Síndrome de Clark Kent

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O bairro da Atalaia é aquela coisa que o aracajuano já sabe: lindo na frente com a “orla mais bonita do Brasil” segundo a propaganda oficial e deplorável na maioria das suas artérias. Lama, buracos, muriçocas, iluminação precária, não faltam problemas a uma zona das mais valorizadas da cidade (e um dos mais caros IPTUs da capital).


À semelhança do “Super Homem” do cinema americano, os super poderes da orla são evocados
sempre que é necessário demonstrar que somos grandes em alguma coisa (maior kartódromo,
fontes luminosas e sonorizadas, lagos cinematográficos…). No entanto, no nosso dia a dia nos voltamos sempre para a insegurança e a falta de iniciativa do tímido jornalista Clark Kent, de “O Planeta Diário”, verdadeira identidade do personagem em questão. Seu acanhamento ainda nos seduz.


Crescendo sem planejamento, construímos nosso aeroporto justamente na praia que viria a
ser durante anos, o nosso maior cartão postal. Com isso limitamos a altura das construções na praia em função da rota dos aviões.

Se o desinteresse das grandes construtoras em investir em empreendimentos na orla é um
fato, não pode servir de desculpa para o poder público negligenciar a importância do bairro.

A Atalaia é (ou deveria ser) a nossa maior referência turística, assim como é a Praia de Boa Viagem para o Recife ou a Praia da Barra para Salvador.

Infelizmente, ainda estamos muito longe de chegar lá. Ainda continuamos esperando que as
criptonitas cheguem  Haja paciência em nosso Planeta Diário! 


Figuras…

JOUBERTO UCHÔA

A vitória da perseverança.

Ele é um daqueles aracajuanos apaixonados pela cidade, que adora tomar café da manhã no
mercado nos fins de semana e que quando viaja, procura conhecer idéias que sirvam para Aracaju.

Numa viajem à Califórnia por exemplo, o professor Uchoa, inspirado num projeto de San Francisco, trouxe para o prefeito da época a idéia da Rua das Flores para a descida da Colina do Santo Antônio (seria, grosso modo, uma estrada em zigue zague cercada de jardins). Infelizmente, o alcaide não se motivou.

Jouberto Uchoa nasceu em Aracaju em 17 de setembro de 1936 e começou a vida profissional
como tecelão da Fábrica Sergipe Industrial. Foi ajudante de pedreiro no Senai, balconista de “A Moda” (a primeira loja de tecidos de Aracaju) e vigia (e depois diretor) do Colégio Pio X.

Em 1962 instalou o Colégio Tiradentes numa casinha modesta da Rua de Laranjeiras. Os tempos eram difíceis, mas as dificuldades que enfrentou, não o impediram de seguir em frente e fundar a UNIT, uma das maiores instituições de ensino superior do nordeste do Brasil, uma universidade que ultrapassou os limites do Estado e hoje, aos 45 anos de fundação, é um inegável orgulho para a gente sergipana.

No entanto, nada disso modifica seu jeito simples e sem afetações. Uchôa continua sendo
o mesmo bom sujeito de sempre.    


& Lugares.

PONTE DO IMPERADOR

De ancoradouro à “Museu de Rua”.

Que a Ponte do Imperador foi construída para servir de ancoradouro no desembarque do Imperador D. Pedro II e comitiva em sua visita a Sergipe, isso quase todo mundo sabe.

Mas que foi, digamos, nosso primeiro aeroporto, não parece ser um fato muito conhecido
dos aracajuanos.

Segundo o cronista Mário Cabral, a chegada do primeiro avião à ponte foi um acontecimento memorável. “Foi em 22. Uma manhã de sol intenso e céu azul, a cidade de Aracaju amanheceu alvoroçada, com muita gente na rua. O comércio deixou de funcionar. Os colégios cerraram suas portas. A novidade contagiou a cidade inteira que nunca tinha visto um avião mesmo de longe”.


Na época dos hidroaviões (aeronaves que decolavam e amerissavam na água) era na Ponte do
Imperador que Aracaju embarcava seus moradores mais abastados e recebia seus mais
ilustres visitantes.


O pintor Leonardo Alencar diz no livro “Pointe do Imperador” de Ana Medina: “Eiu cresci
na fausto Cardoso, a Ponte do imperador par mim era como a Torre de Sagres, de onde se
podia partir em bisca de novas terras. A ponte era o aceno do futuro”.


Atualmente a Ponte abriga uma maquete que reproduz (com luzes e movimentos) a Aracaju da
primeira metado do século passado. Vale uma visita.

 


 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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