MUSIQUALIDADE

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L A N Ç A M E N T O

 

Banda: PATO FU

CD: “TODA CURA PARA TODO MAL”

Gravadora: SONY/BMG

 

A banda mineira Pato Fu chega ao seu oitavo CD mostrando-se aprimorada a cada trabalho. “Toda Cura Para Todo Mal”, gravado de maneira totalmente independente pela banda e só depois vendido para a gravadora que resultou da fusão das multinacionais SONY e BMG, é o mais bem resolvido de seus discos.


Formado por Fernanda Takai (voz), John (guitarra e violão), Ricardo Koctus (baixo), Lulu Camargo (teclados) e Xande Tamietti (bateria), o Patu Fu traz treze canções inéditas, todas de autoria de John, que refletem, em suas letras, temas atuais, os quais são desenvolvidos, na maioria das vezes, de forma convincente.


No começo da carreira, a banda chegou a reconhecer que o seu som mesclava influências diversas, dentre as quais algumas advindas dos Mutantes (lendário grupo de rock capitaneado por Rita Lee) e outras da Jovem Guarda (movimento que catapultou para o sucesso a carreira de Roberto Carlos). No novo álbum, essas influências ainda ecoam em faixas como “Uh Uh Uh, Lá Lá Lá, Ié Ié!” e “Agridoce”, respectivamente.


Há a participação especial da cantora portuguesa Manuela Azevedo na faixa “Boa Noite Brasil”, cuja voz se casa perfeitamente com a da vocalista Fernanda Takai, exigindo do ouvinte aguçada dose de atenção para se distinguir quando é uma ou quando é outra quem está cantando. Fernanda, aliás, possui uma voz pequena mas bastante agradável de se ouvir. Se, ao vivo, por vezes derrapa em algumas passagens, no CD se safa de forma inteligente, já que sabe até onde pode ir.


O melhor momento do disco é a balada radiofônica “Sorte e Azar”, candidata a hit imediato, mas há outros bons momentos, como é o caso de “Simplicidade”, quase uma canção de ninar (contraposta, de forma proposital, por efeitos sonoros, programações e distorção na voz), e de “Vida Diet”, com sua letra direta e inspirada. Outras faixas também legais são “Anormal” e “Amendoim”.


Sem tentar reinventar a roda, o Pato Fu fez um disco bacana e que vem sedimentar a sua condição de uma das bandas mais interessantes do nosso cenário musical atual.

 

 

N O V I D A D E S

 

·                     Única atração sergipana, a banda Sulanka estará presente no Festival de Inverno de Garanhuns (PE). Ocupará o palanque principal em show que se realizará no dia 13 de julho (quarta-feira), a partir das 21 horas. Sorte pra moçada e muito som nas caixas!

 

·                     Tinha tudo para não dar certo. Mas deu! Thedy Corrêa, o vocalista da banda Nenhum de Nós, está lançando o seu primeiro CD solo (“Loopcinio”) no qual, através de 11 faixas, revisita grandes clássicos de autoria do excelente Lupicínio Rodrigues. As canções de amor exagerado poderiam resultar em um fiasco quando revestidas por loops e programações eletrônicas, mas o resultado é alvissareiro e traz para as novas gerações um pouco do talento criativo do grande compositor gaúcho. Há a participação da cantora Adriana Maciel (cada vez melhor) em “Recado Não Aceito”, mas os maiores destaques do disco ficam por conta de “Cadeira Vazia”, “Sombras” e “Vingança”.

·                     Em seu novo CD intitulado “Avarandado” (que tem distribuição feita pela Tratore), a cantora Ana Salvagni segue mostrando um trabalho voltado para as raízes. Com repertório direcionado para canções folclóricas e de domínio público, construiu um disco simples mas de resultado bastante agradável. Os destaques ficam por conta das faixas “Favela” (Hékel Tavares e Joracy Camargo), “Você Tem Açúcar” (Roberto Martins e Osvaldo Santiago) e “A Luz dos Olhos Dela” (Paulo Freire e Milton Dornellas).

·                     Sobrinha da produtora Gilda Mattoso e descendente de Francisco de Queirós Mattoso, parceiro de Lamartine Babo, além de integrante da atual formação do grupo Arranco de Varsóvia, Elisa Queirós apresenta o seu primeiro CD solo, o ótimo “Merecimento”. A voz bem colocada e um repertório de primeira fazem desse lançamento uma agradável surpresa. O trabalho tem atmosfera acústica e a competente produção de Sérgio Chiavazzoli. Entre boas parcerias da própria Elisa (“Descanso”, com Kiko Furtado e a faixa-título com Fred Martins), há ainda que serem destacadas as belas faixas “Sei dos Caminhos” (Itamar Assumpção e Alice Ruiz) e “Outono” (de Zé Miguel Wisnik), dois dos melhores momentos do disco. Mas são as certeiras regravações de “Os Cegos do Castelo” (Nando Reis), “Ao Voltar do Samba” (Synval Silva) e “Não Adianta Nada” (Fred Jorge) que vêm denotar indubitavelmente o surgimento de uma intérprete que está pronta para construir uma vigorosa carreira.

·                     Enquanto Vânia Abreu, a irmã de Daniela Mercury, lança, em breve, o disco “Pierrô & Colombina”, no qual canta somente músicas que falam de Carnaval, Vanessa da Mata inaugura parceria com o compositor pernambucano Junio Barreto em música que deverá constar do próximo CD de Maria Bethânia. Falando em Vanessa, o DJ Ramilson Maia assina o remix de “Eu Sou Neguinha?”, faixa do último CD da cantora matogrossense, canção que, aliás, faz parte da trilha sonora da novela global “A Lua Me Disse”.

·                     “Sabotador de Satélites” é o título do segundo CD do grupo Totonho e os Cabra, o qual será produzido por Berna & Kassin. Já Orlando Morais batizou de “Tempo Bom” o seu novo CD que contará com participação especial de Cláudia Leite, vocalista da banda Babado Novo, na faixa “Amor de Carnaval”.

 

·                     A gravadora Som Livre está lançando uma nova trilha sonora para o programinha infantil “Sítio do Picapau Amarelo”. Das músicas originais, permanece apenas a canção-título, interpretada pelo próprio autor, Gilberto Gil, mas numa nova versão, a qual comprova como a voz do atual Ministro da Cultura se encontra debilitada. O CD em si é um balaio de gatos, pois reúne boas faixas com outras medíocres. Dentre os destaques estão: “A Fadinha Tambelina”, com Juliana Vasconcelos (uma ótima revelação!), “Dona Benta”, com Elder Costa, e a excelente “Sem Medo de Assombração” (de Jorge Mautner e Nelson Jacobina), com Ney Matogrosso. Uma boa pedida para a criançada!

 

 

Á L B U M     A T E M P O R A L

 

Joésia Ramos é, sem sombra de dúvida, uma de nossas melhores compositoras. Também uma excelente musicista, canta muito bem, sabendo-se utilizar com maestria de sua voz potente e personalíssima.

 

Em 1997, Joésia presenteou o seu público com o excelente CD intitulado “De Passagem”. Gravado nos estúdios da AV Produções (hoje, Estúdio Três), a cantora de cabelos loiros e olhos claros realizou um dos melhores discos já lançados em terras sergipanas.


Joésia, que trabalha com música desde adolescente e já viveu na Alemanha e no Rio de Janeiro, tem sua música espalhada pelo mundo através de diversas parcerias. No CD ora em tela, elas se fazem presentes em várias faixas. É o caso de Luli que está presente em quatro pérolas: “Mágica Mistura”, “Saudade Nordestina”, “Piaçaba” e “Carta Carioca”. Com Kleber Melo, Joésia compôs a folclórica “Boi de Jadelina”. Da poetisa Maria Cristina Gama, musicou poemas que deram origem à belíssima “Eu Sei” e às inspiradas “Este Céu, Este Chão” e “Grande”, e com a amiga e produtora Jade dividiu o reggae “Maleável” e a faixa-título do CD.

Mas Joésia também compõe sozinha e, quando o faz, igualmente bota pra quebrar. É o que se pode constatar ouvindo o xote “Amor Roxo”, o mantra “Jardim de Xangô” e a romântica “Barcos e Beijos” que já fazem parte do cancioneiro do nosso Estado. Isso sem poder deixar de destacar os inspirados sambas “Sozinha” e “Samba de Neve” que vêm comprovar a versatilidade da artista.


Com um pouco de sorte, o leitor interessado ainda pode encontrar este CD na Casa do Artista, localizada no Calçadão da Rua Laranjeiras. É um disco que não pode faltar na cedeteca de quem reverencia o que há de melhor na nossa música popular.


RUBENS LISBOA é compositor e cantor


Quaisquer críticas e/ou sugestões serão bem-vindas e poderão ser enviadas para o e-mail: rubens@infonet.com.br

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