveitava para justificar o “vitaminado” índice de reajuste pretendido.

O ganho real sob a justificativa de necessidade de reposição das perdas salariais acumuladas, normalmente era reivindicado pelos trabalhadores em percentuais esmeradamente verticalizados. A resposta da representação econômica, por usa vez, era uma ducha de água fria, pois, reduzia a pretensão laboral a índices bem abaixo dos propostos. Era assim que começava o processo de negociação de data-base. No início, me intrigava esse fosso entre o que se pedia e o que se oferecia, pois, achava que as partes agindo assim não estavam ali para negociar, mas, apenas cumprindo uma etapa preparatória para futuro ajuizamento de dissídio coletivo. Depois, com a experiência, me acostumei com essas preliminares, pois, evidente que faz parte do jogo se pedir mais do que o pretendido e contrapor menos do que se está disposto a conceder.

Quando o impasse se estabelecia e o clima se aproximava do tensionamento, com risco de finalização sem consenso, recorria ao velho sermão. Lembrava que em negociação quem propõe tem que saber o momento de recuar e quem contrapõe o de avançar. Se no impasse, quando o elástico estica, uma parte não recua e a outra não avança, o consenso se distancia. A resposta a uma pretensão nunca deve ser um monossilábico não. Isso encerra o processo e, nesse ponto fazia referência à lição do filme The Negotiator (1). Se o sequestrador, com o revólver na cabeça do refém, faz um pedido e recebe só um lacônico não, a vítima corre o risco de imediata execução. Para a continuidade do processo é essencial que toda proposta seja seguida de contraposta até que recuos e avanços construam o consenso.

Mas, nos anos difíceis depois de 2014, esse processo foi drasticamente invertido. A Súmula 277, do TST (a ultratividade das normas coletivas de trabalho), vigente até antes da Reforma Trabalhista da Lei nº 13.467/2017, favorecia a postergação do fim do processo negocial, haja vista que garantia a eficácia das normas coletivas de trabalho mesmo após a sua vigência, até que fossem modificadas por novas condições pactuadas. Mesmo que isso assegurasse apenas os benefícios das chamadas cláusulas sociais, enquanto que as cláusulas econômicas não sofriam modificações, ou seja, os trabalhadores ficavam durante a negociação sem reajuste nos salários e nos valores dos benefícios como vale alimentação, cesta básica, auxilio farmácia e outros.

Antes da referendada reforma do Governo Temer, a postergação do processo negocial sob a égide da Súmula nº 277, TST, a postergação era até suportável pela retroatividade a data-base. O que não era suportável agora era se submeter aos cortes salariais e a supressão de direitos propostos pelos empregadores pela alegada crise que fechava empresas e promovia o desemprego em massa. Para se contrapor a esse ambiente de queda da empregabilidade, o governo criou o Programa de Estabilidade do Emprego pelo qual foi permitido que por negociação coletiva a empresa reduzisse em até 30% os salários, sem prejuízo para o trabalhador que seria recompensado no mesmo percentual com recursos do FAT – Fundo de Amparo ao Trabalho. O programa não vingou, tinha muitas amarras e, em mesa de negociação apenas uma empresa em Sergipe aderiu a esse arranjo emergencial.

Foi nesse cenário de insegurança política e econômica, que durante negociação de aditivo a acordo coletivo de um setor da indústria que muito sofreu com a estagnação, que assisti o momento mais doloroso de toda experiência como mediador público. O sindicalista, ativo e experiente negociador, formado no chão da fábrica e amadurecido nos embates salariais e na condução de greves, tentava de todas as formas reagir a pressão e, mesmo golpeado pelas adversidades da realidade, se recusava a aceitar a proposta que sem qualquer contrapartida reduzia salários e cortava gratificações e benefícios presentes na norma coletiva vigente.

A empresa argumentava a necessidade de evitar as famigeradas demissões que já tinham acontecido e a ameaça de novas que estavam para acontecer. O sindicalista, que naquele ano não assinara a convenção coletiva da categoria devido ao reajuste salarial de apenas metade do INPC, surpreendentemente propôs uma saída honrosa. Em lágrimas não contidas, pedia uma contrapartida, uma espécie de compensação “para ter coragem de enfrentar seus representados”: a suspensão das demissões pelo prazo mínimo de noventa dias. Nem essa empregabilidade efêmera foi concedida na celebração do aditivo e, por ironia do destino, o gerente que a negou não conseguiu garantir sequer seu próprio emprego, pois, na semana seguinte passou a engordar também as estatísticas de desempregados naqueles anos doídos.

 (1)      The Negotiator, drama e suspense americano, produzido em 1998, com direção de F. Gary Gray e estrelado por Samuel L. Jackson e Kevin Space, tem como tema central o tenso processo de negociação para libertação de reféns vítimas de seqüestro.

 *Jornalista, professor e advogado.

 

 

ARTIGO

 Os Caminhos de Sergipe. Por Antônio Samarone.

Uma novidade, Sergipe terá um Plano Decenal de Desenvolvimento Sustentável (2020 – 2030). O último, “Problemas de Base de Sergipe”, foi elaborado pela Federação da Indústria, em 1960. Lá se vão sessenta anos.

O presidente da Assembleia Legislativa, Luciano Bispo, anunciou a contratação da Fundação Dom Cabral, uma escola de negócios mineira, para em oito meses, ouvindo a sociedade sergipana, elaborar esse recurso de planejamento.

Não se trata de planejar a gestão de um governante, as suas ações administrativas, como pensou uma autoridade municipal presente. Não! A iniciativa é bem mais ampla. É o planejamento dos destinos da economia do estado, por dez anos. Uma imitação do que faziam os países socialistas, e que ainda faz a China. A economia de Sergipe vai ter um rumo por dez anos.

Essa pretensão confronta o neoliberalismo professado pelo governo Federal. Na visão dominante, não cabe ao estado coordenar a economia, muito menos comandá-la. O progresso depende do livre mercado, da liberdade econômica, cabe ao estado não atrapalhar.

Na solenidade, um decano de economia de alma conservadora, cochichou ao meu lado: “que pretensão, onde o estado vai arrumar recursos para os investimentos”? “A economia hoje é globalizada, os investidores não tomarão nem conhecimento das pretensões sergipana,” insistiu o meu amigo neoliberal.

Eu retruquei: de todo o jeito a iniciativa é meritória. Alguém precisa repensar Sergipe. Eu como acredito que o mercado precisa ser regulado pelo estado, com rédeas curtas, saí animado com a iniciativa.

Na última década, a economia sergipana despencou. A modelo de desenvolvimento iniciado em 1960, com a chegada da Petrobras, centrado em empresas estatais de mineração se esgotou.

Até agora ninguém apontou um caminho para a economia sergipana. É quase tudo na base do improviso! Lembram-se que durante a campanha foi anunciado um projeto que criaria cem mil empregos? Que fim levou esse projeto?

Num estado onde o poder público padece de indigência intelectual, contratar uma empresa para pensar Sergipe é um bom começo.

Vamos aguardar o Plano Decenal de Desenvolvimento para Sergipe, da Fundação Dom Cabral.

 PELO TWITTER

 

www.twitter.com/paulocorcino  “Próximo ano, por exemplo, teremos uma comissão que irá avaliar tudo o que fizemos neste ano de 2019”, diz Chagas. Quando você lê uma resposta desta, dizendo que “por exemplo” e que “irá avaliar”, pode ter certeza, não fizeram nada. Triste pelo meu Estado.

 

 www.twitter.com/RicMarques_RMEnquanto a ARROGÂNCIA for a tônica de alguns “gestores públicos”, o estado de Sergipe continuará falando em crise e os resultados serão pífios. Você aguenta isso?

www.twitter.com/zdoficial  70hs de música vão acontecer em Salvador e até agora NENHUM bloco afro foi convidado…Salvador, deixa eu ver sua alma? Que diabo está acontecendo com a gente no Brasil?  @PrefSalvador, sem os blocos afros não é festival, é farsa.

 www.twitter.com/eduardomoreira

Tiraram dos aposentados

Tiraram das viúvas

Tiraram dos invalidos

Tiraram dos expostos a riscos extremos

Tiraram doa acidentados

Tiraram dos desempregados

Tiraram dos jovens

Seguimos aguardando tirarem dos bancos, herdeiros, dos rentistas…

www.twitter.com/valadaotv Está chegando o dia… 30 de Novembro,  IX Caminhada do Dia Mundial do Diabetes.

 

 

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Frase do Dia

“Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.” Voltaire.

 

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