PAU-BRASIL DE VOLTA AO SOLO SERGIPANO

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O confrade William Soares, da Academia Sergipana de Medicina pesquisou em bibliotecas  e na

Ac.William Soares
internet, visitou especialistas, instituições nacionais e estrangeiras e confirmou a sua suspeita. Sergipe teve sim pau-brasil, que a gana dos europeus, principalmente dos franceses, usurpou do nosso solo para construir palácios e indumentar príncipes, reis e o alto clero. Soubemos disso ao assistir a sua palestra no tradicional almoço da Somese, que aconteceu nesta quinta, 10 de abril.

Prestigiado pelos seus confrades da Academia, entre os quais me incluo, Déborah Pimentel, José Hamilton Maciel, Petrônio Gomes, Henrique Batista, Anselmo Mariano Fontes, Marcos Ramos (preocupadíssimo com o Aedes), companheiros do Lions Club, os deputados Angélica Guimarães e Prof. Vanderlê, os jornalistas Alexandra Brito, Magna Santana, Ivan Valença e André Barros, os presidentes do Conselho Regional de Medicina e do Sindicato dos Médicos, Josilávio Araújo e José Menezes respectivamente, um entusiasmado William nos apresentou a sua belíssima campanha de trazer de volta ao solo pátrio gentil do cajueiro dos papagaios, mais de mil mudas da árvore que deu nome ao nosso país, aliás o único país do mundo que leva o nome de uma árvore e que deixa a sua floresta amazônica, paradoxalmente,  ser criminosamente devastada.

A reunião almoço contou ainda com as presenças dos colegas Alvimar Moura, Agnaldo Fonseca, Zairson Franco, Carlos Anselmo, Fábio Aricawa e foi conduzida pela Diretora Cultural da Somese, a colega Tania Rodrigues.

Bem que o ilustre esculápio poderia comemorar os 10 anos de existência do Instituto de Oncologia San Giovanni com uma recepção primorosa num desses salões de festa da cidade. Com certeza, teria mais repercussão e badalação, com notinhas em jornais e nas colunas sociais. Não, senhores, esse não seria o Dr. William Soares, com a sua bendita “loucura”, já evocada pelo saudoso Mário Rigatto, nosso grande e fraterno amigo. Se assim procedesse, não seria o recém chegado de São Paulo que conheci em 1993, apresentado por Fernando Barbosa para compor a nossa chapa nas eleições da Somese. Ocupou o último cargo na diretoria, o de Diretor da Biblioteca, pois era o que restava, mas terminou sendo o meu maior colaborador. No segundo mandato, ele foi “promovido” por méritos para o cargo de Secretário Geral. E então fez coisas que até o diabo duvida: fundou o Cineclube, o PAMC e o PEMC, programas de educação continuada para médicos e de intercâmbio com a comunidade, o Caderno Científico do Jornal da Somese, a Farmácia Comunitária da Paróquia São José, trouxe a Pastoral dos Pobres para dentro da SOMESE, fez campanhas e quermesses para angariar fundos para as ações assistenciais do Padre Amaral. Fez com que  minha administração fosse um sucesso e em reconhecimento ao seu esforço e dedicação, tornou-se meu sucessor na presidência da SOMESE e continuamos juntos colaborando na sua diretoria. Criou o tradicional almoço das quintas-feiras, ampliou a sede social da entidade, dotando-a de mais um pavimento e fez um belíssimo jardim na entrada da Somese, com o plantio de variadas mudas devidamente identificadas e entre elas, o pau-brasil. Se a insensibilidade dos que lhe sucederam não tivessem destruído o belo jardim, cuja extinção foi tão reclamada por Petrônio Gomes, a árvore já estaria frondosa e bela, propiciando-nos uma deliciosa sombra.

Acho engraçado quando algumas pessoas dizem vaidosas, que não precisam estar à frente das entidades para realizarem suas ações. Principalmente quando se sabe que esses cargos são honoríficos, não remunerados, que só trazem desgastes e prejuízos para quem espontaneamente os assume. Nunca precisamos, nem ele nem eu, nem nunca tivemos a vaidade de sermos presidentes para buscarmos projeção pessoal ou usar a entidade como trampolim para atender interesses políticos ou ocupar cargos públicos. Não, isso nunca fizemos. Ao contrário. Enquanto estivemos presidindo nossas entidades de classe, resistimos aos assédios de partidos políticos. Nem nunca usamos os cargos para a obtenção de vantagens ou privilégios.

Depois que terminamos o ciclo da Somese (de 1993 a 1997), veio o da Academia Sergipana de Medicina, onde fui seu presidente, atendendo apelo dos amigos Gileno Lima, Cleovansóstenes Pereira de Aguiar e José Hamilton Maciel Silva. William, então presidente da Somese, foi admitido como membro titular da Academia em 1998 e só não me sucedeu no comando da entidade porque naquele momento dedicava-se a sua clínica, o Instituto San Giovanni, nos seus primeiros passos. Construímos, ele e eu, ao longo dessa trajetória, uma sólida amizade baseada nos princípios da lealdade e do respeito, contribuindo para o desenvolvimento das ciências médicas em nosso Estado.

Mas voltemos ao pau-brasil. Para comemorar os 10 anos de fundação do Instituto de Oncologia San Giovanni, William lança o “Projeto pau-brasil: de volta ao solo sergipano”, uma ação de natureza ecológica, cívica, cultural e educativa, que já conta com o apoio do Lions Clube Jardins, da Fundação Nacional do Pau Brasil e da Floricultura Tropical Garden. Pretende o projeto resgatar um tema abandonado por séculos, trazendo de volta ao solo sergipano uma de suas espécies mais importantes. Para viabilizar o empreendimento, ele adquiriu mais de mil mudas da árvore, que deverão ser plantadas em escolas, repartições públicas e em todas as praças de todas as cidades do Estado. Os deputados presentes ao encontro comprometeram-se a apoiar o projeto e criar mecanismos que viabilizem essa intenção.

Num momento preocupante para a sobrevivência da espécie humana, em função do aquecimento global e do efeito estufa, a iniciativa é extremamente  oportuna, notadamente pelo seu valor educativo, ao retomar o esquecido ciclo do pau-brasil.  William Eduardo Nogueira Soares faz  a sua parte, semeando novas e brilhantes idéias.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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