Um encontro inesperado e prazeroso

Representando os meus pares da Sobrames Sergipe e os confrades da Academia Sergipana de Medicina, estivemos na noite da sexta-feira passada ( 14/07/23), na cidade-mãe de Sergipe – São Cristóvão – para a solenidade de abertura do II Simpósio Nacional de Confrarias e Academias de Ciências, Letras e Artes, que aconteceu na histórica Igreja e  Convento de São Francisco.
Foi uma cerimônia marcante, com exaltação à Pátria e aos valores históricos e culturais de Sergipe, coordenada pelo historiador Adailton Andrade, presidente da Confraria Sancristovense de Memória e História, promotora do evento.  O padre, advogado e imortal das Academias de Letras e de Educação, escritor e professor José Lima, proferiu a conferência magistral “Tobias Barreto na Literatura e na Filosofia”, discursando com proficiência sobre a vida e a obra desse notável conterrâneo, Patrono da Cadeira Número 38 da Academia Brasileira de Letras e Patrono da Cadeira 1 da Academia Sergipana de Letras. Além da manifestação do Padre Lima, tivemos a satisfação de ouvir o pronunciamento do confrade José Anderson Nascimento, que na condição de presidente da mais antiga instituição literária de Sergipe em atividade – a Academia Sergipana de Letras – saudou os participantes e as autoridades presentes, entre elas a artista e cantora Antônia Amorosa, presidente da Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe. Um dos pontos mais emocionantes da solenidade, ao final, foi a declamação do poema Monólogo das Mãos, de Ghiaroni, pela poetisa Dirce Nascimento,  do Movimento Cultural Antônio Garcia Filho, que foi ovacionada com muita emoção pelos presentes ao recinto sacro.
Durante o evento, tivemos a feliz oportunidade de conhecer o colega médico e cardiologista, Alberto Gomes Ferreira Júnior, que exerce atualmente o cargo de presidente da Academia de

Dr. Olympio Silveira

Medicina do Pará. Ele estava acompanhando o filho Alexandre, novo Capitão dos Portos de Sergipe, empossado em 7 de julho próximo passado. Um encontro inesperado e prazeroso. Curiosamente, dessas coisas que o destino nos oferece de forma inesperada, ele me propiciou um conhecimento inesperado e muito valioso  sobre um sergipano,  vulto da medicina brasileira. Apresento-lhes o Dr. Olímpio Almeida da Silveira, nascido em 12 de maio de 1879, em um engenho situado na cidade de Itabaianinha. Ao regressar em casa, corremos para o Dicionário que escrevemos e lançamos em 2010, para ver se havia o verbete dele. Decepção no primeiro momento, não encontramos, mas ao folhear as alterações, inclusões e correções feitas para a segunda edição, no prelo – revisada e ampliada – confrontei-me aliviado com a sua biografia.
Como a maioria dos jovens que queriam ser médicos no início do Século XX, seguiu para Salvador para estudar na primeira escola médica do Brasil, a Faculdade de Medicina da Bahia, formando-se em 11 de dezembro de 1905, defendendo a tese “Das relações da elefantíasis dos árabes com a filária do sangue”. Foram seus colegas de turma outros sergipanos: Adolpho Rabello Leite, Constantino da Silva Tavares Filho, Heráclito de Oliveira Sampaio, Moacyr Rabello Leite e Raul Henrique Schmidt.
Muitos deles, após a formatura, não voltavam pra sua terra de origem. Alguns ficavam em Salvador, outros rumavam para outros estados. Foi o caso Dr. Olympio, que seguiu para o norte do país, mais especificamente o estado do Pará. Entre os sergipanos da sua turma, de 1905, Adolpho seguiu para o sul da Bahia, onde atuou e permaneceu por toda a vida. Já Constantino regressou para Sergipe e depois voltou para a Bahia. Heráclito Sampaio transferiu-se para o Rio de Janeiro, Moacyr Rabello voltou para Sergipe e se estabeleceu em Propriá. Raul terminou deixando a medicina para se estabelecer em Salvador, como farmacêutico, instalando a Drogaria Caldas, a primeira de Salvador. Faleceu em 1962 e foi sepultado no Cemitério Campo Santo, nesta cidade.
Em Belém, Olympio foi médico da Casa Marítima e da Inspetoria do Serviço Sanitária. Com outros colegas,  foi um dos fundadores da Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará, em 1919 e integrou, na condição de secretário, sua primeira diretoria. Por sua atuação na vida médica do Pará, foi homenageado como patrono da Cadeira de número 1 da Academia Paraense de Medicina.
O II Simpósio Nacional prosseguiu no final de semana, mas infelizmente não pude prestigiar por ter me comprometido previamente com outros eventos em Aracaju. De toda sorte, está de parabéns a Confraria Sancristovense de História e Memória, tão brilhantemente comandada pelo historiador Adailton Andrade, que perseverou na sua missão e conseguiu realizar em Sergipe, apesar de todas as dificuldades, um evento notável.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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