Se há sigilo da fonte sou contra.
“Mas o sigilo da fonte é um preceito constitucional!’, explicita meio mundo de gente que se sente ameaçado.
Se está na Constituição, eis mais uma razão para fazer boa poda, afinal o sigilo da fonte só existe para esconder o covarde que se escoima, por detrás de sua moita.
Todos abemos que não existe anonimato para o cometimento do erro.
Que o digam os censores de reconhecimento facial cada vez mais utilizados na via pública, inclusive!
Que o diga também a universalização via Cadastro de Pessoa Física, cada um tendo uma numeração para identificação, quase a partir da lactância do contribuinte, enquanto compulsório pagador de impostos, sendo catalogados as impressões digitais, a partir do pezinho, captado via censor óptico, sem falar de outras capturas via íris ocular e até mesmo reconhecimentos vários, vias DNA, cada vez mais utilizados até por rastros outros, de unha, penugem e até suor, onde o céu é o limite na capacidade inventiva do homem, só para dizer que a ninguém é dado o direito de se mascarar impune.
Imunemente, porém, o homem teima em enganar o seu semelhante, desde os tempos antanhos de Caim, que se sentiu nu, assim despido, e denunciado sem conseguir arranjar um disfarce que o acobertasse enquanto proto-assassino fratricida, frente a criação.
O sigilo, portanto, está inserido na origem do mal.
E o jornalista, esta alma tão suave e canora enquanto posa, ao invocar para si o sigilo da fonte como algo pétreo, inconsútil e inviolável, quer adquirir um poder que a ninguém deveria ser permitido, afinal o que ele maneja é uma arma leve, muito leve, mas terrivelmente danosa, por letal.
E que não venham dissertar em bons-mocismos, em alma nobre de andantes cavaleiros na busca do bom e do justo.
Não! O bom cavaleiro não se mascara. Ele campeia a céu aberto, desabrido. O seu elmo é proteção, como bom escudo, nunca um disfarce, para o cometimento do erro.
O anonimato é sempre o melhor testemunho da pusilanimidade.
E na atual herdade, em que a novidade não é mais a Xilogravura da Prensa de Gutemberg, nem o Linotipo, o Offset, e o Copidesque, muito menos as Ondas de Rádio, qualquer delas, curtas, médias ou longas, AM ou FM, todos inumados sem prantos, por Sons e Cores de TV, todos desbancados agora pela Internet, que democratiza e amplia incomensuravelmente a informação.
Uma novidade que se repete, da qual se revoltam muitos, vendo aí uma barbarização de costumes, reedição da velha repulsa à destruição criativa de que nos falou Joseph Schumpeter em 1942, enquanto processo econômico no qual novas inovações e tecnologias substituem e tornam obsoletos produtos, empresas e métodos antigos.
Em pranto igual aquele que satanizou a primeira carruagem sem cavalo surgida em New York no dealbar do século que passou, um veículo barulhento e perigoso que aposentaria todo um entorno de alimária, e estribaria, aí incluídos até ração forragem e limpeza urbana, e que nos ficou até hoje, permitindo que todos e qualquer um pudesse conduzir o seu próprio veículo, ser seu próprio chofer, homem ou mulher, por comodidade simplesmente.
Se o pranto de antes era dos proprietários de carruagens, fiacres, berlinetas ou caleças, frente ao Ford de Bigode, fumacento, hoje, em prévias invasoras do automóvel elétrico, campeiam os jornalistas, sendo chamados de “jornazistas”, termo pejorativo que mistura as palavras “jornalista” e “nazista” porque aqueles, sentindo seus empregos ameaçados, combatem os “blogueiros”, vendo aí uma atividade marginal e desprezível, espécie de ave de arribação predatória a exterminar.
E como o extermínio se faz sempre com proibições, eis que agora ressurge o debate da exigência da formação acadêmica do Jornalista.
Neste campo literário, há jornalistas formados e há os sindicalizados. Há aqueles de coluna muito referidos e visitados, outras não tanto, isso independente de serem graduados ou de pagarem ao órgão representativo da atividade laboral.
Sem ser jornalista graduado ou sindicalizado, a Infonet me acolhe como “blogueiro” desde junho de 2007, quando iniciei após contato com a Jornalista Raquel Almeida, que me recebeu com muita ternura e acolhimento.
Anteriormente eu escrevia nos diversos jornais de Aracaju, no Jornal de Sergipe, na Gazeta de Sergipe, no Jornal da Cidade, no Cinform, no Jornal do Dia e outros periódicos de circulação interna.
Quis vir para a Infonet, inspirado nos textos que aqui encontrei: Luiz Antônio Barreto, Ivan Valença, Luiz Eduardo Costa e tantos outros, todos excelentes.
Na minha chegada, a Jornalista Raquel Almeida tirou o meu retrato para encimar o blog.
De lá para cá, faço questão de atualizar a fotografia. Não me anima mascarar qualquer decadência.
Se meus textos não ensejam grande procura, espanta-me algumas vezes ser lido em plagas distantes. A rede mundial de computadores permite isso.
Em verdade, escrevo para oxigenar meus neurônios, não sendo candidato a nada, nem a membro de confraria, nem a síndico de meu condomínio.
Agradeço a Infonet por continuar a me acolher como “Blogueiro”, palavra que me parece excessivamente anódina.
Ver-me-ia melhor como um “Colunista” ou “Articulista”, mas “Blogueiro” me cai bem. Não acresce nem me reduz os ganhos.
Nos tempos atuais, contemplo a nossa imprensa excessivamente de “esquerda”. Uma hemiplegia mental, quem quiser que pense diferente.
Creio que é por isso que os jornais vêm perdendo assinantes.
Os jornais não querem ser abertos a todos os pensamentos e assim a Internet, decretou ampla alforria no YouTube, no Instagram e no X.
Eu não sei quantos acessos reúne um blogueiro nos seus textos, alguns, porém, creem estar elegendo muitos dos atuais candidatos.
Não é o meu caso.
Costumo dizer: “Hic num sunt dracones”. Negação à expressão latina Hic sunt dracones”, traduzida como “aqui há dragões”, historicamente usada em mapas antigos para indicar áreas desconhecidas ou perigosas.
Nos meus escritos todos podem mergulhar sem perigos incertos.
Por isso não me causa espécie esse dano terrível da “malfadada quebra de sigilo da fonte.”
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