MUSIQUALIDADE

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R E S E N H A     1

 

Cantora: FAFÁ DE BELÉM

CD: “AO VIVO”

Gravadora: EMI

 

Quase todos os grandes nomes da nossa MPB já mergulharam de cabeça no modismo dos DVD’s. Uma das poucas que ainda não tinha um trabalho registrado visualmente era a paraense Fafá de Belém. A lacuna acaba de ser preenchida com o lançamento, através da gravadora EMI, do registro ao vivo de show realizado em outubro do ano passado no Theatro da Paz, em Belém (PA).

Como não poderia deixar de ser, trata-se de um projeto revisionista no qual a cantora passeia pelas várias fases de sua carreira, pinçando alguns de seus hits. Artista com discografia irregular, Fafá chegou a gravar alguns discos memoráveis, como “Água” e “Estrela Radiante” mas, empolgada pelo sucesso das baladas românticas que assolaram as paradas musicais nas décadas de oitenta e noventa, terminou por cometer alguns deslizes.

Dona de um timbre vocal bonito e peculiar, a cantora sempre foi chegada a interpretações exageradas, muito embora algumas vezes isso tenha servido para dar um charme a mais a seu canto.

No trabalho recém-lançado fica claro que sua voz, embora ainda possante, começa a apresentar os primeiros sinais de cansaço. Fato natural para quem sempre se permitiu cantar em tons altíssimos.

O CD alterna canções mais elaboradas (caso de “Raça” e “Sedução”, ambas de Milton Nascimento e Fernando Brant, “Foi Assim” e “Pauapixuna”, ambas de Paulo André e Ruy Barata, e “Coração do Agreste”, de Moacyr Luz e Aldir Blanc) com outras da fase mais popular (alguns exemplos são “Meu Disfarce”, de Chico Roque e Carlos Colla, “Nuvem de Lágrimas”, de Paulo Debétio e Paulinho Rezende, e “Memórias”, de Leonardo). Algumas das músicas que sedimentaram o seu nome no inconsciente coletivo nacional, todavia, terminaram ficando de fora, como “Bilhete” (Ivan Lins e Vitor Martins) e “Cavaleiros da Esperança” (Kleiton Ramil e Fogaça). Já o DVD alberga mais seis faixas que o CD (dentre elas uma seleção de carimbós e as conhecidas “Sob Medida”, de Chico Buarque, e “Dentro de Mim Mora um Anjo”, de Sueli Costa e Cacaso) e ressalta a alegria e a energia características de Fafá, emolduradas por um cenário apropriadamente colorido.

Embora bem-vindo, está na hora de a artista começar a pensar em um próximo trabalho repleto de canções inéditas.

 

 

R E S E N H A     2

 

Cantora: SELMMA CARVALHO

CD: “O QUE SERÁ QUE ESTÁ NA MODA?”

Gravadora: INDEPENDENTE

 

Desde muito cedo que a cantora e pianista Selmma Carvalho demonstrou aptidões artísticas. Natural de Nova Lima, a artista mineira vem batalhando para demarcar o seu espaço no competitivo mercado fonográfico nacional desde 1995, ano em que gravou o seu primeiro disco, no qual já antecipava refinamento na escolha do repertório, tanto que daquele CD constam escolhas pouco óbvias de autoria de Walter Franco (“Me Deixe Mudo”), Luiz Gonzaga (“Bilu Bilu”) e Vinicius de Moraes (“Ai Quem Me Dera”), o que a credenciou para que em 1997 fosse indicada ao Prêmio Sharp de Música na categoria de cantora revelação.

Em 2000, lançou o segundo álbum intitulado “Cada Lugar na Sua Coisa” e, de novo, mostrou-se bastante antenada ao gravar os talentosos Zeca Baleiro (“Se Você Me Ama”), Carlos Careqa (“São Solidão”) e Chico César (“Do Campo”).

Atualmente, acaba de chegar às lojas o seu terceiro álbum intitulado “O Que Será Que Está na Moda?”, uma produção independente que se transforma no seu melhor trabalho, credenciando-a a alçar vôos cada vez mais altos.

Foram inúmeras audições, pesquisas com sonoridades e diversos testes de arranjos até que se chegasse ao resultado final do disco recém-lançado, o qual leva a assinatura do competente Rogério Delayon na produção e na direção musical.

Selmma canta legal, com uma voz burilada por anos de estudo. É verdade que não possui um timbre único (por vezes lembra o de Jussara Silveira) nem se mostra propensa a interpretações teatrais, mas é incontestável que faz muito bem feito aquilo a que se propõe.

Vivêssemos em um país mais consciente musicalmente falando e ela já teria o seu trabalho reconhecido pois se denota o empenho depositado desde o trabalho gráfico até as músicas escolhidas (estão presentes canções assinadas por Nando Reis, Verônica Sabino, Tata Spalla, Batatinha, Vítor Ramil, Kali C. e Suely Mesquita).

Os melhores momentos ficam por conta da bela inédita “Pra Ser Levada Em Conta” (presente do conterrâneo Vander Lee) e das boas releituras de “Polaróides” (de Celso Fonseca e Ronaldo Bastos), “Sinal dos Tempos” (de Antônio Villeroy e Bebeto Alves) e “A Espera” (de Kleber Albuquerque). Mas a nova versão do hit da Jovem Guarda “Eu Daria a Minha Vida” (de Martinha), com direito a citações em rap, também se revela uma ótima sacada!

 

 

N O V I D A D E S

 

·               Quarta-feira próxima (dia 28), a partir das 21 horas, vão estar juntas em show a ser realizado no Teatro Atheneu as excelentes Joésia Ramos e Patrícia Polayne. Imperdível!

 

·               Já no dia 30 (sexta-feira), a partir das 21:00 horas, também no Teatro Atheneu, irá se realizar o show “Caderno” do cantor e compositor sergipano Minho San-Liver, oportunidade em que será gravado o primeiro DVD do artista. Todas as tribos vão estar por lá prestigiando o talentoso rapaz!

 

·               E pra terminar a semana, na sexta-feira (dia 31), no mesmo horário e local, o cantor Gladston Rosa estará lançando o seu primeiro CD em show oficial que contará com as participações especiais de Chiko Queiroga e Antônio Rogério.

 

·               Foi lançado semana passada, junto com as festividades referentes à comemoração dos 152 anos desta Capital, o CD “Retratos de Aracaju” que condensa a obra do compositor Hugo Costa através de canções gravadas por vários intérpretes, dentre eles: Lina Souza, Neu Fontes, Nino Karva, Iracema e Gwendolyn Thompson. Boa pedida!

 

·               O Quinteto da Paraíba acaba de lançar um CD em que revisita canções de Chico César e Lenine, extraindo delas lirismo e timbres inusitados. A reinvenção das canções passa também arranjos supreendentes, repletos de efeitos especiais integralmente tirados dos instumentos musicais utilizados, conseguindo se transformar em um trabalho ao mesmo tempo futurista mas com agradável sabor regionalista. Os destaques maiores ficam por conta das faixas “Leão do Norte” e “Pedra de Responsa”.

 

·               Acompanhada de músicos do porte de Tuco Marcondes (guitarra e violão), Fernando Nunes (baixo) e Adriano Magoo (teclado), a cantora Nila Branco chega ao seu terceiro CD, o primeiro gravado ao vivo. A artista possui uma bela voz (grave e potente) e investe sem receio na praia do pop rock. Dentre alguns sucessos já colecionados na curta carreira (“Diversão” e “Chama”, ambas de autoria de Jeff Garcia e Guilherme Bicalho), também fazem parte do repertório canções de Kiko Zambianchi (“A Nossa Música”), Paulo Miklos (“Hoje”), Alvin L. (“Pra Ninguém”), Zeca Baleiro (“Skap”) e Nando Reis (“Dessa Vez”). George Israel, integrante da banda Kid Abelha, faz participação especial na faixa de sua autoria “Eu Estou Aqui”.

 

·               O próximo CD de Elba Ramalho já está prontinho e receberá o vigoroso título de “Raízes e Antenas – Qual o Assunto Que Mais lhe Interessa?”. Produzido por Lula Queiroga, o novo álbum trará dezesseis faixas entre inéditas (“Pra Sempre”, do próprio Lula, e “Os Beijos”, de Pedro Luís e Ivan Santos) e regravações (“As Forças da Natureza”, de João Nogueira e Paulo César Pinheiro, “A Dança das Borboletas”, de Zé Ramalho e Alceu Valença, e “Novena”, de Geraldo Azevedo).

 

·               O primeiro DVD de Elza Soares chegará ao mercado ainda neste primeiro semestre e terá como base o registro do show que a excepcional cantora realizou recentemente no Teatro do Sesc Vila Mariana, em São Paulo. O compositor Zé Miguel Wisnik foi o responsável pela direção artística do espetáculo, enquanto a parte musical ficou a cargo de Eduardo Neves. Dentre as canções incluídas no repertório estão “O Meu Guri” e “Dura na Queda” (ambas de Chico Buarque), “Volta Por Cima” (de Paulo Vanzolini), “Malandro” (de Jorge Aragão e Jotabê), “Beija-me” (de Roberto Martins e Mário Rossi), “Estatuto da Gafieira” (de Billy Blanco) e “Pranto Livre” (de Dida e Everaldo da Viola).

 

 

RUBENS LISBOA é compositor e cantor


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