Jackson encontrou um discurso

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Nunca foi desconhecido de ninguém que o então deputado federal Jackson Barreto aceitou ser candidato a vice-governador de Marcelo Déda porque esse seria o degrau definitivo para finalmente chegar ao governo do Estado. Dos quatro da sua geração, incluindo João Alves, Albano Franco e Antonio Carlos Valadares, ele é o que não chegou lá. Mesmo que não seja eleito governador no próximo ano, provavelmente chegará com a renúncia do titular para disputar o cargo de senador. Provavelmente.

Se Déda renunciar, em abril Jackson será governador. Mas na política sempre há o fator imponderável, falta um ano ainda para que isso se concretize, ou não, e depois tem um acontecimento terrível que torna tudo ainda mais incerto, o verdadeiro diagnóstico da doença do atual chefe do Executivo.
Durante praticamente dois anos, desde que assumiu a vice-governadoria, em 2011, Jackson vinha se comportando como auxiliar de luxo de Marcelo Déda, ajudando a fazer a articulação política do governo, buscando dar ânimo à máquina e exercendo com certa timidez, para os padrões jackseanos, o direito de ser mesmo ungido candidato do grupo que hoje é situação.

A partir do episódio Proinveste e da confirmação da enfermidade de Marcelo Déda, a voz rouca de Jackson voltou a ganhar força. Até a aprovação do financiamento federal, que só aconteceu neste mês, após um longo e doloroso período de gestação, Jackson fez diversos apelos ao bom senso dos deputados da oposição, incluindo reunião com a presidenta da Assembléia, Angélica Guimarães. Após a aprovação, ele soltou o verbo.

“Não vejo motivos para festa. Lamento muito que o senador Eduardo Amorim tenha comandado o grupo dele para, através desse projeto, maltratar e humilhar os interesses do povo de Sergipe. Ao invés de levar em conta os benefícios para Sergipe e sergipanos, Eduardo Amorim e seu grupo pensaram só nos votos de 2014”, disse ao jornalista Jozailto Lima, do Cinform, às vésperas da sanção do projeto, ato ao qual não compareceu.

“O que eles fizeram é uma vergonha. Eles dizem que a saúde de Sergipe vai mal, mas lá no Proinveste tinha, desde a primeira hora, a previsão de R$ 25 milhões para investimento nos hospitais de Itabaiana, Glória, Socorro, Capela e na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes. Tinha dinheiro para o Hospital do Câncer”, lembrou.  “Tinha recursos para adquirir 120 viaturas para a SSP, com eles falando mal da segurança pública. Eduardo Amorim e os aliados faltaram com respeito ao povo de Sergipe. Agiram com intolerância. Eu vou comemorar o quê? Não acho que devemos fazer festa com quem maltratou o povo. Estávamos tratando de mais de 30 obras importantes e isso foi colocado na lata do lixo. Foi tudo analisado pela mera ótica do voto”, provocou.

A declaração começou a irritar os irmãos Amorim, que caíram na provocação. O cabeça do grupo, Edvan, entrou em campo para afirmar que Jackson é um político ultrapassado. “Edvan Amorim disse que sou político ultrapassado. Quero ser ultrapassado, mas não quero ser trapaceiro, com condenação na Justiça como ele”, rebateu JB, no twitter.

Chamado para a briga, ele não parou mais: “Edvan Amorim é um ditador que não tem história. Esse Edvan não tem importância nenhuma. Quem é esse homem?", questionou no programa radiofônico de George Magalhães, Mega FM, nesta semana, afirmando que nem empresário ele é, pois todas suas empresas estão em nome de laranjas. "Quem usa laranja é porque tem algo a esconder da Justiça", disse, classificando-o de zero à esquerda na política. "Edvan não é réu primário e não tem bons antecedentes. Ele não tem currículo, tem folha corrida", bateu, a respeito de processos aos quais o empresário respondeu ou responde.

Edvan Amorim rebateu no Jornal da Cidade: “Não saio contando as confidências dos bastidores, mas vou abrir uma exceção para Jackson Barreto. Se eu não sou nada, se sou um zero à esquerda, porque na véspera da eleição de 2010, no sábado, ele me ligou insistentemente várias vezes e saiu desesperado para ir ao meu encontro em Itabaiana? Não vou revelar o que foi, mas com certeza foi algum tipo de pedido”, respondeu o empresário, lembrando que integrou o conselho político do governador Marcelo Déda, representando o PR, partido que presidiu no Estado. Ele hoje preside o PTB e mantém sob seu arco de interesses uma dúzia de outros partidos.

Mas o que vale dizer é que os irmãos Amorim morderam a isca e Jackson Barreto encontrou o seu melhor discurso para fortalecer o desejo de ser o candidato a governador de Déda, PT, Antonio Carlos Valadares e companhia no próximo ano.
Jackson tem um discurso popular que não combina com nenhum outro político sergipano. Ele diz coisas que não ficam bem e que soariam apenas populistas na boca de outros, mas que ditas por ele são facilmente compreendidas pelos ouvidos do povo. E tendo encontrado o momento certo para exercer o seu estilo bateu-levou, ampliou a divulgação das realizações da administração Déda, tornando-se o verdadeiro comunicador do governo. É ele, mais do que outro, que tem levado ao conhecimento geral que o governo tem sim o que mostrar. E isso, naturalmente, o beneficia.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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