Indigestão: como evitar e solucionar e qual a sua relação com o sono

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Oração não é pedir. É um anseio da alma. É uma admissão diária das próprias fraquezas. É melhor na oração ter um coração sem palavras do que palavras sem um coração ( Gandhi ).

Em nosso dia a dia costumamos definir um problema do aparelho digestivo popularmente de má digestão ou “indigestão”, que também é denominada pelos médicos como dispepsia funcional, e que significa que existe um distúrbio no aparelho digestivo, que transforma os alimentos em energia e que não está atuando regularmente, mas não causa uma doença orgânica (úlcera, pólipo ou tumor, por exemplo).

É um distúrbio funcional, quer no movimento dos intestinos, quer da dissolução dos alimentos no estômago, na ação dos fermentos digestivos, etc…por isso, é lógico que não aparecem nos exames rotineiros dessa especialidade.

Convém salientar de que os distúrbios de sono são muito mais comuns entre as pessoas que apresentam a dispepsia funcional, do que na população em geral. Além disso, convém frisar de que  segundo pesquisadores da Clínica Mayo, nos EUA, as pessoas que sofrem de problemas gastrointestinais apresentam também maiores níveis de ansiedade e depressão do que aquelas que não apresentam esse problema.

Avaliando dados clínicos e emocionais de mais de 100 pacientes com dispepsia funcional, cuja grande maioria eram do sexo feminino e, comparando com pessoas saudáveis, os especialistas observaram que a escala de ansiedade e depressão era maior entre as pessoas que tinham “indigestão”, principalmente quando os sintomas – incluindo desconforto abdominal, saciedade precoce e náuseas – eram mais graves.

E o índice de testes que mediam a qualidade de sono era similar entre os pacientes com sintomas leves e aqueles que se apresentavam  com sintomas moderados ou graves, mas no entretanto o sono deles era muito pior, comparado ao de pessoas que não tinham nenhum problema digestivo.

Devemos também levar em consideração de que os pacientes com dispepsia funcional com sintomas moderados ou severos tiveram maiores escores no índice de severidade de insônia, comparados aos controles saudáveis e a pacientes com sintomas leves, de forma bastante conclusiva observou-se que as análises estatísticas revelaram que pacientes com dispepsia funcional teriam três vezes mais chances de manifestar distúrbios de sono, que os  que não apresentavam essa patologia digestiva.

Através da  análise do prontuário clínico desses pacientes ficou demonstrado de forma inequívoca de que os portadores de  dispepsia funcional que praticavam exercícios regularmente podim ter um efeito protetor contra os problemas de sono, por isso é que os especialistas têm dúvidas sobre como os exercícios influem, se melhorando o sono e a depressão ou interferindo na digestão, o que nos leva a inferir de que são necessários mais estudos para identificar com bastante certeza essa ação binária digestãoXsono!!!

Flatulência

Um dos sintomas que mais atrapalham as pessoas com problemas  de má digestão são os gases que distendem os intestinos e causam a sensação de peso abdominal, eles  podem sair livremente sem as pessoas fazerem força criando situações desagradáveis e inconvenientes pela flatulência sem controle.

Existem anúncios na televisão de certos tipos de iogurtes que poderiam ajudar nessas situações, que nada mais são do que alimentos  baseados em lacticínios alterados por bactérias e que de forma controversa podem depois de um uso demorado ocasionar por si só causar esses distúrbios digestivos, pois alteram sobremaneira a flora intestinal.

Cientistas de um consórcio internacional coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica francês decifraram 85% dos genes de bactérias existentes no tubo digestivo humano em 2016,descobrindo de que  quase a totalidade dos genes de bactérias existentes no tubo digestivo mostra que o ser humano compartilha uma flora intestinal relativamente similar, ao contrário do que se acreditava.

Admitia-se de forma extremamente equivocada de que quem come mais carne teria bactérias diferentes de quem toma leite e derivados, porém se descobriu de que existe um enorme repertório de 3,3 milhões de genes nas bactérias do intestino, ou seja, 150 vezes mais que o genoma humano inteiro, o que tornou-se um dado que abriu abre várias perspectivas nas áreas da nutrição e da saúde humana, afirmaram os pesquisadores envolvidos no projeto.

Esses estudos estão praticamente concluídos, e após o seu término será possível fazer modificações para corrigir os desequilíbrios da flora digestiva segundo o estado de saúde da pessoa (doenças inflamatórias crônicas do intestino, como a doença de Crohn, alergias digestivas, obesidade, etc.), a alimentação (iogurtes, leveduras ou fungos) ou mesmo a influência das  medicações que a pessoa toma para as várias doenças crônicas, determinando como o papel desses microrganismos no desenvolvimento imunológico e no envelhecimento poderá ser melhor compreendido.

Cerca de mil espécies bacterianas estão presentes normalmente em grande quantidade no intestino humano e cada indivíduo abriga pelo menos 170, sabe-se atualmente de que essas bactérias tem ações muito amplas  desde a síntese de vitaminas e aminoácidos indispensáveis ao homem ou até  à quebra de açúcares complexos importantes para a alimentação.

Alguns cientistas e pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) analisaram os efeitos em pacientes que usaram uma dieta suplementada com fungos Agaricus sylvaticus cultivados no Brasil, fazendo um estudo comparativo com cerca de  56 pacientes (24 homens e 32 mulheres) com vários problemas digestivos graves, inclusive pós cirúrgicos, que fizeram uma dieta por 6 meses com esse fungo ou cogumelo, o que eles observaram é que após seis meses de tratamento, o grupo suplementado teve aumento de adesão à atividade física, melhora da disposição e bom humor, além do que curiosamente as queixas de dores foram reduzidas e houve melhora nas alterações do sono, como insônia e sono agitado.

E também foi observado de que  eles apresentaram ainda melhora do apetite, redução da constipação (intestino preso), diarréia, diarreia alternada com constipação, flatulência, retenção de flatos, pirose (eliminação de gases pela boca, arrotos ), plenitude pós-prandial (após refeições), distensão, náusea e dor abdominal, sendo que nenhum desses fatos clínicos  foram observados no grupo de pacientes que receberam um placebo.

Pirose

Pirose ou azia é a sensação de ardor (queimação) na região que se encontra atrás do meio entre as mamas ( esterno ),sendo que geralmente vem acompanhada de eructação (arrotos) com acidez e aumento da salivação.

Convém frisar com bastante ênfase de que a  pirose é o principal sintoma do refluxo gastroesofágico, ou seja, existe um movimento de contração de baixo do estômago para a boca que leva o ácido gástrico (e por vezes também a bílis) para fora do ambiente estomacal, levando a essa queimação.

As causas da pirose ainda são controvertidas, para alguns é consequência de alimentação inadequada, ou seja, a ingestão de comida excessivamente temperada, gordurosa (como derivados do leite, chocolate, etc.), cafeinada (café, refrigerantes de cola, guaraná), além de excessivo consumo de frutas cítricas e outros hortifrutigranjeiros e do uso habitual de substâncias tóxicas, como o álcool, fumo e outras drogas, como o ácido acetil-salicílico,ou excesso do uso ( ou seja uso frequente ) de alimentos ou bebidas muito quentes ou extremamente geladas, no entanto para outro grupo de especialistas advém de  causas emocionais, sem excluir dores difusas da coluna vertebral e do coração.

O que é alarmante é de que segundo algumas estatísticas, 7% da população mundial tem pirose diariamente, 15% semanalmente e 50% da população, mensalmente.

Uma firma de seguro de saúde de Miami comparou através de questionários um grupo de 1.002 pacientes que tinham tido pelo menos 2 noites da semana anterior queixas de refluxo gastroesofágico (RGE) com fenômenos de pirose e azia, eles então foram divididos em dois grupos: 476  pacientes com sintomas graves de RGE e 526 pacientes que tiveram pouco ou nenhum sintoma noturno e  que foram comparados aos  pacientes controles sem RGE.

Os sintomas dos pacientes com RGE grave tinham alterações do sono mais frequentes e o testes que avaliam a ansiedade e a depressão encontravam-se mais acentuados, já os pacientes com RGE mais grave e os mais leves tinham perda de dias de trabalho e outras limitações funcionais em relação aos  exercícios e lazer quando comparados àqueles que não tinham RGE.

Uma boa semana, com excelente digestão e sem queixas digestivas, tão incomodas como desagradáveis!!!

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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