Não ser conseqüente até o fim

Não ser conseqüente até o fim

 

 

Araripe Coutinho

 

 

Algo me estarreceu, mais que a renúncia de Fidel Castro. Na Globo News foi transmitido direto do parlamento a escolha do nome do seu sucessor, seu irmão Raúl Castro. Ao citar o nome de Fidel, o parlamento aplaudiu de pé. Ser conseqüente até o fim às custas da imposição de um regime autoritário  não me parece sensato, nem justo. Aliás a frase escolhida de Oscar Niemeyer para ilustrar a saída do ditador, nos faz imaginar o quanto a idéia do comunismo, ultrapassada e vencida, fez de cidadãos de bens reféns, em busca de uma ideologia que sempre permeou as comendas da farda de Fidel.

Durante mais de cinco décadas Cuba viveu sob o terror, patrocinado por Fidel e seus aplaudidores e mais que isso: torturou, impôs barreiras, embargos, tornando seus cidadãos pagãos de uma política opressora e arbitrária. Não devemos ser conseqüentes até o fim. Para um gênio como Oscar Niemeyer, mas que sempre teve acesso aos dólares em seus projetos, talvez Fidel seja mesmo – na sua opinião – um homem impressionante. Várias crianças foram molestadas, mães sacrificadas, escritores mortos e jornalistas desaparecidos no regime Castrista. Reinaldo Arenas se matou e tantou outros que viram Cuba se degenerar como um apêndice do regime imposto – inimigo da liberdade. Emocionar-se com a renúncia de Fidel é compactuar com a tortura, a arbitrariedade, o crime. As diferenças sempre foram levadas à ultima instância, tornando Cuba uma ilha de prostituição degenerada, pessoas se vendendo por um dólar, enquanto seu Fidel e asseclas fumavam os mais finos charutos. A sociedade cobra mudanças, e não há esquerda, nem direita, nem extrema direita – mas urge – renovação de princípios e idéias, como fez a China abrindo-se para a economia mundial. Mas Cuba, não, ficou lá atrás – no sonho roto de seu Fidel, sendo conseqüente até o fim às custas do sangue dos inocentes. Sua obsessão sempre foi os EUA e isso deu ao mundo uma versão que ele – Fidel  – era do bem.  Cuba proibia até cubanos de se hospedarem em hotéis para turistas, atletas que perderam suas vidas, obrigados que sempre foram de ser fiéis à cuba numa miséria total que vai da ausência de remédios à própria degeneração de ausência de horizontes. Ser conseqüente até o fim a gente pode ser na nossa vida particular – na vida pública – temos que ser maleáveis, dispostos a travar guerras em busca do bem comum, e não – insanamente – tentar colocar todos sobre a sua rédea, vestindo fardas puídas de ditadores frustrados, enquanto o filé mignon e o vinho de safra especial não deixa de chegar à sua mesa. Fidel, mesmo doente e vencido, acredita ser o Che da revolução Cubana às custas da miséria do povo. É o Hitler do novo milênio, combatente de estatura elevada e olhos argutos. O seu regime sempre foi falido e fajuto – tipo aquele pai que bate na mulher e envergonha os filhos – e se apresenta aos domingos na igreja como chefe de família. Ser conseqüente até o fim, talvez não seja o melhor caminho, porque o mundo não opera numa só direção, num mesmo pensamento. A passagem do poder para seu irmão apenas acrescenta mais uma farsa à falsa transição. Podemos ser conseqüentes em nossas casas, projetos, na sala de aula – mas a versão não é unilateral, nem possui só uma mão única. O povo Cubano  que o diga. E que continuemos incensando homens como Fidel, onde homossexuais, americanos, mulheres, crianças e “degenerados” têm que ser executados – fisicamente e psicologicamente, no quadro mais caótico de imposição de um homem que fez de Cuba a ilha mais triste do mundo.

 

IGREJA, CANAIS E DITADURA

 

É um escândalo rádios e tvs terem como donos pastores. É uma incompetência total do Congresso em não criar e aprovar uma legislação que norteie esta pauta. Eles começam donos de rádios, tvs, jornais e agora se acham donos da voz dos jornalistas – que têm que dizer que esta ‘guerra santa’ contra a imprensa é legítima(?) Pastores, padres, missionários – com raras exceções – querem dinheiro, vida boa e farta e estão donos de quase todas as emissoras do país – país este omisso, entregue à venda de Jesus,  onde eles fazem questão de confundir religião com sexo, sucesso e poder político.

 

 

FRASE DO DIA

 

Carpe diem.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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