Puro sangue

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O título lembra raça de cavalo, mas não é. Trata-se do desejo de uma significante parte da militância petista, que defende a reeleição de Marcelo Déda, tendo como companheiro de chapa um outro nome do Partido dos Trabalhadores. Desde quando o secretário de Finanças, Nilson Lima, anunciou que se desincompatibilizaria do cargo, para colocar seu nome à disposição do PT, visando exatamente um lugar ao lado de Déda como vice, que o prefeito começou a temer que o gesto do seu auxiliar fosse interpretado como de iniciativa dele e não do próprio Nilson, cujo direito de reivindicar posições na disputa eleitoral é legítimo. O receio do prefeito Marcelo Déda não foi exagero. Ontem, um bem entrosado membro das oposições garantiu que o pessoal não tinha a menor dúvida que a desincompatibilização fora sugerida pelo pré-candidato à reeleição. A tese é de que Déda estava testando a reação dos seus aliados, ao mesmo tempo em que sinalizava para atender a pressão do partido. Fez uma análise aparentemente lógica: o secretário das Finanças, em qualquer administração, sempre é o homem de maior confiança dos governantes. É ele que conhece os gastos, que está por trás da arrecadação e que garante o funcionamento normal da máquina. “Não sairia do cargo, inclusive por questão de confiança e amizade, se não houvesse o dedo do chefe”. Chega a dizer, sem medo de errar: a chapa será puro sangue… A questão é que Déda não pode estar fingindo tão bem. Está conversando com as lideranças de todos os partidos aliados e tenta, junto com eles, procurar a melhor saída para o impasse. A militância petista não aceita uma chapa mista, porque acha que Marcelo Déda é quem tem voto para conquistar a Prefeitura e não poderá entrega-la para outra legenda, que mal tem condições de eleger um vereador. Um membro do partido, com mandato, disse ontem que “não podemos deixar Aracaju sob o comando de Edvaldo Nogueira (PCdoB), porque ele sempre foi estreitamente ligado ao deputado federal Jackson Barreto”. Sinal de que é posição firme, questão fechada, que o prefeito Marcelo Déda terá que usar de toda a habilidade para contornar a situação e reverter o quadro. Caso não consiga dobrar a militância e queira cumprir o acordo com os aliados, Marcelo Déda só terá duas saídas: não disputar a reeleição ou permanecer no mandato até 2006, ficando longe da disputa pelo Governo do Estado. Como disse o próprio Marcelo Déda, “a rapadura é doce, mas é dura”. Na visão de membros dos partidos que dão sustentação ao prefeito, caso a chapa seja puro sangue, fica caracterizado que a composição está formada só para manter o PT no poder. Em 2006 o presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, é candidato ao Senado e o primeiro suplente deve ser petista. Marcelo Déda vai disputar o Governo e, certamente, o seu vice também será correligionário. Aos partidos coligados caberá, apenas, a disputa por mandatos proporcionais. Entre as siglas de apoio, há a idéia do lançamento de uma candidatura a prefeito, dentro de uma composição PSB, PTB, PL e PSDB. Evidente que tudo isso está girando nesse barulhento “globo da morte” que se montou com a desincompatibilização de Nilson Lima. Mas as lideranças acreditam, que no final ninguém se machucará nesse pequeno ensaio de incêndio. Marcelo Déda até disse que “foi bom isso acontecer, para apimentar o processo sucessório”, dentro das oposições ao Governo do Estado. Realmente estava frio demais. De tudo isso, fica apenas uma coisa absolutamente concreta: o prefeito Marcelo Déda definitivamente é candidato ao Governo do Estado em 2006. Pelo menos é o que demonstra bem o Partido dos Trabalhadores, já que sequer imagina entregar Aracaju a outro nome que não seja da legenda. Da mesma forma, os partidos aliados não estariam brigando tanto, se não fosse para assumir o comando da capital por 32 meses. Essa questão aritmética não é problema, grave é a situação política que está complicada, porque de um lado está a militância petista, do outro os membros dos partidos aliados, e no centro Marcelo Déda e as lideranças da coligação buscando acalmar os ânimos, mas sem deixar de arrumar o melhor fogo para sua sardinha. GILMAR Vereadores do PDT em Aracaju conversaram, ontem, com o deputado Gilmar Carvalho (PV), a possibilidade de uma composição para a sucessão municipal. O deputado Gilmar Carvalho seria o cabeça de chapa, o PDT indicaria o vice e seria fechada uma composição em todos os níveis. POSIÇÃO Entre os partidos que integram o bloco do Governo e fazem oposição a Marcelo Déda, o PDT e o PV têm perfil semelhante ao do Partido dos Trabalhadores. Embora sejam partidos da base governista, nem sempre vota a favor do Executivo e fazem críticas ao Governo do Estado. REPENSA Dentro de uma composição como essa, em que haverá tempo na televisão e consistência no discurso, o deputado Gilmar Carvalho pode repensar a candidatura à Prefeitura. Os vereadores ficaram de avançar a conversa dentro do PDT, inclusive com a participação do senador José Almeida Lima. Já está marcado um novo encontro. PROBLEMA O deputado Gilmar Carvalho terá problema com a chapa proporcional, porque ele havia garantido ao pessoal que o PV não faria coligação ampla. Agora o parlamentar, que gostou da proposta, vai conversar com o pessoal e tentar convencê-lo que a chapa com o PDT é muito atraente. EDUARDO O presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra (PT), virá a Aracaju este final de semana para conversar com as bases do partido e com o prefeito Marcelo Déda. Eduardo é a favor que a chapa não seja puro sangue e também é simpático à reeleição da chapa com Edvaldo Nogueira (PCdoB). ENCONTRO O senador Antônio Carlos Valadares, Jackson Barreto e Heleno Silva virão a Aracaju este final de semana e já marcaram reunião. Os três são unânimes em afirmar que não apóiam o PT na reeleição caso a chapa seja puro sangue. É possível que os três partidos aliados lancem um nome. CONTRA O vereador Antônio Góis (PT) é contra uma coligação proporcional entre seu partido e o PL, porque pode prejudicar sua reeleição e a de outros companheiros. Considera que o Partido Liberal tem uma bancada forte para disputar a Câmara. Góis defende que não haja coligação proporcional. DERRUBOU O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a prisão do ex-deputado Antônio Francisco e de seu filho Júnior, acusados de serem mandantes do assassinato de Joaldo Barbosa. O advogado dos dois entrou com pedido de hábeas corpus para revogação das prisões. O STJ considerou a decisão da juíza Iolanda Guimarães bem fundamentada e manteve a prisão. AUMENTO Repercutiu muito mal, em Brasília, a aprovação do projeto que aumenta os custos processuais em Sergipe. Segundo o deputado João Fontes, tem taxa que aumenta entre 700% a 800%. O parlamentar considera que querem fazer uma justiça distante do povo. TENTATIVA A deputada Ana Lúcia (PT) ainda tentou evitar que o projeto de aumento das custas judiciais fosse colocado em discussão ampliada com a sociedade. Os parlamentares da situação, entretanto, não aceitaram a sugestão e votaram o projeto de aumento dos custos processuais. CANINDÉ A prefeita de Canindé do São Francisco, Rosa Feitosa (PMDB), vai desistir de sua candidatura à reeleição, alegando impedimento. A informação é que o período do mandato ainda é de Genivaldo Galindo, que tinha sido reeleito tendo Rosa como vice. A consulta sobre isso sai hoje. VERSÃO A versão que circula em Canindé do São Francisco é que Genivaldo Galindo vetou o nome de Rosa Feitosa. Quer que o candidato seja seu parente Júnior Galindo. Genivaldo Galindo vem comandando o seu bloco político da penitenciária de São Cristóvão, onde faz reunião constante com aliados. LAGARTO José Raimundo Ribeiro (Cabo Zé) entregou, quarta-feira, ao governador em exercício, Pascoal Nabuco, o seu pedido de demissão da pasta que ocupava no Governo. José Raimundo está iniciando sua campanha à Prefeitura de Lagarto, mas ainda espera fazer uma composição com Valmir Monteiro (PFL). Notas VOTAÇÃO O deputado João Fontes (sem partido) lamentou a aprovação da medida provisória do governo, que reajustou o salário mínimo para R$ 260,00. Antes dessa votação, a bancada governista já havia derrubado, por 266 votos contra 167, e seis abstenções, um substitutivo apresentado pelo PFL, que pedia o reajuste para R$ 275. Da bancada de Sergipe, apenas João Fontes, Mendonça Prado e José Carlos Machado votaram contra a MP. “Acompanhamos mais uma vez o balcão de negócios do governo ser colocado em prática com toda a sua ferocidade”, disse. POSTURA João Fontes também criticou a postura de alguns colegas de Sergipe, que no estado assumem discursos em defesa do trabalhador e dos servidores, mas em Brasília votam contra o povo. “Quando chega aqui, esse grupo que pertence às mesmas correntes políticas de apoio ao governo federal vota contra o povo”. O parlamentar considera esse tipo de comportamento vergonhoso e que a população precisa tomar conhecimento, porque realmente há uma diferença entre o que dizem em Sergipe e o que praticam em Brasília. CRÍTICAS O senador Almeida Lima (PDT) criticou sua colega Edil Salvante, (PT). Ela considerou que permitir que vigore a decisão da justiça, que determina o corte de 8.500 vereadores é abrir mão de legislar. A senadora disse isso em reunião que discutia as propostas, do Congresso, de redução do número de vereadores. Almeida acha que o Supremo não fez outra coisa senão “chamar o feito à ordem”, ou seja, interpretar a Constituição, “diante do escândalo existente hoje no país”. Almeida citou algumas distorções existentes no país. É fogo O governador João Alves Filho (PFL) retorna sábado a Sergipe e já na segunda-feira inicia os contatos sobre a sucessão municipal. João Alves deve trazer no bolso o nome do candidato a vice, para complementar a chapa liderada pela deputada Susana Azevedo (PPS). Lideranças políticas do próprio interior estão apelando para que os partidos marchem unidos nas disputas pelas Prefeituras Municipais. O prefeito de Campo do Brito, José Roque (PFL), não será candidato à reeleição e vai apoiar o líder Maim para sucede-lo. Nas eleições de 2000, Roque foi eleito com o apoio de Maim e agora está retribuindo, já que ele tem interesse na candidatura. O governador João Alves Filho está cada vez mais consciente que o Deso precisa passar por uma profunda reformulação. A deputada estadual Susana Azevedo (PPS) pré-candidata à Prefeitura de Aracaju, deu início à sua campanha, utilizando o horário gratuito do partido. Susana Azevedo vem dando explicações ao eleitorado, porque está querendo disputar a Prefeitura de Aracaju. O prefeito Marcelo Déda declarou que está percorrendo ministérios em Brasília, para liberar mais recursos para Aracaju. O secretário para Assuntos Políticos, José Alves Neto, está exausto de tanto tentar acomodar situações políticas no interior. O BNDES decidiu disponibilizar R$ 2 bilhões pra o refinanciamento das dívidas de curto prazo das empresas de comunicação. A inadimplência das empresas apresentou queda de 11.8% nos quatro primeiros meses deste ano, quando comparado ao primeiro quadrimestre de 3003. Por Diógenes Brayner brayner@infonet.com.br

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