“Nouveau Record”.

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Com o título “Nouveau record de l”inflation en mai dans la zone euro, à 3,7 %”, leio no Le Monde matéria principal de hoje, 16 de maio de 2008, que a inflação na zona do euro atingiu a cifra recorde mais elevada ainda que a esperada em razão do aumento dos preços de energia e dos alimentos.

 

Era esperada até 3,6%, porém, a inflação atingiu 3,7% em maio ao ano, um recorde histórico depois da criação da zona do euro em 1999. Por causa disso o Banco Central Europeu soou o alerta vermelho. O G8 das finanças reunido sexta e sábado últimos em Osaka, insistiu nos riscos inflacionistas da economia, afirmando que a elevação dos preços do petróleo e dos alimentos representa um grave desafio ao crescimento mundial estável.

 

No mês de abril a inflação tinha ligeiramente arrefecido a 3,3% ao ano, e em maio de 2007 ela era de 1,9%. A taxa de inflação mensal se elevou a 0,6% em maio de 2008.

 

Os principais componentes presentes no aumento das taxas de inflação européia foram os alimentos (6,4%), os transportes (5,9%) e despesas com alojamentos (5,7%). As taxas anuais mais baixas foram observadas para as comunicações, (1,7%), laser e cultura (0,1%) e vestuário (0,7%). Donde a concluir que a zona do euro está excelente para se realizar passeios e turismo.

No conjunto da União Européia, em maio, as taxas anuais mais fracas se deram na Holanda (2,15 %), em Portugal (2,8 %) et na Alemanha (3,1 %), e as mais elevadas na Letônia  (17,7 %), na Bulgária (14 %) e na Lituânia (12,3 %).

 

O EURO PERMANECE FORTE.

 

Segundo a Sra. Tumpell-Gugerell, uma das diretoras do BCE, a inflação deve ser compreendida como um sinal de alerta. “Se estas elevações de preço conduzirem a um endurecimento das expectativas de inflação, toda nova elevação de  preços e de salários poderá então deflagrar uma espiral de inflação para o alto”, adverte ela.

 

Embora o Banco Central Europeu tenha mantido sua taxa de juros inalterada em 4%, madame Trinchet não excluíra um leve aperto na política monetária num futuro próximo. Aplicando o mesmo remédio que se emprega no nosso Banco Central, “o BCE vai certamente aumentar suas taxas de 4% para 4,25% quando da reunião de julho”, segundo estima Howard Archer, da Global Insight.

 

Após o anúncio deste novo recorde da inflação o Euro retornou nesta segunda-feira, fortalecido frente ao dólar. Mesmo depois da divulgação da taxa de inflação, do apelo dos ministros das finanças do G8 em favor de um dólar forte, e do não irlandês ao referendum europeu.

 

Como não há perspectiva de redução dos preços do petróleo em curto prazo, nem diminuição de bocas no mundo, o consumo ampliado está ameaçar todas as economias do mundo, aí incluídas as mais saudáveis, como se prenunciava a união européia.

 

BRASIL PAÍS DO FUTURO

 

Neste contexto, é de se esperar que o Brasil terá muita chance agora de se tornar o país do futuro como assim previra Stefan Zveig, e nós não acreditamos, desde então, sobretudo porque o próprio Zveig desistiu deste paraíso se suicidando em Petrópolis, ele e a mulher. Mas, isto é outra história. Não vem ao caso.

 

O que interessa agora é que nesta crise de petróleo caro e redução de alimento, o Brasil não está carente. Se as nossas reservas petrolíferas serão uma promessa ao longo prazo, elas poderão também restar inúteis nos campos de águas profundas se o mundo dominar a fusão nuclear e criando o automóvel movido a hidrogênio. Só o futuro dirá se seremos da OPEP ou não. Por ora nossa maior louvação é a produção de álcool e biocombustíveis representando uma real fonte de divisas, já agora. O mesmo se dá com os sucessivos recordes de produção de grãos.

 

Retornam, porém, nossos endêmicos males; a inflação, e a cultura do bicho-de-porco. A inflação é a nossa parasita contumaz; espécie de orquídea, por ilusória, enfeitando e alucinando toda nossa história, em dividas e pagamentos nunca remidos.

 

Quanto à cultura do bicho-de-porco, ela vem da qualidade dos nossos políticos, vazios e demagogos por excesso, sempre prometendo o inexeqüível e o irrealizável, impedindo o país de andar e crescer, fulminando o pé em coceiras e chulé.

 

CULTURA DE BICHO-DE-PORCO.

 

Assim, por esta cultura de bicho-de-porco, o povo unido sempre é iludido nas promessas tolas e nas passeatas inúteis que rotineiramente resolvem destruir o pouco realizado. Que o digam as manifestações e as depredações estimuladas pela falta de repressão, em que ditas “minorias espoliadas” resolvem manifestar suas frustrações estimuladas pela agitação irresponsável de líderes políticos de poucos votos. Sem falar do grande sonho nacional de sombra e água fresca numa sinecura oficial. Com tais endemias, o Brasil pode sempre degringolar. E ainda culpam o imposto do cheque, agora CSS, de todo nosso mal.

 

Quanto a remédios, não há outros. Que o diga o Banco Central Europeu que promete elevação das suas taxas. Igual ao daqui; neste governo, no governo que saiu, e em todo governo que se seguiu. O que há a lamentar é que os nossos juros são altíssimos, mas não se pode nem os abaixar, sob pena do dragão inflacionário retornar com todo vigor.

 

Por outro lado é preciso falar da desigualdade social. Lá na zona do Euro, não tão grande, e aqui muito grande e bem pior.

A desigualdade social numa população contida e com baixo crescimento populacional é fácil de solucionar, embora seja um perigo em longo prazo por chamariz de imigração desqualificada e até o desaparecimento enquanto raça. Já por aqui, resolver o problema dos pobres é um desafio para os nossos governos. E quem tem que resolver é o Estado e não a sociedade abastada e a sua cultura de bicho-de-porco, também, que lhe é indiferente.

Se o povo acreditar no que pregam os tributaristas e economistas nutridos e bem pagos pelas classes abastadas, o fosso econômico permanecerá inalterável, cada vez mais se agravando, suscitando a revolta ou a sangrenta revolução que não nos atingiu até agora. As classes abastadas dizem estar pagando muito imposto, sobretudo os que se eximem os que escapam da rede fiscal que ainda não consegue alcançar todos.

 

RETORNO À INCONFIDÊNCIA MINEIRA. 

 

A história sempre relata que as grandes discórdias em cada povo se deram para não se pagar imposto.

Lembremos a nossa Inconfidência Mineira, natimorta por somenos cancelamento da malfadada “derrama”.

O mesmo se diga da Revolução Francesa; nobreza e clero não pagavam impostos, e a burguesia assim também queria.

E assim aconteceria, não fosse a irreversibilidade da fera despertada. Cutucaram o povão com vara curta e foi um mata-mata tão irrefreado que não escapou ninguém; nem os recalcados, nem os bem intencionados, levando os tolos e os sábios, junto com os radicais e os que ali estavam na hora errada. Tudo o que não nos aconteceu ainda, graças a Deus, na nossa História, mas que as nossas elites ainda continuam a teimar em desafio ao próprio abrigo de Deus.

 

Dizem ao povo docilizado que os problemas sociais serão resolvidos pelo estado mínimo, cobrando pouco imposto, e assim eis agora a CSS, o imposto do cheque surrado em praça pública.

 

Eu penso que os nossos problemas só serão resolvidos com uma tributação maior. A permanecer a atual, não haverá futuro para a nossa pobreza. Seguir-se-ão, por observado no nosso entorno, as revoltas, as invasões, a anarquia rebentando a máquina pouco ou mal azeitada. As nossas disparidades sociais só serão resolvidas com contribuições como a do cheque retiradas dos abastados e dos sonegadores e distribuídas pelo Estado em programas de saúde, alimentação, educação e casa própria.

 

E O ENGODO FINANCIADOR DA CASA PRÓPRIA?

 

Não é terrível contemplar uma propaganda de financiamento da casa própria em trinta anos? “Trinta anos não são trinta dias, como dizia a minha vizinha patusca” vizinha do nosso genial Nelson Rodrigues.

Pagar trinta anos para adquirir uma casa é revigorar a escravidão em sola pátria, horror que o nosso Nelson não teatralizou.

 

Quem ganha o salário mínimo, por exemplo, só pode financiar um imóvel no valor de R%17.000,00, num prazo de 300 meses (25 anos, que é uma eternidade), com R$119,19 de prestação inicial, juros nominais(aa) de 6,0000%, juros efetivos(aa) de 6,167%.

E por hilário, aos detentores de conta do FGTS superior a três anos tem sua prestação inicial baixada para R$113, 52, com juros nominais de 5,5% e juros efetivos de 5,640%, ou seja, quanto mais carente e no limiar servil da mendicância, o sujeito é mais punido ainda.

 

Como dizer ao abastado que uma grande massa do povo está a exigir as mínimas condições de sobrevivência digna? Isso não é seu problema? É! Se não o é, que o Estado assuma o ônus de deles retirar o excesso, eu e a classe média incluídos, na força bruta ou pela maneira mais branda.

 

Se acharem ruim o imposto do cheque, os outros serão piores por mais dolorosos. E o imposto do cheque, esta forma terna e despercebida, ou outra mais percebida, por mais choro, reclamação, violência e até por injustiça e perseguição, virão no coro do desenvolvimento e do aparelhamento tecnológico, com câmaras escondidas e quebras de sigilos ardilosas.

 

A SONEGAÇÃO, A ESCRAVIDÃO E A LUTA CAPITAL-TRABALHO.

 

Da grande sonegação vem por origem a nossa desigualdade social e a exploração do homem pelo homem. Que o diga a nossa escravidão negra.

Que terrível, a exploração do homem pelo homem!

Fomos um dos últimos países do mundo a sonegar um salário ao trabalhador! E até hoje este salário é vil, embora o presidente Lula o tenha elevado ao seu maior valor em toda história. Em qualquer índice! No dólar, no Euro, em qualquer moeda forte tomado como padrão.

 

Se a luta capital trabalho está latente e dormente, não se a creia ausente por morte das utopias socialistas. Ela ressurgirá em nova forma, e o sonegador será o seu alvo maior.

 

Sonegar imposto é crime. Todo mundo sabe, mas até hoje ninguém viu um sonegador na cadeia, muito menos pagando cesta básica, esta pena idiota criada nos novos tempos de muitas santidades de pau-oco. Sim, porque pagamento em cesta básica em punição educacional de determinados crimes é atentar contra a seriedade da punição do erro. Coisa de devoção a pau-oco.

 

Mas, isso é outra estória, um assunto para outro dia. Por agora, o que nos interessa dizer é que, tanto aqui quanto na zona do Euro, o assunto do momento é o nouveau record da inflação em crescente, sendo-lhe preceituado, aqui e lá, o remédio amargo do aumento dos juros para redução do consumo.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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