JEFFERSON: BANDIDO OU MOCINHO?

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Quem acompanha a vida política sabe perfeitamente que a participação nas composições políticas é fechada por conveniência de poder. É difícil – talvez até se desconheça isso – que uma legenda integre uma coligação, eleja uma chapa majoritária e encerre aí o seu interesse pelo que conquistou. Seja nas prefeituras municipais, nos governos estaduais, nas instituições e até mesmo em pequenas associações de bairro. Não há como se trabalhar uma chapa majoritária, fazer um comando de administração e ficar absolutamente indiferente ao projeto de poder. Ninguém desconhece que as campanhas eleitorais são feitas com recursos oriundos do Diretório Nacional das legendas, ou mesmo através da ação de uma boa equipe que consiga angariar verba para levar à frente uma campanha paternalista que se faz no país, principalmente no Nordeste.

Aqui mesmo em Sergipe, sem nenhum enrubecimento, um vereador relatou que ganha a campanha, numa cidade de grande porte no estado, usando o santinho e uma nota de R$ 10,00 colocados durante a noite por baixo da porta de eleitores reconhecidamente necessitados. Até hoje não perdeu uma única eleição. Explica a razão: “essa gente amanhece o dia sem ter o que comer e o faz através do dinheiro que coloco. O voto é certo”. Isso é o mais banal que acontece, assim como os milhares de bocas de urnas, com uma diária ridícula, trabalha e vota no candidato que o contratou. E só com essa gente gastam-se milhares de reais. Também aqui em Sergipe, um político em condições de ganhar a Prefeitura, só decidiu disputa-la depois que o Diretório Nacional do seu partido comprometeu-se em pagar sua campanha. Não é nenhuma novidade essa negociação para as campanhas, tanto nos partidos de direita quanto nos de esquerda.

Sem dinheiro não se ganha eleição. Com um detalhe: um candidato em condições reais de eleger-se, não gasta dinheiro do seu bolso. Pelo contrário: guarda sobras de campanha…

O deputado federal Roberto Jefferson (PTB) não é nenhum anjo. Também não está preocupado com o desenvolvimento do país e nem com o avanço ideológico e cultural do seu povo. É um profissional das urnas, que sempre está do lado do poder. Quando se sentiu prejudicado – o que ele chama de traído – botou para fora tudo o que sabia, denunciando as jogadas do poder e, a partir de hoje, é o homem que colocou na boca do povo o tal mensalão, que põe em dúvida a maioria dos parlamentares e precisa ser apurado com muito rigor. De bandido, com a publicação da matéria de Veja sobre corrupção nos Correios, Jefferson se transformou em mocinho e denunciou ao Brasil a podridão que invadiu os porões do Partido dos Trabalhadores, que durante todos os seus anos levantou a bandeira de luta daquilo tudo que combatia.

Hoje o deputado Roberto Jefferson é quem está orientando a pauta do Governo. O presidente Lula está desorientado, o Congresso atônito e a imprensa fazendo um trabalho investigativo que cada vez mais joga lama no ventilador. Foi Jefferson quem pediu que o então ministro da Casa Civil, deputado José Dirceu (PT), que deixasse o governo o mais rapidamente possível para não fazer do presidente Lula o réu, a permanência de Dirceu no Planalto durou pouco mais de 48 horas. Quarta-feira passada, quando Roberto Jefferson resolveu denunciar corrupção em Furnas, o presidente Lula demitiu seus diretores e, lógico, outros ministros ou presidente de empresas públicas devem cair, na medida que Roberto Jefferson for denunciando os fatos escabrosos que estão acontecendo nos gabinetes oficiais. E é assim que Jefferson, que esteve na linha de frente do Governo Collor, que acompanhou FHC e que se juntou a Lula da Silva vai ganhando a simpatia de uma sociedade que jamais pensou ouvir tanta nojeira nos podres poderes.

Roberto Jefferson é um vilão nesta novela imoral, mas o faz com tanta competência que passou a ser simpático à sociedade, assim como foi a terrível Nazaré, da novela global “Senhora do Destino”, incorporada pela excelente Renata Sorah.

CERTEZA
A informação vem de Brasília: é absolutamente certo que pelo menos um deputado sergipano está incluso entre os que recebem mensalão. A fonte amplia que a origem desse mensalão do parlamentar sergipano não sai de Brasília e nem de Sergipe. Quem paga chegará à CPI.

CONVOCAÇÃO
Tudo indica que o governador João Alves Filho (PFL) não fará convocação extraordinária da Assembléia Legislativa. Nos corredores da Assembléia falam-se na possibilidade de auto-convocação, o que vem sendo rejeitada por alguns parlamentares.

PROJETO
Na realidade está faltando votar apenas o projeto que consolida o aumento salarial dos policiais militares. Entretanto, segundo o deputado Augusto Bezerra (PFL), o projeto só chegará à Assembléia no mês de agosto.

PRESENÇA
O deputado federal João Fontes (PDT) envia à coluna a relação de presenças nas sessões plenárias da Câmara Federal, com o objetivo de demonstrar assiduidade. João Fontes relata que faltou apenas por motivos de doença e viagens oficiais de interesse do Congresso. Isso, entretanto, é contabilizado pela Câmara como falta.

SENADO
Setores vinculados ao PSDB já estão trabalhando para uma conversa entre o senador José Almeida Lima e o ex-governador Albano Franco. O objetivo é para o lançamento de uma chapa com Almeida Lima para o Governo do Estado e Albano Franco ao Senado Federal.

ALMEIDA
O senador Almeida Lima ainda se mantém em repouso, para se recuperar do forte stress que teve, quando sua pressão chegou a níveis altos. Almeida está apenas assistindo o que vem ocorrendo no país, mas só vai retornar às atividades políticas a partir de agosto, quando termina o recesso.

RECURSOS
A participação de empresas privadas nas campanhas públicas acontece em todos os estados, dependendo do interesse dos empresários. Hoje a coisa mudou um pouco e chegou a tal ponto que alguns empresários definem a quem ajudar e viajam ao exterior para não serem incomodados.

PÚBLICO
Apesar da insistência de boa parte dos políticos para o financiamento público das campanhas eleitorais, já a partir do próximo ano. Mesmo assim, como comenta alguns políticos, haverá a ingerência do setor privado nas eleições, porque alguns setores privados querem manter a força no Poder.

DISPOSIÇÃO
O prefeito Marcelo Déda (PT) mantém a disposição de disputar o governo do estado nas eleições do próximo ano. Segundo um dos seus aliados, há uma avaliação de que o que está ocorrendo com o PT a nível nacional não está atingindo o prefeito.

DUTRA
Até o momento a maioria dos integrantes do Partido dos Trabalhadores admite que o presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, será candidato ao Senado. A chapa puro sangue incomoda a setores do bloco dd apoio ao prefeito, mas dificilmente será posta uma chapa majoritária diferente.

ENCONTRO
A Juventude do PMDB sergipano participa de reunião nacional da Executiva da ala em Goiânia, que ocorre entre os dias 1 e 3 deste mês. Na pauta, o fortalecimento do movimento jovem nos estados e a conjuntura política nacional, quando os jovens definirão qual a tese a ser defendida pelo movimento.

CONVERSA
O presidente do JPMDB, Elias Júnior, disse que tem conversado com o deputado federal Jorge Alberto, um dos nossos incentivadores, sobre a questão política nacional. “A reforma universitária, por exemplo, é um dos temas que temos discutido e que será apresentado no encontro em Goiânia”, disse Junior.

MACHADO
O deputado federal José Carlos Machado (PFL) vê dificuldade na votação da Lei de Diretrizes e Bases (LDO), dentro da atual situação política. Sem a formação da LDO, a Câmara Federal não poderá entrar em recesso. A informação é que a LDO será votada na próxima semana.

Notas

JORGE
O Deputado Federal Jorge Alberto (PMDB) teve mais um parecer favorável ao seu Projeto de Lei Complementar que dispõe sobre as diretrizes para a fixação da taxa básica de juros. Desta vez o parecer veio da Comissão de Finanças e Tributação. O projeto obriga observar o controle da taxa de inflação.  “Os juros hoje são extorsivos, tanto que somos campeões no ranking mundial. Esse é um problema de todos os brasileiros e, mais ainda, da representação política legitimamente eleita para construir leis”. Diz Jorge.

GREVISTAS
O deputado Jackson Barreto (PTB) apresentou indicação na Câmara dos Deputados solicitando ao governo federal que abra um canal de negociação com os funcionários públicos federais em greve. Jackson destacou as crescentes perdas salariais sofridas pelos funcionários federais ao longo dos últimos anos. Jackson saudou as categorias que estão em greve e em estado de mobilização por melhores salários e condições de trabalho e considerou justa a pauta de reivindicações que incluem pontos importantes da classe.

E-MAIL

A Petros – Fundação Petrobras de Seguridade Social enviou e-mail ontem a esta coluna, esclarecendo a informação veiculada pelo jornal O Estão de São Paulo, de que na agenda da ex-secretaria de Marcos Valério, conteria nas anotações de compromissos do publicitário: “reunião na Petros”. Segundo ainda o comunicado da Petros, “nenhum membro de sua Diretoria Executiva teve qualquer contato com o publicitário Marcos Valério, em qualquer tempo ou lugar. A nota é assina pela Diretoria Executiva”.

É fogo

Os festejos juninos estão permanecendo, a partir de agora, apenas na Vila do Forró. Vai se estender até o último dia do mês.

Alguns servidores se surpreenderam com a antecipação dos salários, feita pelo Governo e Prefeitura de Aracaju.

O deputado federal José Carlos Machado (PFL) deixou o plenário da Câmara, ontem, mais de meia-noite.

A professora Maria Helena Garcia recebeu ontem o título de Cidadã Sergipana, mulher do ex-deputado Gilton Garcia.

O deputado estadual Francisco Gualberto (PT) disse que a Assembléia Legislativa do Estado de Sergipe entrará para o livro dos recordes.

A causa, segundo Gualberto: “os deputados vão analisar, discutir e votar 20 projetos em dois dias”.

O deputado Antônio dos Santos (PSC) é contra a reforma política, que aprove a “lista fechada”, para cargos eletivos.

Para Antônio Santos entende que não representa a vontade do povo, porque será a cúpula partidária que escolherá a ordem da lista.

Alguns deputados estão se manifestando contra a proposta de financiamento de campanha com o dinheiro público.

Até ontem, o deputado estadual Antônio Passos, presidente da Assembléia Legislativa, não tinha recebido qualquer sinal de que haverá convocação extra dos parlamentares.

A Caixa Econômica Federal atingiu em junho a marca dos R$ 50 bilhões em depósitos na poupança.

O Ministério Público Federal (MPF) se prepara para oferecer denuncia contra os donos da Schincariol por formação de quadrilha e corrupção ativa.

brayner@infonet.com.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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